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Economia e Emprego

Balança comercial tem o melhor março da história, com superávit de US$ 4,4 bi

Comércio Exterior

Saldo positivo resultou de US$ 15,994 bilhões em exportações e US$ 11,559 bilhões em importações
por Portal Brasil publicado: 01/04/2016 16h27 última modificação: 15/04/2016 18h28

O Brasil registrou saldo positivo recorde de US$ 4,435 bilhões nas operações de comércio exterior da balança comercial no mês passado, no maior resultado para meses de março, informou nesta sexta-feira (01) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). O resultado reflete US$ 15,994 bilhões em exportações e US$ 11,559 bilhões em importações. 

Nos três primeiros meses do ano, o País acumula superávit comercial de US$ 8,4 bilhões, o maior para o período desde 2007.  “Esse saldo de US$ 8,4 bilhões no ano é o terceiro maior saldo da história para trimestres”, comentou o diretor de Estatística e Apoio à Exportação do Mdic, Herlon Brandão. 

O bom desempenho, diz o diretor, deverá levar ao aumento da estimativa do governo do saldo de US$ 35 bilhões previsto para o ano.

O elevado saldo positivo nas operações de comércio exterior é um bom dado para a economia brasileira se considerado que em igual período do ano passado a balança havia registrado déficit (saldo negativo) de US$ 5,5 bilhões.

Conforme os dados apresentados, os destaques nas exportações foram as vendas no exterior de soja, milho, carnes, algodão, aviões, etanol, automóveis e ouro. No ano, as exportações somam US$ 40,6 bilhões.

Já as importações ficaram em US$ 11,6 bilhões com queda nas compras no exterior de combustíveis, matérias-primas, máquinas e equipamentos. Nos três primeiros meses de 2016, as importações estão em US$ 32,2 bilhões.

Mais quantidade, menor preço

Segundo o MDIC, as vendas externas caíram 5,8% sobre março de 2015 e subiram 3,5% em relação a fevereiro de 2016 segundo o critério de "média diária". Do lado das compras do Brasil no exterior, houve queda de 30% no volume diário negociado na comparação com março de 2015, e de 3,1% na comparação com fevereiro de 2016.

Para o diretor do Departamento de Estatística e Apoio à Exportação (Deaex) do MDIC, Herlon Brandão, a redução no valor exportado em março é decorrente, principalmente, da queda no índice de preço, uma vez que houve aumento na quantidade exportada. “Em março de 2016, o preço médio das exportações caiu 17,4%, enquanto a quantidade aumentou 15,7%”, afirmou. Por outro lado, Brandão destacou que a queda das importações foi consequência “de uma redução tanto no preço quanto nas quantidades”.

Brandão lembrou, ainda, que a alta dos preços recentes de minério de ferro e petróleo ainda não é significativa. “Em março de 2015, por exemplo, o minério de ferro era vendido a U$ 45 a tonelada, enquanto em março de 2016, o preço médio foi de U$ 26. Da mesma forma, o barril do petróleo em março de 2015 era negociado a US$ 47, e em março deste ano estava U$ 25,1. As recentes altas ainda não compensaram a queda”, explicou.

O diretor do Deaex ressaltou que a redução na exportação de básicos foi amenizada pelo início do embarque da soja, com aumento de 49,8% na quantidade exportada. “A safra deste ano começou a entrar mais cedo, o que deve confirmar as estimativas oficiais de que teremos um resultado em 2016 de 56 milhões de toneladas, superando o número de 2015, que foi recorde, de 54 milhões de toneladas”, afirmou.

Exportações

A média diária das exportações em março chegou a US$ 727 milhões, 5,8% abaixo da média verificada em março do ano passado (US$ 771,8 milhões), resultado do embarque de produtos básicos (US$ 7,387 bilhões), manufaturados (US$ 6,170 bilhões) e semimanufaturados (US$ 2,113 bilhões). Na comparação com fevereiro deste ano (US$ 702,5 milhões), a média diária das exportações subiu 3,5%.

As exportações de manufaturados caíram 5,6% em comparação a março de 2015. O desempenho do grupo foi puxado principalmente por laminados planos (-27,6%), motores para veículos e partes (-25,1%), autopeças (-23,8%), motores e geradores elétricos (-19,8%), bombas e compressores (-14,8%), óxidos e hidróxidos de alumínio (-7,4%) e açúcar refinado (-2,7%). Por outro lado, cresceram centrifugadores e aparelhos para filtrar (813,2%), etanol (70,1%), aviões (42,4%), automóveis (30,1%), polímeros plásticos (29,8%), máquinas para terraplanagem (15,9%), pneumáticos (2,6%), veículos de carga (1,3%) e papel e cartão (1%).

No grupo de produtos semimanufaturados – com queda de 14,1% no comparativo a março do ano passado – caíram as vendas principalmente de ferro fundido (-48,1%), couros e peles (-27,2%), semimanufaturados de ferro e aço (-25,1%), açúcar em bruto (-21,4%), ferro-ligas (-20,7%) e celulose (-12,6%). Por outro lado, cresceram as exportações de óleo de soja em bruto (60,4%), catodos de cobre (37,8%), ouro em forma semimanufaturada (28,1) e madeira serrada (18,6%).

