Educação
Congresso de Leitura do Brasil homenageia Guimarães Rosa
Evento
O 19º Congresso de Leitura do Brasil (Cole), acontecerá no Centro de Convenções da Unicamp, em Campinas (SP), entre os dias 22 a 25 de julho. O tema desta edição irá abordar "leitura sem margens", cujo objetivo é dar voz aos dizeres que habitam terceiras margens, sejam elas palavras, sopros, sussurros e sibilos.
A temática desta edição também faz referência aos neologismos (criação de novas palavras) presentes no conto 'A terceira margem do rio', de Guimarães Rosa e replicada por Caetano Veloso e Milton Nascimento em suas canções.
Inscrições
Caso ainda existam vagas disponíveis, as inscrições poderão ser efetuadas pessoalmente na secretaria do evento. Sócios da Associação de Leitura do Brasil (ABL), que desejam se inscrever pessoalmente na categoria ouvinte estão isentos do pagamento da taxa de inscrição. Não-sócios devem pagar uma taxa de R$ 195 reais com direito a inscrição em um minicurso.
Programação
A programação é bem diversificada e tem início na Praça Rui Barbosa, em Campinas (SP), onde acontecerá a abertura do evento com intervenções literárias e cênicas.
Outro destaque é a conversa com o autor Laerte Coutinho, no dia 22 de julho. O espaço contará ainda com a presença das interlocutoras, Ana Lúcia Goulart de Faria, Reny Scifoni Schifino e Marta Regina Paulo da Silva, pesquisadoras do Grupo de Estudos e Pesquisa em Diferenciação Sociocultural (Gepedisc), no Ginásio Multidisciplinar da Unicamp.
No dia 24 de julho, na Casa do Lago, haverá o 'Ciclo de Cinema Eduardo Coutinho'. Em seguida, Giovana Scareli, da Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ), irá debater com o público o filme apresentado.
Confira abaixo um trecho do conto "Terceira Margem do Rio", tema desta edição do Congresso, retirado do livro 'Primeiras histórias', de 1988, de Guimarães Rosa:
"Sou homem de tristes palavras. De que era que eu tinha tanta, tanta culpa? Se o meu pai, sempre fazendo ausência: e o rio-rio-rio, o rio — pondo perpétuo. Eu sofria já o começo de velhice — esta vida era só o demoramento. Eu mesmo tinha achaques, ânsias, cá de baixo, cansaços, perrenguice de reumatismo. E ele? Por quê? Devia de padecer demais. De tão idoso, não ia, mais dia menos dia, fraquejar do vigor, deixar que a canoa emborcasse, ou que bubuiasse sem pulso, na levada do rio, para se despenhar horas abaixo, em tororoma e no tombo da cachoeira, brava, com o fervimento e morte. Apertava o coração. Ele estava lá, sem a minha tranquilidade. Sou o culpado do que nem sei, de dor em aberto, no meu foro. Soubesse — se as coisas fossem outras. E fui tomando idéia.
Sem fazer véspera. Sou doido? Não. Na nossa casa, a palavra doido não se falava, nunca mais se falou, os anos todos, não se condenava ninguém de doido. Ninguém é doido. Ou, então, todos. Só fiz, que fui lá. Com um lenço, para o aceno ser mais. Eu estava muito no meu sentido. Esperei. Ao por fim, ele apareceu, aí e lá, o vulto. Estava ali, sentado à popa. Estava ali, de grito. Chamei, umas quantas vezes. E falei, o que me urgia, jurado e declarado, tive que reforçar a voz: — "Pai, o senhor está velho, já fez o seu tanto... Agora, o senhor vem, não carece mais... O senhor vem, e eu, agora mesmo, quando que seja, a ambas vontades, eu tomo o seu lugar, do senhor, na canoa!..." E, assim dizendo, meu coração bateu no compasso do mais certo."
Fonte:
Portal Brasil com informações do Portal do Professor e Portal do 19ª Congresso de Leitura do Brasil
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