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Economia e Emprego

Balança comercial tem superávit de US$ 28,2 bi em sete meses

Desempenho histórico

Acumulado foi recorde para o período; arrecadação com as exportações foi puxada pela alta nos preços de commodities
por Portal Brasil publicado: 02/08/2016 12h40 última modificação: 04/10/2016 11h51
Tânia Rêgo/Agência Brasil Número é resultado da diferença entre exportações, que foram de US$ 106,583 bilhões no período, e importações, que atingiram US$ 78,353 bilhões

Número é resultado da diferença entre exportações, que foram de US$ 106,583 bilhões no período, e importações, que atingiram US$ 78,353 bilhões

Entre janeiro e julho deste ano, o saldo da balança comercial acumulou um superávit de US$ 28,230 bilhões. O valor é o maior já registrado em toda a série histórica para os primeiros sete meses do ano. O recorde anterior foi registrado em 2006, com um montante de US$ 25 bilhões, segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic).

O número foi resultado da diferença entre exportações, que foram de US$ 106,583 bilhões no período, e importações, as quais atingiram US$ 78,353 bilhões. Para o diretor de Estatística e Apoio à Exportação do Mdic, Herlon Brandão, a conjuntura que permitiu o superávit atual é diferente da que havia então.

“O saldo comercial recorde de 2016 é fruto de uma redução da exportação de cerca de 5,6% e redução da importação de 27,6% [no acumulado do ano]. As quedas têm motivos distintos. A importação está extremamente ligada à produção nacional. Importamos principalmente insumos. Já a queda da exportação está ligada à redução [dos preços] das commodities, embora o Brasil seja muito competitivo e continue aumentado as quantidades embarcadas”, explicou Brandão.

Acumulado do ano

No acumulado de janeiro a julho deste ano, cresceram as vendas de semimanufaturados (0,2%) e de produtos básicos, como milho em grão (82,6%); algodão em bruto (33,8%); carne suína (5,8%); soja em grão (3,8%) e carne bovina (1,5%).

No grupo dos manufaturados, houve elevação das vendas de plataforma para extração de petróleo (136,7%); tubos flexíveis de ferro e aço (70,6%); etanol (58,8%); e automóveis de passageiros (29,2%).

Entre os principais compradores no acumulado do ano foram: China (US$ 24,5 bilhões), Estados Unidos (US$ 12,6 bilhões), Argentina (US$ 7,6 bilhões), Países Baixos (US$ 6,4 bilhões) e Alemanha (US$ 2,7 bilhões).

Em relação às importações, no acumulado janeiro-julho de 2016, quando comparado com igual período anterior, houve queda em combustíveis e lubrificantes (-47,7%); bens de consumo (-27,9%); bens intermediários (-24,9%); e bens de capital (-20,2%).

Brandão atribuiu o bom desempenho da balança este ano também à alta do dólar. Ele destacou que, mesmo com o recente recuo da moeda norte-americana, a estimativa do governo de superávit comercial para o ano não será afetada. 

Avaliação mensal

No mês de julho, as exportações superaram as importações em US$ 4,578 bilhões, valor 91,8% superior ao alcançado no mesmo período de 2015 (US$ 2,387 bilhões). De acordo com Brandão, este foi o terceiro maior saldo registrado para meses de julho. Em 2006, o superávit foi de US$ 5,7 bilhões, e em 2005, de US$ 5 bilhões.

A corrente de comércio alcançou valor de US$ 28,083 bilhões, com diminuição de 11,3%, pela média diária, em relação a julho de 2015. Brandão destacou que, neste ano, o mês de julho teve dois dias úteis a menos que julho do ano passado, o que influenciou os resultados da balança comercial.

Exportações

Em julho, esse superávit foi alcançado por conta dos US$ 16,331 bilhões arrecadados em exportações e US$ 11,752 bilhões em importações.

Entre os produtos, houve uma elevação na venda de semimanufaturados (10,1%) e manufaturados (7,3%), que registraram em valores absolutos US$ 2,399 bilhões e US$ 6,563 bilhões, respectivamente.

