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Capes lamenta morte de Leopoldo de Meis

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Professor emérito da UFRJ foi um dos homenageados no prêmio Anísio Teixeira pelo trabalho no projeto Ensinando Ciência com Arte
por Portal Brasil publicado: 08/12/2014 15h21 última modificação: 08/12/2014 15h21

 A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) anuncia com pesar o falecimento do professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Leopoldo de Meis.

O professor foi um dos fundadores do Instituto de Bioquímica Médica (IBqM) da Universidade, que recebe seu nome em homenagem.

Em nota oficial, o Instituto destacou a atuação social do professor Leopoldo: "Sua trajetória de excelência acadêmica e sua dedicação à extensão universitária como forma de atenuação da miséria social e identificação de novos talentos para a educação, ciência, tecnologia e inovação serão para sempre perpetuadas através de sua obra maior, o IBqM, e de seus seguidores". 

Em 2006, o professor foi um dos homenageados pelo prêmio Anísio Teixeira pelo trabalho no projeto Ensinando Ciência com Arte, em que criou uma série de DVDs para tornar o ensino de bioquímica mais atraente.

O material foi distribuído gratuitamente nas escolas públicas da periferia do Rio de Janeiro.

O velório acontece nesta segunda-feira (8) no Memorial do Carmo – Capela 1, de 11 às 17 h. O Memorial do Carmo fica na Rua Monsenhor Manuel Gomes, 287, esquina da Av. Brasil com os Cemitérios do Caju no Rio de Janeiro.

A cerimônia de cremação será no dia seguinte, mas está reservada apenas para os familiares do professor de Meis.

Novos Talentos

Leopoldo de Meis foi responsável pela criação Rede Nacional de Educação e Ciência: Novos Talentos da Rede Pública, um projeto que hoje envolve 28 grupos de pesquisa em 18 centros de pesquisa e universidades públicas e conta com o apoio da Capes e da Financiadora de Estudos e Projeto (Finep).

Criada em 1985, a rede tem por objetivo inserir estudantes do ensino básico na vivência das universidades brasileiras, mudando os rumos da educação científica. O professor de Meis foi responsável por idealizar a convergência entre arte e ciência para tornar o ensino científico mais prazeroso e atrativo.

O primeiro curso experimental de curta duração contou com a participação de 35 alunos. A partir de então esse tipo de curso passou a ser oferecido regularmente nas férias de janeiro e julho pela equipe do professor de Meis.

Três anos mais tarde, foram selecionados os dois primeiros estagiários do programa. Em 1994, os cursos foram expandidos também a professores da rede pública e, em 1995, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) se tornou a primeira parceira da UFRJ no programa.

Em 1997, sob a coordenação do professor Paulo Arruda, a Unicamp passou a oferecer os cursos também em Campinas. Naquele ano, 413 alunos e 203 professores participaram das atividades do programa.

O sucesso dessa empreitada levou a Fundação Vitae a financiar o projeto visando uma ampliação do mesmo por meio de outros grupos. Gradualmente novos grupos foram sendo anexados e, a partir de 2005, com o apoio da Finep e da Capes iniciou-se um esforço para multiplicar a rede e várias outras universidades passaram a integrá-la.

Histórico

Filho de Ezio, um violoncelista italiano, e de Maria de Meis, Leopoldo de Meis nasceu em uma colônia italiana em Suez, no Egito, mas passou a infância em Nápoles, na Itália, para onde a família se mudou após o início da Segunda Guerra Mundial. Em 1947, eles se mudariam novamente, dessa vez para o Brasil.

Formou-se em medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1961.

Ainda no primeiro ano do curso, começou a trabalhar no laboratório do doutor Walter Oswaldo Cruz, no Instituto Oswaldo Cruz, onde despertou seu gosto pela Ciência.

Após uma temporada nos Estados Unidos, no National Institute of Health retorna ao Brasil para o Instituto Oswaldo Cruz em 1964, transferindo-se dois anos depois para o Instituto de Biofísica da UFRJ, associando-se ao laboratório do professor Antônio Paes de Carvalho.

Por conta da perseguição política empreendida pelo regime militar no Brasil, decidiu se mudar com a família para Heidelberg, na Alemanha, onde foi professor visitante do Instituto Max Planck, a convite do professor Wilhelm Hasselbach.

Em 1978, foi aprovado professor titular do então Departamento de Bioquímica Médica da UFRJ, que posteriormente daria origem ao Instituto de Bioquímica Médica. Trabalhou em colaboração com diversos cientistas renomados, como Paul Boyer, André Goffeau, Armando e Marieta Gómez-Puyou. Dedicou-se ao estudo da transdução de energia e bomba de cálcio e à educação para a ciência.

Era membro titular da Academia Brasileira de Ciências. Em 1994, recebeu o título Doctor Honoris Causa pela Universidade de Louvain, na Bélgica e, em 1995, a Ordem Nacional do Mérito Científico, Classe Grã Cruz.

Fonte:
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior 

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