As exportações de produtos básicos caíram 1,8%, especialmente devido ao minério de ferro (-44%), petróleo em bruto (-40%), café em grão (-21,9%), farelo de soja (-13,7%) e fumo em folhas (-11,9%). Por outro lado, cresceram as vendas de milho em grão (154,2%), algodão em bruto (38,7%), soja em grão (32,2%), carne suína (30,9%), carne bovina (21,3%), minério de cobre (6,8%) e carne de frango (1,4%).

Durante a coletiva, Herlon Brandão lembrou que houve alta no índice quantum de todas as três categorias: básicos (29,4%), semimanufaturados (3,3%) e manufaturados (7,6%). “Os preços internacionais derrubaram, e por isso a queda no valor exportado”. A queda nos preços, segundo ele, pode ser explicada por diversos fatores, como uma maior oferta de commodities no mundo.

Importações

A média diária das importações em março de 2016 (US$ 525,4 milhões) foi 30% menor que a média diária de março do ano passado (US$ 750,8 milhões). No mês, decresceram as importações de combustíveis e lubrificantes (-40,8%), bens de consumo (-31%), bens intermediários (-28,3%) e bens de capital (-26,8%).

No grupo dos combustíveis e lubrificantes, a retração ocorreu principalmente pela diminuição dos preços de gás natural, carvão, petróleo em bruto e óleos combustíveis.

No segmento bens de consumo, as principais quedas foram observadas nas importações de equipamento de transporte não industrial (motocicletas, bicicletas, barcos e embarcações de recreio; automóveis de passageiros); bens de consumo semiduráveis (confecções, calçados, lâmpadas fluorescentes, brinquedos); bens de consumo duráveis – exceto equipamento de transporte  (fritadeiras eletrotérmicas, cafeteiras, aparelhos de ar condicionado, aparelhos para processar alimentos, gravador-reprodutor, refrigeradores, panelas elétricas); alimentos e bebidas para consumo doméstico básicos e elaborados (bacalhau inteiro e filé, frutas secas, salmão inteiro e filé, peras frescas, azeite de oliva, filé de merluza, carnes desossadas de bovino); e bens de consumo não duráveis (desodorantes corporais, medicamentos, água de colônia).

No segmento de bens intermediários, decresceram as aquisições de insumos industriais básicos (sulfeto de minério de zinco, borracha natural, enxofre, sulfeto de minério de cobre); insumos industriais elaborados (nafta para petroquímica, partes de aparelhos receptores, ureia, catodos de cobre, estireno); peças e acessórios para bens de capital (partes de aparelhos de telefonia, microprocessadores, circuitos integrados, circuitos impressos, circuitos integrados, rotores de turbinas a vapor, memórias digitais); e peças para equipamentos de transporte (caixas de marchas, partes de carroçarias para veículos, partes de motocicletas, motores de explosão para veículos, pneumáticos, partes de turbinas a gás).

Com relação a bens de capital, decresceram os seguintes itens: equipamentos de transporte industrial (veículos automóveis, aviões, litorinas, dumpers para transporte de mercadoria, chassis com motor, helicópteros); e bens de capital  exceto equipamentos de transporte industrial  (máquinas e aparelhos mecânicos, equipamentos terminais e repetidores, conversores elétricos, moldes para moldagem de borracha, máquinas para trabalhar borracha, máquinas para indústria cervejeira).

Trimestre janeiro/março

No acumulado do primeiro trimestre de 2016, as exportações somaram US$ 40,585 bilhões, e as importações, US$ 32,186 bilhões, valores 5,1% e 33,4% menores, respectivamente, que os registrados no mesmo período do ano passado (pela média diária).

A corrente de comércio totalizou US$ 72,771 bilhões, uma queda de 20,1% sobre o mesmo período de 2015 (US$ 91,100 bilhões), pela média diária. No primeiro trimestre, a balança comercial acumula um superávit de US$ 8,398 bilhões, revertendo o déficit registrado em igual período de 2015 (US$ 5,549 bilhões).

Agronegócio

O agronegócio foi responsável por 52,2% de todas as exportações brasileiras no mês de março. O país vendeu ao mercado externo US$ 8,35 bilhões, o que representa uma alta de 5,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Esse valor é recorde para março, desde que começou a série histórica, em 1997.

“Isso mostra a competitividade do nosso setor e a qualidade dos nossos produtos”, disse a secretária de Relações Internacionais do Agronegócio (SRI) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Tatiana Palermo.

Os cinco principais setores exportadores foram o complexo soja (US$ 3,47 bilhões), complexo sucroalcooleiro (US$ 737,29 milhões), produtos florestais (US$ 823,59 milhões), café (US$ 454,82 milhões) e carnes (US$ 1,24 bilhão).

A carne de frango continua no topo da lista do segmento carnes, respondendo por US$ 576,68 milhões das exportações em março. Em seguida, vem a carne bovina com US$ 503,67 milhões, e a carne suína, com US$ 108,30 milhões.

Fonte: Portal Brasil, com informações da Agência Brasil, Ministério da Agricultura e MDIC

Infográfico - Balança Comercial - Março

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