Saúde

Butantan pesquisa veneno da cascavel para tratamento contra o câncer

publicado: 05/11/2012 15h31, última modificação: 23/12/2017 11h09
Fiocruz

Fiocruz e Butantan são destaques em pesquisa e produção de vacinas - Foto: Peter Ilicciev/Fiocruz Multimagens

A toxina atrasou o desenvolvimento do tumor e até inibiu seu crescimento 

Uma toxina contida no veneno da cascavel mostrou-se eficaz no tratamento de células cancerígenas durante uma pesquisa feita no Instituto Butantan em São Paulo. A pesquisa inédita utilizou a crotamina e foi feita em camundongos com câncer de pele aumentando a sobrevida no animal em 70%. 

De acordo com a geneticista e coordenadora do projeto, Irina Kerkis, a pesquisa, feita desde 2004, constatou que, comparada a outras drogas, a crotamina mostra-se muito vantajosa porque não apresenta os mesmos efeitos colaterais. “A crotamina é solúvel em diferentes solventes e não produz reação alérgica ou interfere na imunidade”, disse.

A crotamina não afeta as células normais, mas mata as cancerígenas. “Outro benefício é que ela marca as células cancerosas, por isso pode ser utilizada para descobrir quais as células afetadas”.

De acordo com a pesquisadora, a substância já foi patenteada no Brasil. Primeiro foi feito o estudo em culturas e depois a droga passará a ser administrada em seres humanos. “A droga pode ser injetada e permanece 24 horas na célula, motivo pelo qual facilita o tratamento para o paciente”. Uma outra forma de administrar o medicamento é o implante subcutâneo, no qual doses diárias são liberadas no organismo.

Antes de ser testada em seres humanos, os pesquisadores estão trabalhando para obter a crotamina na forma sintética. “A partir daí, podemos começar os testes clínicos se todos os resultados forem positivos. Podemos ter medicamento para melanoma ou outros tipos de câncer em até cinco anos”. Kirks ressaltou que a utilização da crotamina depende de um processo altamente burocrático, mas que existe no mundo inteiro.

Butantan

O Instituto Butantan, órgão do governo estadual de São Paulo, é responsável por mais de 93% do total de soros e vacinas produzidas no Brasil, entre elas, as vacinas contra a gripe A e hepatite B. O instituto desenvolve estudos e pesquisas na área de biologia e biomedicina.

 

Fonte:

Agência Brasil
Portal Brasil