Economia e Emprego
Empresas devem buscar exportação como ‘vocação permanente’, diz Sebrae
Especial: PMEs no Mundo
Fugir do oportunismo cambial, entender-se como negócio com potencial internacional e quebrar a barreira linguística para atingir o mercado global são os três passos iniciais para empresas de micro e pequeno porte exportarem. A sugestão é do gerente de Acesso a Mercados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Alexandre Comin.
“A exportação não pode ser vista como uma oportunidade de momento, dada pela condição da taxa de câmbio, do comércio local que já não está crescendo como antes. É importante a empresa perceber a exportação como uma atividade permanente dela, como uma vocação”, afirma.
De acordo com Comin, as empresas não devem buscar a exportação apenas em momentos nos quais o câmbio favorável, como agora, quando o dólar mais caro ante o real facilita o acesso ao mercado de outros países.
“É importante a empresa perceber que ao ser exportadora, ela vai se tornar uma empresa melhor. Vai se qualificar, aprender outros idiomas, ter selos de qualidade e sanitários. Assim, a ela vai fazer investimentos, vai melhorar. E isso é melhor para exportar, mas é melhor também para o mercado interno”, considera.
O gerente do Sebrae afirma que a primeira barreira a ser superada pelas micro e pequenas empresas deve ser a língua. “O primeiro desafio de qualquer empresa, que queira se internacionalizar para exportar, é a barreira do idioma. Até se for exportar para Portugal ou qualquer outro país de língua portuguesa, provavelmente, ainda assim ela vai ter algum esforço de adaptação da sua embalagem, de tradução de alguns elementos da sua embalagem”, observa.
Ele recomenda que micro e pequenas emprsários façam o Autodiagnóstico de Negócios Internacionais, disponível no site da entidade. A ferramenta online permite às empresas identificarem pontos fortes para uma investida no comércio exterior.
Movimento em “J”
Comin avalia que a alta do dólar pode intimidar, num primeiro momento, as empresas que ainda não conseguiram identificar qual será o ponto de estabilidade da moeda norte-americana em relação à brasileira.
Setores que negociam contratos mais longos, de 6 meses a 3 anos, podem esperar o cenário cambial estabilizar para sentirem se “o câmbio vai estar bom quando for receber” pela venda no exterior.
Enquanto esse sentimento não se consolida, de acordo com o gerente do Sebrae, pode ocorrer o que os economistas chamam de “movimento em J”, quando ocorre uma queda nas importações de bens, peças e partes de componentes usados na produção. Como consequência desse movimento, as exportações demoram a engatar em um ritmo consistente.
Depois desse primeiro momento, segundo Comin, os setores que atuam com produtos de consumo mais básicos, como calçados e alimentos, ganham escala com contratos de fornecimento de curto prazo para entrega (3 a 6 meses).
O que seria um segundo momento de superação da curva descente do “J”, ou seja, aquele em que ocorre aumento de exportações, as empresas devem entender em breve que houve a consolidação de uma transição cambial.
“Acho que talvez a gente esteja se aproximando de um momento em que as empresas começaram a perceber que, de fato, há uma mudança importante na taxa de câmbio no Brasil. Entre o que foi o período 2005 até 2012, que a partir do ano passado está mudando. Eu acho que a gente vai começar a observar esse movimento em J das exportações das pequenas empresas no próximo período”, afirma.
Fonte: Portal Brasil, com informações do Sebrae
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