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Defesa e Segurança

Indígenas do Acre deixam sede da Funai depois de reunião com a presidenta da fundação

por Portal Brasil publicado: 09/05/2012 16h42 última modificação: 28/07/2014 16h33

Indígenas do Acre que ocupavam a sede a Fundação Nacional do Índio (Funai), em Brasília desde segunda-feira (7), deixaram o local nesta quarta-feira (9), depois que representantes entregaram para a presidenta da instituição, Marta Azevedo, na última terça-feira (8) uma lista de reivindicações, entre elas, a retomada de discussões sobre a questão fundiária no estado. 

Marta se comprometeu a examinar as questões apresentadas pelo grupo e a tomar providências em relação às reclamações. Outros pedidos são: a adoção de medidas contra ameaças de morte a indígenas e a melhoria de serviços como saúde e educação.

Para Ninawá Huni Kuĩ, porta-voz dos líderes de sete povos (Ashaninka, Apolima Arara, Huni Kuĩ, Jaminawa, Madja, Manchiner e Nawá), os indígenas não estão satisfeitos com o resultado da reunião, pois não tiveram resposta às principais demandas: os conflitos fundiários devido à expansão agropecuária e ao assédio do mercado de carbono e a demarcação de terras.

Segundo ele, Marta Azevedo se comprometeu a examinar detalhadamente as outras questões apresentadas e a dar um encaminhamento oficial até esta quinta-feira (10). Segundo a assessoria da fundação, equipes já trabalham em um plano para resolução dessas questões.

“Está prevista uma outra reunião, na primeira quinzena de junho, para detalhar o cronograma das atividades sobre as demarcações e a expansão agrícola em 21 terras indígenas no estado. Um dos pontos que ficou como prioridade é em relação à terra onde há conflito [Jaminawa, na beira do Rio Purus, próximo à divisa entre o Acre e o sul do Amazonas]. A demarcação [de terras] teve início e está parada. Enquanto isso, os fazendeiros estão invadindo, colocando tratores ao redor das casas, impedindo os indígenas de plantar. Estamos aguardando uma posição”, disse Ninawá.

De acordo com o indígena, as lideranças querem que a reunião do próximo mês ocorra em formato de audiência pública, como forma de expandir o debate, com a presença de representantes da Funai, do Ministério Público Federal (MPF), da Polícia Federal (PF) e do Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio). 

As reivindicações foram entregues também aos ministérios da Saúde e da Educação (MEC), à Secretaria de Direitos Humanos (Sedh) e à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai). Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), vinculado à Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB), a situação de saúde na região é critica. Recentemente, foram contabilizadas mortes de 24 crianças por diarreia. 

De acordo com relato de Ninawá, faltam para as equipes de saúde no local não só médicos como barcos, combustível e medicamentos. Ele informou que a precariedade também é constatada nas escolas da região. “Precisamos fazer uma reunião ampliada com lideranças do Acre para fazer uma análise dos planos de gestão que estão sendo encaminhados pelo estado. Em algumas aldeias, os alunos têm aula embaixo de pé de mangueira porque não tem material.”

 

Fonte:
Agência Brasil

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