Esporte
Brasil troca experiência com outros países para ações na Copa do Mundo
O Ministério do Esporte reuniu representantes de países latino-americanos para troca de experiências na realização de eventos mundiais esportivos. Sugestões nas áreas de saúde e vigilância sanitária foram apresentadas nesta segunda-feira (12), em Brasília, na sede da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). O objetivo é desenvolver ações que poderão evitar falhas de comunicação durante a realização dos jogos da Copa do Mundo de 2014 no País.
No encontro, o coordenador geral de Vigilância e Reposta à Emergência em Saúde Pública, da Secretaria de Vigilância em Saúde Pública do Ministério da Saúde, Wanderson Kléber de Oliveira, apresentou exemplos da organização dos V Jogos Mundiais Militares, disputados em cinco municípios do Rio de Janeiro em julho deste ano
Ele citou a criação de centros de monitoramento para a área de vigilância sanitária, durante os jogos. Os centros acompanharam as ocorrências e trocaram informações com os organizadores. “Tivemos alguma dificuldade em sensibilizar os organizadores da necessidade de se planejar as ações desde o início. Isso levou a algumas dificuldades, como problemas de acesso das equipes aos locais, o que atrapalhou investigações”, afirmou. Ele relatou que foram registrados 64 casos de intoxicação alimentar, um caso de hepatite A e uma forma suspeita de varicela.
Com a estrutura de governança da Copa do Mundo, que discute o tema enquanto debate a organização do evento em si, Wanderson não acredita que os obstáculos vão se repetir. “Estamos fazendo com as cidades-sede um plano diretor municipal de vigilância sanitária, que deve incluir a capacidade de resposta de cada local”, explica.
Epidemiologista do Ministério da Saúde e da Proteção Social da Colômbia, Ana Cristina Soares, falou da experiência do país na organização da Copa do Mundo Sub-20, que terminou com a vitória da Seleção Brasileira sobre Portugal por 3 x 2, em agosto de 2011. O evento, que teve oito sedes, durou 25 dias. “Para coordenar o trabalho de serviço e saúde pública em oito cidades, criamos centros reguladores de urgência e emergência que mantinham contato com a organização a cada 12 horas. Ainda existiu uma atenção especial a bares e restaurantes, onde os turistas podiam conhecer a cultura local e experimentar a gastronomia da região”, explica Ana.
Segundo a epidemiologista, quase 7 mil pessoas foram sensibilizadas em locais de entrada do país, com informações sobre atenção à saúde. Ainda houve 759 inspeções sanitárias e por volta de 5 mil trabalhadores foram imunizados contra sarampo e varíola. “O legado positivo foi que conseguimos estabelecer novos padrões para situações de saúde”, acredita.
A diretora executiva de programas especiais da Comisión Federal para la Protección contra Riesgos Sanitarios (Cofepris), María Esther Díaz Carrilho, explicou o plano de ação para a vigilância em saúde durante os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em outubro de 2011. Os alimentos e a água foram inspecionados diariamente na Vila Pan-Americana e nos hotéis. “A água no México é boa, mas nem todos têm acesso a água potável”, disse.
O planejamento de atenção à saúde não foi integrado ao comitê organizador dos Jogos, o que obrigou os integrantes da Cofepris a se instalarem em Guadalajara para começar as inspeções. “Não sabíamos quantas pessoas iriam estar nas sedes e não sabíamos os tipos de medicamentos que seriam utilizados”, alertou.
A escassez de dinheiro público, segundo a especialista, gerou limitações por deixar o evento desfalcado de equipamentos para melhor atender os visitantes. A alimentação dos atletas foi outra fonte de preocupação por parte da comissão. Eles estavam instruídos a não comer fora dos restaurantes da Vila Pan-Americana devido a problemas de alterações na carne mexicana. Segundo Maria Esther, houve atletas que não seguiram as instruções.
Fonte:
Ministério do Esporte
Todo o conteúdo deste site está publicado sob a licença Creative Commons
CC BY ND 3.0 Brasil
















