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Estudante brasileira cria índice de desigualdade de gênero para o País

por Portal Brasil publicado: 12/11/2012 12h12 última modificação: 28/07/2014 16h35
Portal Brasil Pesquisas indicam que mulheres ganham menos que os homens, mesmo quando ocupam funções iguais

Pesquisas indicam que mulheres ganham menos que os homens, mesmo quando ocupam funções iguais

A estudante de economia, Luísa Cardoso, foi premiada pelo Conselho Regional de Economia do DF pelo trabalho "A Mensuração da Desigualdade de Gênero: um Índice para os Estados Brasileiros"

 

Mulheres e homens têm acesso praticamente igual à educação no Brasil, mas em relação à política e economia, os homens têm vantagem considerável. Eles estão em cerca de 54,4 milhões de posições no mercado de trabalho, enquanto as mulheres ocupam 43 milhões. Em média, os homens ganham R$ 4,9 por hora a mais que as mulheres em cargos semelhantes. Já na política, são 2.013 homens e 292 mulheres no poder.

Os dados são do trabalho A Mensuração da Desigualdade de Gênero: um Índice para os Estados Brasileiros, da estudante de economia, Luísa Cardoso, premiada pelo Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (Corecon-DF).

O trabalho da estudante propõe a criação do Índice Nacional de Desigualdade de Gênero (INDG) - capaz de medir, por estado, o acesso das mulheres à educação, saúde, economia e política - baseado no Índice Global de Desigualdade de Gênero (do inglês Global Gender Gap Index - GGGI), medido pelo Fórum Econômico Mundial em 135 países, no qual, em 2012, o Brasil aparece em 62º lugar.

“O Brasil não tem um índice próprio. O GGGI considera variáveis que não fazem parte da nossa realidade. O INDG seria uma forma de monitoramento das desigualdades brasileiras e pode ser atualizado constantemente”, justifica Luísa.

Com base em dados de 2009, 2010 e 2011 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Congresso Nacional e outros bancos de dados oficiais, a estudante aplicou a escala internacional de zero a um, na qual quanto mais próximo a um, maior o nível de igualdade para cada estado brasileiro. No total, o Brasil obteve 0,71 ponto. Se utilizado o INDG, o País estaria na 45ª posição no ranking mundial.

O estado de Santa Catarina, com 0,676, aparece como o mais desigual, enquanto Rio Grande do Norte, com 0,779, é o estado com maior igualdade de acesso, seguido por Roraima, com 0,776, e Maranhão, com 0,768. O resultado mostra que a desigualdade não está ligada a uma menor renda, já que o Rio Grande do Norte tem quase metade (R$ 456,94) da renda per capita de Santa Catarina (R$ 864,51), de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (Pnad) 2009.

“O Brasil tem uma desigualdade regional imensa. Mensurar isso com dados nacionais é mais interessante e confiável. Embora a discriminação por gênero, uma das principais causas da desigualdade, não possa ser medida por dados quantitativos, ela continua existindo na sociedade como um todo”, afirma a socióloga Nina Madsen, integrante do colegiado de gestão do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea).

Segundo a socióloga, a discriminação começa na educação e se estende ao mercado de trabalho, prejudicando os salários e as promoções de mulheres a altos cargos. Um dos fatores da diferenciação é que as mulheres ainda são responsáveis, ao mesmo tempo, pela produção e reprodução, o que faz com que acumulem funções.

 

Economia e política

O acesso à economia teve pontuação 0,730, quase igual ao índice nacional. Já a política foi a área com os menores índices, com 0,102 pontos. O estado de Santa Catarina aparece mais uma vez na última posição, com 0,035; seguido por Paraná, com 0,044; e do Ceará, com 0,055. Os primeiros lugares também se repetem: Rio Grande do Norte, com 0,404; Maranhão, com 0,321; e Roraima, com 0,273 pontos.

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o País aparece como penúltimo do ranking da América Latina em representatividade política, com somente 9% dos candidatos eleitos do sexo feminino.

“É necessária uma reforma de âmbito partidário para inclusão de mulheres. Tem que haver um trabalho de base, de trabalho junto à sociedade, para que as mulheres tenham mais destaque em propagandas políticas”, afirma a oficial de Monitoramento e Avaliação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) no Brasil, Juliana Wenceslau.

Segundo Vera Soares, secretária nacional de Articulação Institucional e Ações Temáticas da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), o governo tem se esforçado para diminuir as desigualdades. “Os países mais produtivos são os que têm menor desigualdade de gênero. É onde se aproveita melhor a capacidade produtiva e onde se utiliza o capital humano de maneira mais completa. Ganha o mercado, ganha o governo e ganham as pessoas”. De acordo com Vera, a secretaria discute a elaboração de indicadores complexos, como o índice nacional.

 

Índice de Desigualdade de Gênero

O Índice de Desigualdade de Gênero (IDG) é composto por três dimensões: saúde reprodutiva, empoderamento (autonomia) e atividade econômica. A desigualdade na atividade econômica é medida pela participação de homens e mulheres no mercado de trabalho. No quesito saúde reprodutiva são mensuradas a mortalidade materna e a proporção de adolescentes que tiveram filhos (as). Já o empoderamento é medido pelo percentual de homens e mulheres no parlamento e, de homens e mulheres de 25 anos ou mais com pelo menos o ensino médio completo.

O índice mede a perda no desenvolvimento humano resultante da desigualdade entre homens e mulheres, variando também de zero a um. No entanto, ao contrário do índice de desenvolvimento humano, quanto mais próximo de um, maior a desigualdade entre os gêneros.

De acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH), apresentado em novembro de 2010 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), os países com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) geralmente apresentam um alto índice de desigualdade de gênero. Lideram a lista: Camarões (0,763), Libéria (0,766), República Centro-Africana (0,768), Papua Nova Guiné (0,784) e Afeganistão (0,797). Os países com maior igualdade de gênero são Holanda (0,174), Dinamarca (0,209) e Suécia (0,289).

 

Fonte:
Agência Brasil
Observatório de Gênero

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