Infraestrutura

Energia solar já é economicamente viável para 15% dos lares brasileiros, diz EPE

publicado: 03/07/2012 19h59, última modificação: 23/12/2017 00h01

 

Custo da geração nas residências é mais barato do que a energia vendida por dez distribuidoras no País

 

Um estudo divulgado na terça-feira (3) pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia, mostra que a produção residencial de energia solar, também chamada de geração distribuída, já é economicamente viável para 15% dos domicílios brasileiros. A produção de energia solar em grande escala, geração centralizada, no entanto, ainda é inviável, mesmo com incentivos governamentais.

De acordo com a pesquisa, o custo da geração nas residências brasileiras, a partir de um equipamento de pequena potência, é R$ 602 por megawatt-hora (MWh), mais barato do que a energia vendida por dez das mais de 60 distribuidoras de energia para os consumidores. O cálculo é feito com base no custo médio de instalação de um painel com a menor potência, R$ 38 mil.

Graças a novas resoluções da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), publicadas neste ano, os consumidores que instalem painéis solares em suas casas ou condomínios podem não apenas reduzir a quantidade de energia comprada das distribuidoras, como também vender o excedente da energia produzida para essas empresas.

Segundo o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, a energia solar pode se tornar competitiva para 98% dos consumidores, se o governo criar incentivos como o financiamento à compra dos painéis e conversores fotovoltaicos (equipamentos que transformam a luz do sol em energia elétrica), a isenção fiscal para a produção desses equipamentos no País e a redução do Imposto de Renda para os consumidores.

Larga escala
Por outro lado, o estudo mostra que a geração centralizada, isto é, produzida em larga escala por usinas comerciais, ainda não é viável economicamente, mesmo com incentivos, como a redução de impostos, que barateiem em 28% o preço de produção. Hoje, o custo gira em torno de R$ 405 por MWh, enquanto a média do preço de outras fontes de energia, nos últimos leilões do governo, foi R$ 150 por MWh.

Tolmasquim sugeriu que o país crie um leilão específico para esse tipo de energia, para que não haja disputa com fontes mais baratas, como a eólica, e para criar um mercado que estimula a produção de tecnologia e redução do custo. Há hoje no país apenas oito empreendimentos, que produzem apenas 1,5 megawatt (MW) de um total de 118 mil MW do Brasil.

 

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Fonte:

Agência Brasil