Meio Ambiente

Fernando de Noronha

Aberta temporada reprodutiva das tartarugas-verdes

Acasalamento acontece dentro d'água. Geralmente vários machos disputam a oportunidade de passar seus genes para frente
publicado: 12/01/2015 11h12, última modificação: 23/12/2017 11h12
Aberta a temporada reprodutiva das tartarugas-verdes

Estudo que acontece na ilha vai contribuir para entender a biologia dos machos, pois estes não saem da água como as fêmeas, que necessitam subir às praias para desovar - Foto: Divulgação/Tamar

Fernando de Noronha (PE), a esmeralda do Atlântico, um dos destinos mais desejados no Brasil e no mundo, não atrai apenas os turistas. É berço para uma das criaturas mais pré-históricas do planeta, as tartarugas-verdes (Chelonia mydas).

Enquanto ao longo da costa brasileira as desovas das tartarugas já estão a todo vapor, onde a temporada reprodutiva se estende de setembro a março, nas ilhas oceânicas elas ocorrem de dezembro a maio, e estão apenas começando.

As tartarugas-verdes desovam quase que exclusivamente nas ilhas oceânicas, de Trindade no Espirito Santo, Atol das Rocas no Rio Grande do Norte e Fernando de Noronha em Pernambuco.

Estas exímias navegadoras de vida secular podem se dispersar pelos oceanos, mas voltam sempre para a segurança das areias onde nasceram, porto seguro que garante a sobrevivência de seus descendentes. E mais uma vez o espetáculo da natureza se repete: tartarugas-verdes adultas começam a ser avistadas no arquipélago de Fernando de Noronha.

Acasalamento

O acasalamento das tartarugas no entorno do arquipélago tem chamado atenção de turistas, moradores e mergulhadores, que desde o início de dezembro têm comunicado ao Projeto Tamar o testemunho desse momento íntimo.

O namoro das tartarugas acontece dentro d'água, geralmente com vários machos disputando a oportunidade de passar seus genes para frente.

No dia 23 de dezembro, os pesquisadores do Tamar capturaram para marcação o primeiro macho de tartaruga-verde da temporada 2014/2015, nas águas da praia do Leão, em Fernando de Noronha.

O animal foi capturado a dez metros de profundidade e foram necessários três mergulhadores em apnéia para contê-lo e trazer até a superfície. Com 109 cm de comprimento de casco, pode ser considerado um animal grande, já que os machos são geralmente menores que as fêmeas, explica o biólogo coordenador do Tamar em Pernambuco e Rio Grande do Norte, Armando J.B. Santos.

As fêmeas voltam para desovar a cada três anos, mas os machos parecem voltar a cada ano, já que os custos energéticos para a reprodução são bem menores. O estudo que acontece nas águas da ilha vai contribuir para entender um pouco mais sobre a biologia dos machos, pois estes não saem da água como as fêmeas, que necessitam subir às praias para desovar.

As cinco desovas registradas até o momento em Noronha são o prelúdio de uma temporada bastante movimentada, já que a média em dezembro para as últimas quatro temporadas foi de dois ninhos.

Fernando de Noronha

O Arquipélago de Fernando de Noronha é formado por 21 ilhas, numa extensão de 26 km², tendo uma principal - a maior de todas também chamada "Fernando de Noronha" -, como única ilha habitada.

Demais ilhas estão contidas na área do Parque Nacional Marinho e são desabitadas, só podendo ser visitadas com licença oficial do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

São 17 quilômetros quadrados à 545 km da costa pernambucana, onde vive uma população de apenas 3.500 habitantes e o turismo é desenvolvido de forma sustentável, criando a oportunidade do encontro equilibrado do homem com a natureza em um dos santuários ecológicos mais importantes do mundo.

Ir até Noronha requer no mínimo 5 dias, para usufruir dos inúmeros atrativos naturais e vivenciar um pouco da história da colonização.

São inúmeras as opções de atividades e passeios, que atendem a todos os públicos e oferecem ao visitante a chance de ver todas as belezas naturais das ilhas.

Pesquisa e conservação

O Tamar iniciou suas atividades de pesquisa e conservação no arquipélago em 1984. O Centro de Visitantes de Fernando de Noronha foi inaugurado em 1996.

Desde a concepção do projeto arquitetônico, o Tamar buscou alternativas ecologicamente corretas nas instalações físicas: madeira certificada, de reflorestamento; reciclagem de containers marítimos; estruturas instaladas sobre pilotis removíveis, para não impermeabilizar o solo.

Não foram utilizados recursos naturais não renováveis da ilha, como areia e pedra – uma preocupação fundamental nas obras civis realizadas em ilhas oceânicas, onde o solo é muito facilmente erodido.

Fontes:
Projeto Tamar
Governo de Pernambuco

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