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Haiti aguarda pela chegada do troféu da Copa do Mundo

Copa do Mundo

Não é a primeira vez que a Fifa e a Federação Haitiana de Futebol têm papel ativo no desenvolvimento do futebol do país
por Portal Brasil publicado: 25/10/2013 14h37 última modificação: 30/07/2014 00h07

A chegada do Tour do Troféu da Copa do Mundo da Fifa, apresentado pela Coca-Cola ao Haiti é outra maneira por meio da qual a força unificadora do futebol vem ajudando a levar alegria ao povo da ilha caribenha nos mais difíceis momentos. Enquanto aumenta a expectativa pela visita, o Fifa.com confere o apoio que o futebol já ofereceu ao povo haitiano em mais de 13 anos.

Ao longo da escala de três dias, torcedores poderão participar de vários eventos especiais planejados pela Coca-Cola e pela Fifa, entre os quais, a possibilidade de ver de perto o troféu da Copa do Mundo.

No primeiro dia, torcedores terão a oportunidade de conferir as apresentações de DJs e dançarinos locais e de participar de jogos interativos, o que tornará ainda mais festivo o ambiente que sempre envolve o símbolo mais cobiçado do futebol.

Os convidados, então, desfrutarão de animações cujo tema é o futebol, feitas com hologramas de última tecnologia. A seguir, poderão entrar no salão do troféu, onde terão a chance de tirar fotos com a taça. No dia seguinte, uma partida especial entre duas equipes de craques locais será realizada no Estádio Nacional, cuja grama artificial foi instalada com o apoio recebido de um fundo para projetos especiais da Fifa em 2011. O artista haitiano Mika Ben cantará o hino nacional antes da partida e o troféu será exibido ao público.

Esta não é a primeira vez que a federação, seus parceiros e o futebol haitiano têm papel ativo no desenvolvimento do esporte no país. No ano 2000, a Fifa ajudou a reconstruir o primeiro centro técnico do Haiti e, até hoje, foram colocados em funcionamento no país 18 projetos apoiados pela Fifa em três grandes áreas: projetos de desenvolvimento, apoio técnico e atividades do programa Performance.

Em todo o planeta, a federação já ajudou e continua ajudando a construir as sedes de suas afiliadas, além de centros de treinamento e campos de grama natural e artificial para permitir que as mesmas contem com a infraestrutura e os recursos básicos para realizar seu trabalho. O Haiti já se beneficiou desses projetos de desenvolvimento, tendo recebido dois campos de futebol e dois projetos que contribuíram para a construção e a ampliação do centro técnico nacional.

Além disso, em 2010, após os catastróficos eventos naturais que assolaram o país, recebeu um fundo para projetos especiais que somava US$ 4 milhões. A organização dedicou esses recursos para financiar vários projetos de desenvolvimento no país, incluindo a reforma do Estádio Nacional.

Além dos projetos de desenvolvimento, a Fifa oferece assistência financeira à Federação Haitiana de Futebol por meio das atividades e do apoio técnico do Programa Performance, que permite às federações afiliadas melhorar ativamente sua infraestrutura, sua capacidade participativa, seus processos de trabalho, sua receita e sua imagem com o apoio da Fifa sob a forma de conhecimento técnico, consultoria e assistência financeira específica. A última reunião dos especialistas e funcionários dedicados ao desenvolvimento no Encontro de Liderança e Revisão Institucional do programa foi concluída com êxito no último dia 18 de outubro no Haiti.

Sem esquecer os aspectos técnicos do esporte, a federação internacional também organiza uma ampla programação de cursos e atividades técnicas para formar e treinar instrutores, treinadores, árbitros, médicos, técnicos e jornalistas.

O Haiti já completou com êxito dez desses programas. Como foco, 32,4% dos gastos totais do Programa de Assistência Financeira da Fifa foram dedicados ao desenvolvimento do futebol feminino e de base. A última edição do curso de desenvolvimento do futebol feminino foi realizada em junho de 2012 e durou sete dias.

Embaixador da Fifa, ex-jogador do Manchester United e ex-capitão da seleção de Trinidad e Tobago, Dwight Yorke vem acompanhando o troféu em várias de suas escalas na região do Caribe. "Fiquei muito satisfeito de ver que o tour do troféu passaria pelo Haiti", disse o ex-atacante. "A Fifa pôs muita ênfase na ideia de aproveitar o futebol como uma ferramenta para o desenvolvimento do país, principalmente desde o terremoto de 2010. Não vejo a hora de estar com o troféu no Haiti e ver de perto a alegria que a visita levará à população local."

