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Mitos e verdades sobre amamentação

É normal sentir dor na amamentação? O que a mãe deve comer enquanto estiver amamentando? Quando parar de amamentar o bebê? Tire suas dúvidas!
publicado: 07/08/2018 11h47, última modificação: 07/08/2018 15h27

O mês de agosto foi instituído como o Mês do Aleitamento Materno (Agosto Dourado) por meio da sanção da Lei nº 13.435, de 12 de abril de 2017. O objetivo é intensificar ações intersetoriais de conscientização e esclarecimento sobre a importância do aleitamento materno e mobilizar a sociedade em prol da amamentação no País.

O leite materno é um alimento completo: além de suprir toda a necessidade calórica, nutricional e metabólica do bebê, ele permite criar um vínculo com a mãe e gera sensação de conforto para a criança. Antes dos seis meses de idade, a amamentação fornece todos os nutrientes que o recém-nascido necessita. Ou seja, não é preciso complementar a alimentação com chás, leites artificiais ou mesmo água.

Além disso, a amamentação também fortalece o sistema imunológico da criança. “O leite materno tem muitos anticorpos, essenciais para que a criança sobreviva fora do útero. É a primeira vacina da criança”, afirma a pediatra Vanessa Macedo.

Muitos mitos e dúvidas preocupam mães acerca do aleitamento. Vamos esclarecer os principais pontos:

      

A amamentação tem benefícios por toda a vida do bebê

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A gastropediatra Vanessa Macedo explica que pesquisas recentes mostram que bebês bem amamentados têm menos chances de desenvolver doenças como diabetes, obesidade e hipertensão durante a vida inteira. Os benefícios imediatos, além do fortalecimento do sistema imunológico, são menos ocorrências de diarreias, pneumonias e infecções respiratórias.

A amamentação pode fazer mal à mãe

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Vanessa explica que os benefícios para a mãe são inúmeros: o aleitamento ajuda a mulher a perder peso mais rápido após o parto, pelo gasto metabólico; e diminui o sangramento intrauterino no pós-parto, porque contrai o útero e libera ocitocina. “Estudos mostram que a amamentação reduz o índice de câncer de mama e outros tipos de câncer”, afirma a pediatra.

A produção de leite causa dor para a mulher

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A “descida do leite”, isto é, a apojadura, ocorre alguns dias após o parto, quando as glândulas mamárias aumentam de tamanho e começam a produzir uma quantidade maior de leite. Pode ocorrer um inchaço no seio e o vazamento do leite, além de um desconforto físico, mas, segundo a especialista, se a mãe tiver sido corretamente orientada antes, a pega correta (relação da boca do bebê com a mama da mãe) e uma massagem no seio são suficientes para garantir que não haja maiores dificuldades. “A mãe não deve sentir dor na apojadura. Para isso, é preciso que haja mamadas frequentes, assim como o esvaziamento adequado da mama e um pouco de massagem no seio”, explica.

O leite nos primeiros dias após o parto é mais fraco

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“A gente chama a apojadura de ‘descida do leite’, mas o leite na verdade está presente desde o primeiro dia de vida do bebê. Mesmo que em um volume mais baixo, o que chamamos de colostro, é tudo o que o bebê precisa. Só depois a produção será maior”, esclarece Vanessa Macedo.

É importante que o bebê seja amamentado na primeira hora de vida

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Se o bebê estiver em condições saudáveis, esse contato com a mãe deve ser feito o mais rápido o possível, não importa a via de parto. A sucção do leite do peito é instintiva, e esse instinto deve ser incentivado o quanto antes. “Um bebê que demora seis horas para ter contato com o peito da mãe vai ter um pouco mais de dificuldade para despertar esse instinto”, afirma a pediatra.

É normal sentir dor na amamentação

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Se a mulher sente dor ao amamentar, deve observar se a pega está correta. Mamadas com o bebê ou a mãe posicionados de forma errada podem ser motivo de desmame precoce. De acordo com a gastropediatra, “a melhor posição é aquela em que a mãe e o bebê se sentem mais confortáveis”.

Existem várias posições para amamentar

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Pode ser com o bebê sentado ou com a mãe deitada, por exemplo, desde que ele tenha uma pega adequada. Qualquer que seja a escolha no momento, o corpo da criança deve estar completamente virado para o corpo da mãe, e ele deve estar com a boca bem acoplada na aréola, que é a parte ao redor do mamilo.

Se o mamilo for pequeno, o bebê terá dificuldades para mamar

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O tamanho do mamilo não interfere na amamentação, porque o bebê faz a sucção pela aréola, a parte amarronzada ao redor. Menor ou mais protuso, o importante é que a ponta do mamilo esteja no céu da boca do bebê, para que ele consiga fazer a extração do leite. De qualquer forma, é bom a mãe sustentar um pouco a mama apenas para direcionar a mamada.

