Encontro discute combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico de drogas
Os temas lavagem de dinheiro e tráfico de drogas são discutidos desde ontem (25) no Ministério da Justiça por autoridades e representantes de instituições que atuam no combate e repressão a esses dois crimes. O Seminário, realizado pelo Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional (DRCI) da Secretaria Nacional de Justiça (SNJ) do MJ, teve o objetivo de promover trocas de experiências e atuações integradas em investigações dessas práticas criminosas que normalmente são associadas.
No primeiro dia foi abordado o panorama da lavagem de dinheiro e do tráfico de drogas no país, além da apresentação de estudos e casos reais. O delegado da Polícia Federal e Coordenador de Polícia e Repressão a Drogas, Cezar Luiz Busto de Souza, apresentou dados estáticos que mostram a imensidão do tráfico de drogas no país. "O Brasil é o maior consumidor de maconha da América do Sul. Se não houver integração e consciência de todas as forças públicas, não teremos como combater o problema. Nós da PF, PRF e PM somos grãos de areia na imensidão do trafico", afirmou.
Os 17 mil quilômetros de fronteira do Brasil foi o ponto de destaque na palestra do coordenador. "Atrás da apreensão na boca de fumo está a fronteira e o cultivo. A área de cultivo está do nosso lado. Estamos trabalhando com organizações internacionais na erradicação do tráfico, temos que cortar na raiz." Ainda de acordo com Cezar, há muitos desafios a serem enfrentados e a melhor ação é a erradicação, e em segundo o ataque ao patrimônio das organizações criminosas, que sem este capital terão dificuldades de se manter.
Na visão do Promotor de Justiça de São Paulo, William Terra, a melhor forma de coibir o tráfico de drogas é por meio do trabalho de investigação que alie o tráfico com a lavagem de dinheiro. Ele afirma que com a futura Lei de Lavagem de Capitais, anteprojeto 3.443/08 que já foi aprovado pela Câmara, muito se poderá fazer para descapitalizar as organizações criminosas no país. Porém, William Terra lembra que "além dessa previsão legal, é necessário aparelhar o Estado quanto à alienação, leilão e tutela dos bens provenientes nesses casos. Seria necessária a criação de um novo organismo gestor nos casos de lavagem, como a Senad é para os de drogas, com o fim de não sobrecarregar a Administração".
Para figurar sua apresentação, Terra apresentou dois casos ocorridos na Espanha e que teve a oportunidade de acompanhar: a Operação Avispa, caso em que a máfia russa operou em solo hispânico, e o Caso Marbella, maior exemplo de lavagem de dinheiro da Europa. Mostrando esses casos, o Promotor conclui que a problemática do tráfico de drogas aliado à lavagem é passível de ocorrer em todos os países.
Outra apresentação que chamou a atenção dos participantes no primeiro dia de seminário foi do Delegado de Polícia Federal, Paulo Renato Herrera. O palestrante mostrou o caso da Operação Fênix, uma conjunção de esforços da Polícia Federal Brasileira, Senad do Paraguai e a DEA - EUA (Agência Antidrogas dos Estados Unidos) que resultou na prisão de membros da organização criminosa chefiada por Luis Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.
O Encontro segue até o fim do dia de hoje no Ministério da Justiça.
Fonte: Ministério da Justiça
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