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Em Curitiba, um pouco do Haiti na Copa

No início de 2010, um forte terremoto mudou a história do Haiti. O país localizado na América Central, antiga colônia francesa e a primeira república negra do mundo, foi devastado. A catástrofe, que atingiu a capital Porto Príncipe e toda sua região, matou mais de 200 mil pessoas e deixou cerca de 1,5 milhão de haitianos desabrigados.

Desde então, os sobreviventes passam por dificuldades para restabelecer a vida normal no país, que é um dos mais pobres do planeta. Muitos haitianos foram obrigados a deixar para trás suas famílias e buscar oportunidades em outros países. E encontraram na preparação do Brasil para sediar a Copa do Mundo da Fifa de 2014 a chance de um novo emprego e também a oportunidade para aprender e reconstruir o país de origem.

Em Curitiba, no canteiro de obras da Arena da Baixada, que passa por reforma e ampliação para receber os jogos da Copa do Mundo, é comum encontrar haitianos. No total, são 65 trabalhadores do país, que ajudam na conclusão do estádio que receberá quatro partidas no ano que vem. A principal função desempenhada por eles é a de ajudante de obras.

O caminho para chegar ao Brasil não é fácil. Além da distância, os novos moradores esbarram também em exigências para entrar no país. O principal caminho acontece com passagens por República Dominicana, Panamá, Peru e Colômbia. O desembarque no Brasil ocorre em Tabatinga, no Amazonas. Na fronteira Brasil-Colômbia (Letícia-Tabatinga), os imigrantes aguardam a documentação necessária para trabalhar.

Entre os haitianos em Curitiba, um se destaca pela desenvoltura. O encarregado de obras Arnold Virgil chegou ao Brasil no início de 2011 e já fala português. Ajuda os compatriotas não apenas no trabalho, mas também em necessidades diversas. A língua é uma das maiores dificuldades para os haitianos, já que os idiomas usados no Haiti são Crioulo e Francês.

“Por causa do terremoto, tudo foi devastado, e nosso povo teve que buscar refúgio em outros lugares. Precisamos ter um emprego e recuperar o que foi perdido”, revela Arnold, que explica rapidamente a preferência pelos trabalhos na construção civil. “Nós estamos aqui para ajudar os demais. Então temos que aprender tudo para retornar e reconstruir o nosso país”, completou Virgil.

Alegria e dedicação

Praticamente todos os funcionários haitianos que trabalham no estádio curitibano estão longe das famílias. A convivência na cidade é basicamente entre eles. Mesmo com a saudade de casa, a alegria e a dedicação acompanham os operários no dia a dia. O sorriso no rosto parece requisito primordial para o trabalho, que é desempenhado sempre com muita dedicação.

Em agosto deste ano, durante a visita das comitivas do Comitê Organizador da Copa do Mundo e da Fifa a Arena da Baixada, dois operários foram presenteados com ingressos para partidas da Copa do Mundo em Curitiba. E não por acaso, um deles foi o haitiano Anice Ulysse. “O meu serviço me garantiu um ingresso para a Copa. E tudo que faço aqui, faço com carinho dobrado, porque todos os brasileiros me trataram muito bem”, comemorou o funcionário.

Para o “líder” dos haitianos na Arena, a dedicação ao trabalho é fundamental para eles. “O povo haitiano sai para buscar emprego e poder ajudar quem ficou no país e ainda sofre com o terremoto de 2010. Se chegarmos aqui e não trabalharmos, não vamos conseguir nada”, ressalta Arnold Virgil, que trabalha nas obras da Arena desde o início e está ansioso pelo término. “Minha ideia é ficar aqui para entregar a obra à Copa do Mundo. E seria um sonho ver o Haiti jogando no Brasil”, finalizou.

Mesmo com a satisfação no Brasil e o acolhimento dado pelo povo brasileiro, os haitianos não escondem a vontade de voltar ao país de origem. A proximidade da família, somada à chance de colocar em prática o aprendizado na construção civil para reconstruir tudo que foi devastado pelo terremoto, faz com que todos sonhem com o retorno. Ajuda que será fundamental, pois mesmo após mais de três anos do terremoto, cerca de 350 mil pessoas ainda estão desabrigadas.

Fonte:
Fifa

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