Estresse e cansaço podem prejudicar a amamentação

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O bem-estar materno é fundamental para a produção de leite. Dor, estresse e outros fatores podem ser prejudiciais. É preciso um ambiente e atividades que diminuem o cortisol e promovem sensação de bem-estar, o que aumenta os níveis de prolactina e ocitocina. Por isso, é importante que as mães contem com uma rede de apoio que começa dentro de casa, seja com o cônjuge ou outros familiares. “É fundamental ter alguém para lavar uma louça, trocar uma fralda, levantar à noite e levar o bebê até a mãe se ele chorar”, explica Vanessa. Essa necessidade de apoio se estende à sociedade e instituições. “É importante que as pessoas não critiquem mães que amamentam em público. Quando ela voltar a trabalhar após a licença-maternidade, ela deve contar com um ambiente para fazer a ordenha do leite para que ela não precise fazer o desmame apenas porque voltou a trabalhar.”

Se o leite for fraco o bebê não ganha peso

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Não existe leite fraco, e toda mãe é capaz de amamentar o filho. O que pode ocorrer é uma amamentação feita de forma errada. Se o bebê mama pouco e dorme logo, sem estar satisfeito, por exemplo, ou dormir a noite inteira e não mamar frequentemente, isso pode atrapalhar a produção de leite. “Mesmo se a mãe estiver desnutrida, o leite materno ainda terá tudo o que o bebê precisa: glicose, carboidratos, calorias, açúcar e proteínas.”, garante Vanessa Macedo.

É preciso ter disciplina com os horários da amamentação

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A amamentação não deve ter horários rígidos. O ideal é amamentar de acordo com a procura do bebê. Se a mãe estabelece horários rigorosos, enfraquece o instinto do bebê de saber quando ele tem fome ou sede, e isso atrapalha a produção de leite, assim como mamadas curtas. “A livre demanda faz muita diferença ao longo de toda a amamentação”, afirma a pediatra.

Mulheres que amamentam precisam seguir uma dieta restrita

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Alimentação da mãe deve ser equilibrada e variada, e é importante não ter tantas restrições. Não existem alimentos que aumentam ou diminuem a produção de leite. “O que a gente orienta é uma alimentação mais calórica, de pelo menos 500 calorias a mais por dia, com alimentos saudáveis”, orienta Vanessa.

Qualquer mulher pode doar leite

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Mesmo que a mulher não produza quantidades abundantes de leite, se ela extrair para doar, não vai faltar para alimentar o filho. Quanto mais se estimula as glândulas, mais elas vão produzir, e grande parte da produção acontece no momento da mamada. Quanto mais for tirado, mais será produzido.

Não existe idade limite para amamentar o bebê

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A recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) é que o bebê seja alimentado exclusivamente com leite materno nos primeiros seis meses e que, depois disso, a amamentação continue até pelo menos os dois anos de idade, mas pode passar disso. A criança deve mamar até quando ela e a mãe quiserem e se sentirem confortáveis, segundo Vanessa Macedo. “Enquanto for bom para os dois, a mãe pode amamentar. O momento do desmame é decidido entre os dois. Se ela se sente bem e se isso traz bem-estar aos dois, ela pode amamentar até que o desmame seja natural e que o bebê se torne mais independente.”

As fórmulas industrializadas não são tão nutritivas quanto o leite materno

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O leite artificial não tem mais componentes ou calorias que o leite materno - além da parte imunológica, que nenhuma fórmula tem. Outro grande benefício da amamentação é a praticidade: o leite materno está disponível em qualquer lugar, a qualquer hora e é gratuito.

Se o bebê não engorda, é melhor usar fórmulas industrializadas

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Às vezes, mães se preocupam com o ganho de peso lento do bebê, mas isso pode ser perfeitamente saudável, explica a pediatra Vanessa Macedo. “Ele não tem que atingir nenhuma média, mas seguir na própria curva de crescimento.” Não é só o peso que indica se o leite está sendo suficiente. É importante observar outros sinais que dizem se o bebê está bem alimentado, como: se ele sai do peito tranquilo, relaxado e dorme entre duas e três horas; e se ele faz xixi a cada três ou quatro horas.

Chupeta e mamadeira atrapalham a amamentação

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A sucção da mamada fortalece toda a musculatura do bebê, o que ajuda na respiração ou mesmo anos depois, quando ele aprende a falar. Chupeta e mamadeira não estimulam essa sucção e podem atrapalhar a amamentação, pois causam o que especialistas chamam de confusão de bicos: com os objetos, a criança aprende o movimento mastigatório e repete isso no peito, o que impede a saída do leite.

Fonte: Governo do Brasil