Consultório de Rua
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Psicólogo acompanha atividades com crianças. Na imagem, a criança faz um desenho sob a orientação do profissional Crédito da imagem: Consultório de Rua/Divulgação
O Consultório de Rua surgiu no fim da década de 1990, na cidade de Salvador (BA), para atender à população em situação de risco e vulnerabilidade social, principalmente crianças e adolescentes usuários de álcool e outras drogas.
A experiência do Consultório de Rua de Salvador é referência para novos projetos "Consultório na Rua" previstos no Plano Crack, é possível vencer, o qual consolida sua atuação para o encaminhamento de usuários de crack e outras drogas que vivem nas áreas de maior risco social nos espaços urbanos.
No Consultório de Rua, uma equipe formada por médicos, psiquiatras, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos e pedagogos presta atendimento aos dependentes químicos diretamente na rua, com o suporte de um ambulatório móvel. A estratégia de abordagem é inspirada na ONG francesa Médicos do Mundo, que atende moradores de ruas e prostitutas em um ônibus equipado como se fosse uma clínica.
Após um mapeamento para descobrir onde estão concentrados os usuários de drogas, os profissionais fazem a chamada aproximação, intervenção com a população local que pode levar de semanas a meses. “É preciso dar um tempo para as pessoas se sentirem seguras, entenderem que essa equipe de rua está lá para ouvi-las, orientá-las e cuidar delas”, conta Andrea Leite, assistente social da Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas (CETAD) e coordenadora do Consultório de Rua.
Após ganhar a confiança dos freqüentadores do local e distribuir kits com preservativos, curativos, medicamentos, cartilhas e material de conscientização sobre o uso de drogas, a equipe do Consultório de Rua faz um intenso trabalho educativo e psicossocial com os freqüentadores da região. “Quem conduz essa intervenção é o próprio usuário. As negociações levam em consideração se a pessoa quer ou não receber informações e orientações dos profissionais. Se houver confiança e vontade, surgem dúvidas, assuntos sobre família e drogas, sempre com respeito às escolhas do usuário”, diz Andrea.
De acordo com a assistente social, o foco do projeto não é que os usuários parem de usar drogas ou aceitem participar de um tratamento, mas que isso seja uma conseqüência do trabalho feito com eles na rua, uma vontade que deve partir do indivíduo e não da equipe profissional. Caso o usuário opte por fazer o tratamento no CETAD, terá à disposição uma equipe de psicólogos e psiquiatras e participará de grupos terapêuticos. “A idéia é reinserir o usuário na sociedade através desses trabalhos, porque além dele ser um usuário de droga, ele é um cidadão, e cidadania não se perde. Olhar para aquele indivíduo com respeito e fazê-lo sentir ser visto como cidadão é uma das missões mais importantes do Consultório de Rua”, reforça Andrea Leite.
Para ela, o que mostra que o projeto Consultório de Rua dá certo não é o número de dependentes que deixaram de usar a droga. “Para o projeto, dar certo não é apenas fazer com que as pessoas larguem a droga ou saiam da rua. Consideramos uma vitória ver o número de pessoas que se perceberam enquanto sujeitos, pararam de fumar crack em latinhas ou de dividir o cachimbo, deixaram de ter relação sexual desprotegida, pedem para fazer o teste de HIV ou estão inseridas em alguma outra atividade que não seja apenas o consumo da droga”, diz a assistente social.
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