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Economia e Emprego

Fazenda prepara transição entre fim de políticas anticíclicas e novo ciclo de expansão econômica

CENÁRIO ECONÔMICO

Para ministro Guido Mantega, momento é de “rearranjo da política fiscal e monetária para novo momento pós-crise”
por Portal Brasil publicado: 07/11/2014 20h36 última modificação: 07/11/2014 20h36

O ano de 2014 deve ser o último da política anticíclica no Brasil, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta sexta-feira (7), durante abertura do Encontro de Política Fiscal 2014, promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo, com apoio da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda. “Temos o desafio de fazer a transição para novo ciclo de expansão da economia mundial e brasileira’’, ressaltou o ministro.

As políticas anticíclicas, defendidas pelo economista inglês John Maynard Keynes, são aquelas adotadas pelos governos a fim de criar condições para que a economia produza efeitos compensatórios em momentos de desequilíbrios macroeconômicos.

Se o objetivo é deter o crescimento, são acionados mecanismos para reduzir a atividade econômica, como retração do crédito, aumento de impostos e dos juros. Já para estimular o crescimento, é preciso reduzir as emissões de moeda, os impostos, o crédito e promover a desvalorização cambial para estimular as exportações.

Para Mantega, durante a crise, “países europeus caíram no modelo tradicional de ajuste [adotando políticas econômicas ortodoxas], mas mesmo assim tiveram desempenho inferior aos que aplicaram políticas anticíclicas de estímulo’’. Segundo ele, um dos efeitos mais importantes para quem adotou estas últimas foi a manutenção do emprego: “sem isso, o desemprego teria aumentado’’, frisou.

O ministro apresentou dados demonstrando que, de 2008 até junho de 2014, o Brasil cresceu mais que a maioria dos países do G20 e isso foi resultado da opção pela estratégia anticíclica.

Para Mantega, este ano houve decepção em relação ao desempenho da economia internacional e isso não ajudou na recuperação dos emergentes. De acordo com ele, a retirada dos estímulos monetários à economia dos Estados Unidos pelo Federal Reserve (FED/ Banco Central norte-americano) também atrapalhou.

"Somado a isso, tivemos uma grande estiagem que também pressionou o preço dos alimentos e da energia’’, disse, referindo-se especificamente sobre a economia brasileira, que neste ano também sofreu um aperto monetário para combater a alta da inflação.

Guido Mantega, contudo, fez questão de frisar que esses problemas são momentâneos e o País está saindo da crise com uma situação sólida. “Nosso mercado consumidor é forte e continua crescendo. Temos baixa taxa de desemprego e criamos um grande mercado de classe média bastante ativo, que duplicou nos últimos anos. O Investimento externo direto se situa acima de US$ 60 bilhões, o que demonstra que há apetite externo pelo mercado brasileiro. Temos elevado volume de reservas, o que nos ajuda. Tudo isso nos dá solidez’’, acrescentou.

Sobre o atual cenário econômico, o ministro disse que o Brasil precisa caminhar para um aumento gradual do superavit primário. “Temos que fazer redução das despesas e procurarmos também diminuir algumas rubricas que estão crescendo muito, como seguro-desemprego, abono, auxílio-doença e pensão por morte. Também temos que recuperar a receita’’ afirmou Mantega ao explicar que a atual situação da arrecadação pode ser explicada pelo menor crescimento a atividade econômica.

Fonte: Portal Brasil com informações do Ministério da Fazenda

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