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Educação

Professor brasileiro é premiado por estudo sobre aleitamento materno

Nutrição infantil

Ao receber a premiação científica mais importante do Canadá, César Victora tornou-se um possível candidato à indicação ao Prêmio Nobel
por Portal Brasil publicado: 05/04/2017 15h00 última modificação: 05/04/2017 15h52
Divulgação/MEC Em 1991, o resultado de pesquisas do especialista deu origem a uma política de governo no Brasil

Em 1991, o resultado de pesquisas do especialista deu origem a uma política de governo no Brasil

O médico epidemiologista e professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), César Victora, foi o primeiro brasileiro a receber o Prêmio Gairdner, mais importante premiação científica do Canadá.

O reconhecimento decorre de pesquisas sobre nutrição materno-infantil, iniciadas nos anos 1980, que comprovaram que o aleitamento exclusivo, sem água ou chás, reduz em 14 vezes o risco de morte infantil por diarreia e em 3,6 vezes por doenças respiratórias. Após ser premiado, o especialista tornou-se um possível candidato à indicação ao Nobel.

“Nosso País é atualmente a maior referência na valorização do leite materno”, disse Victora. Após adotar a recomendação, o Brasil conseguiu reduzir o índice de mortalidade infantil em pelo menos 45%. Segundo o epidemiologista, a prática tem prevenido a morte de 800 mil crianças anualmente em todo o planeta.

Em 1991, o resultado de suas pesquisas deu origem a uma política de governo no Brasil. O aleitamento exclusivo passou a ser recomendado por organismos internacionais de saúde e voltados para a infância, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A iniciativa começou a ser adotado por outros países, especialmente em regiões mais pobres da África e Ásia.

César Victora, 65 anos, é doutor em epidemiologia pela Faculdade de Higiene e Medicina Tropical de Londres, Inglaterra. Esta semana, depois de chegar de Bogotá, Colômbia, onde proferiu palestras, ele participa como principal conferencista do Congresso Mundial de Saúde Global, em Washington, Estados Unidos.

“Temos muito ainda o que avançar aqui, mas é muito satisfatório ver essa proposta em manuais emitidos por órgãos de saúde e nas cadernetas de acompanhamento do bebê, além do apoio imprescindível da Sociedade Brasileira de Pediatria, uma forte aliada”, diz.

Licença-maternidade

Do que falta avançar, o professor destacou o tempo concedido à mãe, antes que ela necessite voltar ao trabalho. “Nossa licença-maternidade, apesar de ser uma das melhores do mundo, ainda é curta, de apenas quatro meses”, informa.

“Muitas mulheres não contam com carteira assinada, não têm condições de prolongar o aleitamento, já que precisam retornar às suas ocupações informais, como as diaristas e camelôs. É quando entram os chazinhos e sucos, que, dependendo das condições de higiene da casa em que a família mora, podem ser focos de bactérias perigosas”, explicou.

Entre as ações do Brasil a favor da inciativa, César Victora ressaltou a regulamentação de propagandas de suplementos alimentares, algo ainda muito presente em algumas culturas.

No ano passado, o professor participou de um trabalho de revisão da amamentação em todos os continentes. Constataram em nações como a Etiópia e a Nigéria hábitos de dar líquido à criança, ainda que a mãe continue amamentando por muito tempo.

Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério da Educação

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