Economia e Emprego
Indústria de material de construção mira nos EUA para ocupar espaço da China
Insumos
O efeito da alta do dólar na balança comercial, o que deixa as importações mais caras e facilita as exportações de produtos brasileiros, é comemorado pelos fabricantes de materiais para a construção civil. A valorização da moeda norte-americana está facilitando a venda de insumos como cerâmica, chuveiros, louças e metais sanitários para os Estados Unidos. A reaproximação do Brasil com a maior economia mundial, que culminou com a visita da presidente Dilma Rousseff a Washington em junho, também é apontado como fator de crescimento. “Os Estados Unidos querem diminuir a dependência da China e estão olhando para o Brasil”, afirma Marcelo Gerhardt, gerente de exportação de uma das gigantes do setor, a Deca, fabricante de louças e metais sanitários com oito unidades no País, integrante do grupo Duratex.
O desempenho fez o segmento se tornar um dos destaques da balança comercial medida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) entre janeiro e agosto, cujo saldo é positivo em US$ 7,3 bilhões até agosto. Os fabricantes de materiais usados na construção contribuíram com US$ 340 milhões para esse saldo, conforme cálculo da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat).
O presidente da entidade, Walter Cover, afirma que a mudança reverte o ciclo negativo na relação do setor com o comércio externo. De acordo com ele, após atingir um superávit de US$ 1 bilhão na corrente de comércio entre 2005 e 2006, o segmento registrou perdas sucessivas até atingir um déficit representado pela entrada maior de importados. “Ficamos muito tempo com saldo comercial negativo e esse ano nós invertemos isso”, afirma. “O efeito positivo do câmbio, ao contrário das commodities, é que não tivemos queda de preços (na exportação)”, avalia.
O quadro de aumento no volume de produtos sem a perda de receita nas transações externas é o que deve, segundo Cover, sustentar a competitividade no mercado internacional. Isso continua pressionado para baixo as importações. “Isso vai ser bom para a balança comercial”, diz.
O reforço nos laços comerciais do Brasil com os Estados Unidos é visto como uma nova fase de reabertura de mercado para o setor. A Abramat diz que há conversas com as autoridades dos EUA, intermediadas pelo governo e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), buscando a suspensão de barreiras que hoje limitam a entrada de materiais brasileiros.
“Os Estados Unidos já foram um comprador forte, o que mudou porque o mercado ficou valorizado. Agora estamos tendo um incremento forte”, diz. “Estamos fazendo agora um trabalho para eliminar essas barreiras não tarifárias (burocracias). É um trabalho que começou com cerâmica e vai se expandir”, diz Cover.
O movimento é visto como positivo pelo gerente de exportação da Deca. Gerhardt avalia que há disposição dos EUA em reduzir o volume de manufaturados importados da China. É neste cenário que a empresa tem dialogado para entrar no mercado norte-americano de duchas elétricas.
Meta de 33%
A Deca traçou como meta ampliar a receita com exportações em 33% neste ano. Gerhardt diz que a companhia evita empolgação com o dólar, considerando que a moeda norte-americana pode voltar a um patamar menor a qualquer momento, o que reforça o plano estratégico de crescer por conta própria. “A última revisão do plano da empresa colocou como meta elevar a exportação como drive do nosso crescimento”, afirma.
Os principais mercados internacionais da empresa são Paraguai, Bolívia, Argentina e Uruguai, nesta ordem de importância. O gerente, contudo, cobra que o Brasil exerça mais a sua força dentro do Mercosul para robustecer o bloco com a entrada de outros países como o Chile e Colômbia, assim como para aproximá-lo do México. “Falta aumentar a amplitude do Mercosul”, afirma.
Enquanto a relação com os países vizinhos não evolui como a empresa espera, a Deca está investindo em contratações e na busca de novos mercados com a ajuda da Apex-Brasil. “É um órgão muito importante para a gente nos momentos em que ela promove algumas missões e feiras internacionais”, relata.
Fonte: Portal Brasil
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