Você está aqui: Página Inicial > Economia e Emprego > 2016 > 03 > Mulheres são maioria em universidades e cursos de qualificação

Economia e Emprego

Mulheres são maioria em universidades e cursos de qualificação

Pesquisa

Dados do Plano Nacional de Qualificação, do Ministério do Trabalho e Previdência Social apontam, entretanto, diferença de remuneração em relação aos homens
publicado: 10/03/2016 13h00 última modificação: 31/03/2016 21h16

As mulheres são maioria nas escolas, universidades, cursos de qualificação, mas ainda recebem menos do que os homens para desempenhar as mesmas atividades e estão mais sujeitas a trabalhos com menor remuneração e condições mais precárias.

Das mulheres ocupadas com 16 anos ou mais de idade, 18,8% possuíam Ensino Superior completo, enquanto para homens, na mesma categoria, esse percentual é de 11%, apontam dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) de 2014, realizada pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pesquisa indica ainda que as mulheres são maioria para Ensino Médio completo ou Superior incompleto: 39,1% das mulheres se enquadram nessa categoria, contra 33,5% dos homens.

Para as mulheres, no entanto, maior escolaridade e presença nos cursos de qualificação não se traduz em maiores rendimentos, e essa diferença se amplia conforme aumenta a escolarização. As mulheres com cinco a oito anos de estudo receberam por hora, em média, R$ 7,15, e os homens, com a mesma escolaridade, R$ 9,44, uma diferença de R$ 24%. Para 12 anos de estudo ou mais, essa diferença na remuneração vai a 33,9%, com R$ 22,31 para mulheres e R$ 33,75 para homens.

"Os estudos apontam que as mulheres têm mais escolaridade que os homens, mais isso não tem sido determinante para que ela possa entrar em setores mais qualificados e, mesmo ela estando nesses setores, ela recebe menos e não é valorizado o seu grau de instrução", afirma Rosane da Silva, coordenadora do Núcleo de Gênero do MTPS.

No entanto, apesar dessa diferenciação por gênero ainda existir no mercado de trabalho brasileiro, as mulheres vêm conquistando avanços e espaços e diminuindo, ainda que lentamente, a diferença entre salários e rendimentos. Em 2004, ainda segundo dados da Pnad, a diferença da remuneração por hora entre homens e mulheres foi, em média, de 38,53% para trabalhadoras com 12 anos de estudo ou mais.

A busca por diminuir essa diferença é contínua e envolve o fortalecimento de políticas públicas que estimulem a igualdade de gênero no mercado de trabalho, além de exemplos individuais de superação, qualificação e avanços.

Esse é o caso da empresária Zeli D'Ambros, de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Filha mais nova de uma família de agricultores de nove irmãos, saiu do interior do Estado com 13 anos para trabalhar e estudar em Caxias, segunda maior cidade do Estado. Entrou no mundo do trabalho cuidando de crianças e estudando para concluir o segundo grau. Depois, trabalhou em uma malharia, onde passou por diversas funções até ser contratada por uma empresa de logística, na qual chegou ao cargo de gerente, mas não conseguia ser promovida.

"Não importava o que eu fizesse, houve três oportunidades de promoção, e sempre traziam um homem para a vaga de direção", lembra Zeli, acrescentando: "nas empresas que visito, vejo muitas mulheres gerentes, mas poucas diretoras. Hoje 51% das micro e pequenas empresas de Caxias são lideradas por mulheres. Fico pensando se não é porque as mulheres não são reconhecidas para cargos de direção e acabam saindo para se tornarem donas da própria empresa", conta Zeli.

A persistência, aliada a estudos e disposição para encarar cursos noturnos de graduação e pós-graduação levaram Zeli a se tornar dona de uma das subsidiárias da empresa de logística e, posteriormente, a abrir o próprio negócio. "Existe uma barreira, e parece que a mulher tem de estar o tempo todo provando sua capacidade e se fazer reconhecida. Mas eu acho que a competência não está em uma calça ou uma saia. A competência está em se qualificar e ver que, independentemente de gênero, as capacidades são iguais", pondera a empresária.

Hoje a empresa de Zeli gera trinta e cinco empregos diretos e indiretos, e muitos dos empregados são homens.

Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério do Trabalho e Previdência Social

Todo o conteúdo deste site está publicado sob a licença Creative Commons CC BY ND 3.0 Brasil CC BY ND 3.0 Brasil

banner_servico.jpg

Últimos vídeos

CNH terá código digital para evitar fraudes
Documentos emitidos a partir de 1º de maio já possuem este elemento de autenticação
Documentos emitidos a partir de 1º de maio já possuem este elemento de autenticação
CNH terá código digital para evitar fraudes

Últimas imagens

 Não há casos de contágio da doença em humanos, nem risco à saúde pública
Não há casos de contágio da doença em humanos, nem risco à saúde pública
Sílvio Ávila/Ministério da Agricultura
Ao comentar a decisão da agência de risco, Ministério da Fazenda avaliou como fundamental a aprovação da reforma da Previdência
Ao comentar a decisão da agência de risco, Ministério da Fazenda avaliou como fundamental a aprovação da reforma da Previdência
Rovena Rosa/Agência Brasil
Em meses de mais chuvas, a bandeira tarifária fica verde, sem custo extra nas tarifas de energia
Em meses de mais chuvas, a bandeira tarifária fica verde, sem custo extra nas tarifas de energia
Arquivo EBC
Com investimento de R$ 36 milhões, mais de duas mil pessoas devem ser beneficiadas com os residenciais
Com investimento de R$ 36 milhões, mais de duas mil pessoas devem ser beneficiadas com os residenciais
Arquivo/Agência Brasil
Na visão de Meirelles, a população já tomou consciência da aprovação das reformas em tramitação no Congresso
Na visão de Meirelles, a população já tomou consciência da aprovação das reformas em tramitação no Congresso
Antonio Cruz/Agência Brasil

Governo digital