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Educação

Olimpíada melhora desempenho de estudantes de matemática

Competição estudantil

Alunos que frequentam aulas preparatórias para a Obmep obtêm melhores notas no Enem, mostra estudo
por Portal Brasil publicado: 01/09/2014 10h32 última modificação: 01/09/2014 10h32

Estudo encomendado pelo Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa) à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), obtido com exclusividade pela Agência Brasil, mostra que alunos que frequentam aulas preparatórias para a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) tiram, em média, 16 pontos a mais na prova de matemática do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

“O impacto do preparo no desempenho não é apenas do medalhista, mas de toda a escola”, explica o diretor adjunto do Impa e coordenador-geral da Obmep, Claudio Landim.

“A prova da olimpíada é concebida de forma que se possa responder às perguntas sem conhecimento formal. É exigido raciocínio lógico e criatividade”, detalha, apontando esses requisitos como importantes para um bom desempenho também em outras avaliações.

No ensino fundamental, o impacto do preparo para a Obmep é ainda maior. Segundo o estudo, os alunos obtiveram, em média, 15,34 pontos a mais na Prova Brasil de matemática do 9° ano. Isso quer dizer que esses estudantes estão quase um ano mais avançados na disciplina que os das demais escolas, uma vez que um ano de aprendizado equivale a cerca de 18 pontos na prova.

Dados

Na avaliação da Prova Brasil, foram analisados dados de 5.681.424 alunos do 9º ano do ensino fundamental de 35 mil escolas públicas, entre os anos de 2005 e 2011. Na avaliação do Enem, foram 3.374.468 alunos de 68.604 escolas públicas. Os dados são de 2010 a 2012.

O Centro de Ensino Médio 9, de Ceilândia, no Distrito Federal, desenvolve o projeto Matemática Todo Dia desde 2007. No ano passado, a escola teve 45 alunos classificados e 25 premiados na segunda fase da Obmep. “Passamos a aprovar um número substancial de alunos na Universidade de Brasília e em outras instituições. Com a formação, o aluno passou a estabelecer não uma relação com a matéria, mas uma relação mais ampla com o conhecimento”, diz o diretor da escola, José Gadelha Loureiro.

O projeto é desenvolvido uma vez por semana, a partir das 19h, e tem duração de três horas. Dos mil alunos, 200 participam das aulas. “O professor é uma liderança para motivar, se o professor não motiva, nada ocorre”, diz Loureiro. A escola estimula também que os pais participem e incentivem os filhos.

Competição estudantil

Desde a primeira edição, em 2005, a Obmep consolidou-se como política pública na área de educação matemática. Em 2013, foram 18,8 milhões de inscritos em 99,89% dos municípios brasileiros.

“A Obmep serve para despertar o interesse dos alunos. Muitos não achavam que podiam seguir na matemática. Na olimpíada encontram outros alunos que têm o mesmo interesse”, diz Landim.

Segundo ele, a olimpíada serve também para descobrir talentos escondidos nas mais diversas cidades e dos mais diversos níveis socioeconômicos. O incentivo àqueles que se destacam vai além da medalha. Os alunos são preparados para participar de competições internacionais e podem receber bolsas de iniciação científica em programa desenvolvido em parceria com o Impa.

O estudante Felipe Vieira da Costa é um desses talentos. Ele é de Sítio do Mato (BA), cidade com 12 mil habitantes que fica a cerca de 700 quilômetros de Salvador. Com 15 anos e cursando o 1º ano do ensino médio na Escola Estadual Nossa Senhora do Rosário, ele tem no currículo três medalhas de ouro e uma de bronze na Obmep, da qual participa desde o 6º ano. O gosto pelas exatas veio das aulas.

“Sempre buscava aprender mais e achava que matemática era um bicho de sete cabeças que eu poderia domar”, brinca. “Tive professores que às vezes deixavam de dar as aulas [previstas no currículo] para dar assuntos diferentes”, acrescenta. Agora, medalhista, ele ajuda os outros estudantes. “Alguns alunos buscam ajuda quando passam para a segunda fase da Obmep. Eu empresto livros, falo o que sei sobre o assunto.”

Sobre o Impa

Ampliar as possibilidades de ensino da matemática na educação básica é um dos desafios atuais do Impa, com sede no Rio de Janeiro. Além da tradição de formar novos pesquisadores e realizar pesquisas de alto nível, a instituição também é responsável por disseminar o ensino da disciplina no País.

O Impa conta com corpo docente dividido por 49 professores-pesquisadores, nos quais 18 são estrangeiros. Em 2009, a produção de artigos científicos chegou à média de 2,53 por pesquisador. Em média, 300 pesquisadores de diferentes países visitam a instituição anualmente.

Segundo dados divulgados na American Mathematical Society, o Instituto apresentou níveis de publicação acadêmicas surpreendentes. Em 2012, alcançou a marca de 76 artigos publicados em revistas científicas de alto nível e superou a Universidade de Harvard com 22 publicações na área. Em 2013, 89 artigos foram publicados em revistas de circulação internacional, contabilizando 155 publicações totais. 

Atualmente, o Instituto conta com 44 alunos de mestrado, 102 no doutorado e 60 no pós-doutorado. Entre eles, cerca de 50% dos alunos são estrangeiros, sendo a maioria provenientes de outros países da América Latina.

Competições OBM e OBMEP estimulam o ensino de matemática entre estudantes brasileiros

Fonte:
Portal Brasil com informações da Empresa Brasil de Comunicação 

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