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Economia e Emprego

Caminho do Brasil na última década combina crescimento com redução da desigualdade, diz Neri em Davos

Fórum Econômico Mundial

Para vencer desafios do futuro, ministro disse que chave é educação. "Educação é boa para o crescimento, para combater a desigualdade, para tudo", afirmou o ministro
por Portal Brasil publicado: 22/01/2015 17h06 última modificação: 22/01/2015 17h06

O ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE/PR), Marcelo Neri, participou, na quarta-feira (21), de um debate sobre a América Latina no Fórum Econômico Mundial (Word Economic Forum – WEF), em Davos, na Suíça.

O tema do painel foi “O Contexto Latino-Americano: quais são as principais questões políticas, econômicas e sociais que estão transformando a região?”.

Além do ministro Marcelo Neri, participaram do painel o presidente do banco Itaú, Rogerio Egydio Setubal; Ildefonso Guajardo Villarreal, secretário de Economia do México; o economista venezuelano Moisés Naim, ex-ministro do Comércio e Indústria do país; e Mario Blejer, vice-presidente do Banco Hipotecário da Argentina.

A mesa foi moderada pela Secretária Executiva da Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e Caribe (Cepal), Alícia Bárcena Ibarra.

Bárcena iniciou o painel ressaltando a previsão de baixo crescimento para a região, com queda nas exportações e no consumo, o que já vem ocorrendo.

Bárcena pediu para Neri fazer uma análise social das principais questões atuais da região, questionou o ministro como o Brasil fará o ajuste fiscal e manter o progresso social da última década.

Neri ressaltou que essa nova década inicialmente está sendo diferente da última. “Houve um redução no crescimento e uma estabilidade na queda da desigualdade. No entanto, é preciso recuperar o caminho do meio, que foi a marca do Brasil na última década, combinando crescimento com redução da desigualdade, que ainda é muito alta. Voltamos aos níveis de desigualdade dos anos 80 na América Latina e 60 no caso brasileiro”.

Neri também apontou para um paradoxo que acontece no caso brasileiro. “No Brasil, se pegarmos 2012, 2013, temos um crescimento baixo do PIB per capita, de 0,8 ao ano; em contraponto, a renda média das pessoas medidas pelas pesquisas domiciliares cresce 5,5 ao ano no mesmo período, e o crescimento se dá para pessoas em todos os níveis de renda. Ou seja, na vida a expansão continuou. Nós estamos em uma década onde todos ganham, em termo de renda domiciliar, mas não em termos de crescimento do PIB, o que tem implicações em termos de bem estar e políticos, se quisermos entender o momento atual. Precisamos projetar o caminho do meio para o longo prazo obtendo e compartilhando avanços de produtividade”, explicou.

Em relação ao ajuste fiscal, o ministro disse acreditar que é uma oportunidade para se avaliar a miríade de programas brasileiros, falando da iniciativa da SAE de lançar protocolo no tema.

“No Brasil, o gasto público e a carga tributária são grandes, e é preciso cortar gastos da forma mais eficiente e equitativa possível. O momento é oportuno para avaliar quais são os programas que funcionam e os que não funcionam”, disse o ministro.

Neri terminou ressaltando que talvez um dos principais desafios da economia brasileira atualmente seja a incerteza, e que no momento em que o Brasil se encontra existe a possibilidade, através de um choque de confiança, que já está sendo feito, de combate-la e retomar o crescimento. Ao contrário da redução da desigualdade, no caso da queda de incerteza todos ganham, uma autentica melhora de Pareto.

Respondendo a uma pergunta de Ricardo Hausmann, ex-ministro do Planejamento da Venezuela e diretor do Centro para Desenvolvimento Internacional da Universidade de Harvard, sobre quais são as novas questões e as ambições e aspirações na região para os próximos anos, Neri disse que a chave é a educação.

“A educação é boa para o crescimento, para combater a desigualdade, para tudo. E relacionado à educação, aponto dois pontos. Primeiro, imigração. Somos muito fechados em termos de imigração. Temos que nos abrir para o comércio, para o capital mas também para pessoas, em particular as mais qualificadas. O outro ponto é em relação aos jovens. Apesar de estarem melhorando, a melhora não está acontecendo durante os anos de juventude. Temos o maior números de jovens que já tivemos e jamais teremos, e realmente precisamos focar na juventude, pois o futuro virá deles. Os jovens não sabem bem o que querem, muito menos seus pais e o governo. Então precisamos nos engajar, usar a tecnologia para ouvi-los. Dispomos de novos instrumentos, precisamos usá-los em consonância com as necessidades expressas pelos jovens”, disse Neri.

Fonte:
Secretaria de Assuntos Estratégicos

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