A soja, que é um produto básico, foi um dos produtos que teve melhor desempenho: chegou a US$ 419/ton, o que corresponde a um crescimento de 9,7%, em comparação com o valor de julho de 2015. Foi o primeiro aumento de preço da soja exportada desde abril de 2013.

Segundo Herlon Brandão, a queda dos preços das commodities está desacelerando e, em julho, houve inversão do movimento para duas, a soja e o açúcar bruto, cujo preço subiu. “Ainda é incipiente, mas já são boas notícias”, afirmou. Por outro lado, os volumes embarcados pelo Brasil, que vinham batendo recordes, também começam a crescer menos.

Também houve aumentos de preços de produtos como açúcar em bruto (US$ 52/ton) e petróleo em bruto (US$ 41,2/barril) para o mercado externo.

Entre os semimanufaturados, na comparação com julho do ano passado, aumentaram as vendas principalmente de açúcar em bruto (58,4%); ouro em forma semimanufaturada (41,3%); ferro fundido (28,2%); ferro-ligas (+4,8%); e madeira serrada (13,3%).

Nos manufaturados, em relação ao mesmo período de 2015, cresceram as vendas de plataforma para extração de petróleo (de zero para US$ 923 milhões); tubos flexíveis de ferro e aço (160,9%); açúcar refinado (66,9%); máquinas para terraplanagem (23,3%); etanol (15,2%); pneumáticos (13,1%); torneiras e válvulas (11,4%); veículos de carga (9,5%); automóveis de passageiros (3,5%); e motores para veículos (3%).

Mercado

Em relação aos mercados compradores, aumentaram as vendas para Oceania (52,3%) e União Europeia (13,8%). Contudo, entre os cinco principais importadores de produtos brasileiros em julho de 2016 estão: China (US$ 3,535 bilhões); Estados Unidos (US$ 1,898 bilhão); Países Baixos (US$ 1,709 bilhão); Argentina (US$ 1,024 bilhão); e Alemanha (US$ 394 milhões).

Importações

Em julho, o País conseguiu reduzir a compra de produtos estrangeiros, sobretudo de combustíveis e lubrificantes (-40,7%), bens de consumo (-29,8%), bens de capital (-21,2%) e bens intermediários (-13,5%). Com a queda nos preços de petróleo em bruto, óleos combustíveis, gás natural, querosene de aviação, coques de hulha, óleos lubrificantes e energia elétrica, os gastos foram reduzidos.

No segmento de bens de consumo, as principais quedas foram observadas nas importações dos bens de consumo duráveis (automóveis de passageiros, espingardas e carabinas para caça, motocicletas, aparelhos de TV em cores, cafeteiras domésticas, barcos a motor).

Entre os bens de consumo semiduráveis e não duráveis (carnes desossadas de bovino, pedaços e miudezas de frango, carne de frango, frações de sangue para medicamentos, fungicidas, entre outros) também houve menos gastos.

Também caíram as aquisições de peças e acessórios para bens de capital (placas de microprocessamento, partes de motores e geradores, circuitos integrados, cambotas, circuitos impressos); insumos industriais básicos (minério de ferro, minério de cobre, sulfetos de minério de cobre, enxofre, minério de níquel, sulfetos de minério de zinco) e insumos industriais elaborados (celulose, cloretos de potássio, semimanufaturados de ferro e aço, farelo de soja, inseticidas, partes para aparelhos receptores de radiodifusão).

No entanto, cresceram as importações de: equipamentos de transporte industrial (aviões, veículos automóveis, dumpers para transporte de mercadoria, chassis com motor, tratores rodoviários); e de bens de capital, exceto equipamentos de transporte industrial (secadores para madeiras, estruturas flutuantes, máquinas elétricas com função própria, máquinas para esmagar substâncias minerais).

Fonte: Portal Brasil, com informações da Agência Brasil e do Ministério da Indústria e Comércio Exterior

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