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Monitoramento hidrológico prevê cheia do Rio Negro

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Previsão é que o nível máximo do Rio Negro atinja 29,60m neste ano, 0,37cm a menos que a cheia recorde registrada em 2012
por Portal Brasil publicado: 04/06/2014 15h56 última modificação: 30/07/2014 01h48

De acordo com boletim de monitoramento hidrológico dos níveis dos rios na Amazônia divulgado em 30 de maio pela Superintendência Regional de Manaus (Sureg-MA), do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), o Rio Negro encontra-se 35 cm acima da cota de emergência de 28,94 m. A previsão é que o nível máximo  atinja 29,60m neste ano, 0,37cm a menos que a cheia recorde registrada em 2012. Na época o nível do rio alcançou 29,97m.

Os dados obtidos pelas estações de medição, a partir da cota registrada em maio, permite prever a magnitude da cheia deste ano, que deve ter pico durante todo o mês de junho, com a cota ficando entre 29,29 a 29,60m. A estimativa de acerto é de 89%, uma vez que o Rio Negro está alguns centímetros acima da cota do ano passado, que foi de 29,33m.

Situação dos rios na região Amazônica

Segundo a equipe técnica da Serviço Geológico, durante o mês de maio a climatologia de precipitação da região Amazônica mostra os valores máximos de chuva (acima de 200 mm/mês) concentrados na porção norte, incluindo a porção central e norte do Amazonas (AM) , o estado de Roraima, porção norte do Pará, extremo norte do Maranhão e o estado do Amapá devido à presença da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT).

Os valores mínimos de chuva segundo a climatologia são encontrados no Mato Grosso e Sul dos estados de Rondônia, Tocantins e Maranhão.

O boletim também mostra uma precipitação acumulada para 27 dias do mês de maio, indicando concentração de precipitação no alto Solimões e seus afluentes (Rios Japurá, Juruá e Jutaí), no extremo noroeste do Amazonas (Cabeça do Cachorro), litoral paraense e oeste do Amapá com acumulados de até 350 mm. Também no litoral maranhense (Delta do Mearim) houve acumulados de precipitação com valores até 450 mm.

Ainda segundo a Sureg-MA, com base em informações do Center for Ocean-Land-Atmosphere Studies (Cola), o prognóstico de precipitação, para o período de 28 de maio a 05 de junho, indica a atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), podendo gerar precipitação significativa sobre o sul de Roraima, setores norte e noroeste do Amazonas e centro-norte do Pará. Há possibilidade de precipitação intensa sobre o sul da Venezuela e leste da Colômbia podendo influenciar o nível do Rio Negro e seus afluentes. Uma massa de ar seca pode atuar sobre o Mato Grosso, Tocantins e o sul do Maranhão, impedindo a ocorrência da precipitação nesta região.

No período de 5 a 13 de junho, o prognóstico indica a possibilidade de precipitação mais significativa sobre a região denominada Cabeça do Cachorro (noroeste do Amazonas), Amapá e litoral paraense, provavelmente devido à atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). Há possibilidade da permanência da massa de ar seca sobre o leste do Mato Grosso e sul do Tocantins.

Também Foram observados valores de precipitação abaixo de 20 mm sobre o norte de Roraima (anomalamente seco), leste do Mato Grosso e sul do Tocantins.

Os dados hidrológicos divulgados pela CPRM são provenientes da rede hidrometeorológica nacional, operada pela CPRM, por meio de convênio com a Agência Nacional de Águas (ANA).  Os dados de climatologia foram fornecidos pelo Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam).

Confira os dados das estações hidrometeorológicas monitoradas pela CPRM na região:

- Bacia do Javari – estações monitoradas em período de vazante;

- Bacia do Purus – estações monitoradas em processo de vazante com níveis dentro das médias para o período;

- Bacia do Negro – estações monitoradas em período de enchente, no Porto de Manaus, o nível do Rio Negro está 35 cm acima da cota de emergência (28,94 m);

- Bacia do Solimões – estações monitoradas em pico de cheia, em Manacapuru o Rio Solimões ultrapassou a cota de emergência (19,83 m);

- Bacia do Amazonas – estações monitoradas com níveis acima da cota emergência, em Parintins o Rio Amazonas está a 08 cm para atingir o nível máximo registrado na cheia histórica de 2009; e

- Bacia do Madeira – estações monitoradas em período de vazante com níveis ainda acima do normal para o período.

Monitoramento

Para monitorar as ondas do Rio Negro, técnicos do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) e CPRM instalaram uma boia oceanográfica (ondógrafo) no Rio Negro. O equipamento irá monitorar e permitir o estudo das ondas do rio. O ondógrafo, que fica na superfície, ligado a um cabo fixado no leito  registra dados de altura, direção, período e frequência de ondas, além da temperatura da camada superficial da água (30 centímetros).

Todos esses dados, medidos pelo equipamento, são transmitidos em tempo real por uma antena ligada à estação de recepção instalada na margem do Rio Negro, onde são armazenados e posteriormente analisados pelos técnicos.

Segundo o oceanólogo Marcelo Parise, analista do Centro Regional do Censipam em Manaus, e responsável pela operação do equipamento, as informações serão importantes para aumentar a segurança da navegação na região, “além de um melhor entendimento da gênese de formação das ondulações na região” disse ele. “Dependendo dos resultados obtidos e da disponibilidade de informações sobre ventos, registrados em estações próximas ao ondógrafo, pretendemos desenvolver uma metodologia visando previsões e emissão de alertas para a navegação na área”, complementou.

O equipamento foi adquirido com recursos do projeto da Rede de Monitoramento de Eventos Extremos da Amazônia (Reman), financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que conta com a participação de pesquisadores, instituições de pesquisas, centros de previsão, defesas civis, Sipam e CPRM. A compra do equipamento era uma meta do Reman II.

Fonte:
Serviço Geológico do Brasil 
Sistema de Proteção da Amazônia

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