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Governo estuda reduzir imposto de importação para caminhões e ônibus elétricos

Tecnologia

MDIC pretende estimular ‘frota verde’ para atrair investimentos na indústria automotiva; shoppings podem ter ponto de recarga
por Portal Brasil publicado: 17/11/2015 09h50 última modificação: 23/11/2015 19h34

A Câmara de Comércio Exterior (Camex) pode reforçar nos próximos meses o passo dado para colocar o Brasil na rota da chamada ‘frota verde’. Após a redução em outubro do imposto de importação que incidia sobre carros elétricos e os movidos a hidrogênio, o órgão subordinado ao Ministério da Indústria e Comércio Exterior (MDIC) estuda, agora, estender o benefício fiscal para ônibus e comerciais leves, como furgões e mini caminhões elétricos.

Já para os taxistas está sendo estudado um modelo de leasing para financiar a instalação de baterias de longa duração nos veículos. “Novas medidas estão sendo discutidas no âmbito do governo federal voltadas para os ônibus e os comerciais leves para entrega ponto a ponto, em grandes centros urbanos”, afirma a diretora de Indústrias de Equipamentos de Transporte do MDIC, Margarete Gandini.

A decisão deve ser tomada com foco na diversificação dos combustíveis usados pela frota em circulação, hoje majoritariamente flex com o uso de gasolina e etanol. “Essa medida e outras, que estamos conversando com o setor privado e demais órgãos de governo, vêm numa visão de que em termos de mobilidade urbana temos de avançar para novos modelos que deem uma lógica melhor de deslocamento tanto das pessoas como dos bens nos centros urbanos”, diz.

Não à toa, a Camex zerou no mês passado a alíquota da importação que os carros elétricos pagavam para entrar no País, que era de 35%. Os automóveis movidos a hidrogênio tiveram o imposto reduzido para até 7%. A medida levou a BMW a reduzir preços praticados no País e a Kia Motors a anunciar interesse de comercializar um modelo elétrico.

A medida tem atraído outras empresas japonesas, coreanas e chinesas. Foi o que uma equipe do MDIC constatou durante o Salão do Automóvel de Tóquio. “Houve consultas de outras montadoras questão montando seus planos de negócios para trazer esses veículos para o Brasil”, diz a diretora.

Mercosul

Segundo Margarete, o estímulo fiscal é parte de um planejamento do ministério para atrair investimentos para a indústria automotiva instalada no Brasil. Para isso, é preciso primeiro criar a demanda pelo veículo não poluente e ainda caro.

“O impacto dessa resolução (reduzindo impostos) é possibilitar a redução de custo desses veículos ao consumidor”, afirma. “É preciso dar condições para que o consumidor adquira os veículos para depois atrair investimentos para a montagem e fabricação desses veículos no País”, observa.

O passo seguinte será a exportação para o Mercosul. “A nossa decisão foi muito bem recebida (no mercado), porque o Brasil é o primeiro país da América Latina que dá essa sinalização tão forte de apoio aos veículos com nova motorização”, conta.

Infraestrutura

A criação da demanda deve ser acompanhada pela construção de uma rede de abastecimento para o veículo elétrico. Os dois modelos em discussão envolve a instalação de pontos de abastecimento em shopping centers e em postos de combustíveis.

A ideia é que o motorista deixe o carro abastecendo enquanto faz compras ou quando estiver trabalhando. O modelo deve começar a ser implantado nas cidades de Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. O prazo, contudo, ainda não está definido.

“O governo tem mantido uma interlocução permanente com as montadoras para criar essa infraestrutura. Nesse sentido, negociações estão sendo realizadas pelo setor privado, com acompanhamento do governo, tanto com shopping centers quanto com distribuidoras de energia elétrica em parceria com postos de combustíveis”, sinaliza.

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