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Clodoaldo Silva se prepara para os Jogos Rio 2016

Paralimpíada

Nadador, conhecido como Tubarão, fala sobre aposentadoria e destaca a evolução do esporte Paralímpico no Brasil
por Portal Brasil publicado: 21/11/2013 19h30 última modificação: 30/07/2014 00h15

Um dos maiores ídolos do esporte brasileiro, o nadador paralímpico Clodoaldo Silva, o Tubarão, se prepara para viver mais um sonho em sua carreira: subir no pódio nos Jogos Rio 2016. Em visita à sede do Comitê, na Cidade Nova, o potiguar afirmou que pretende encerrar a carreira de atleta nos Jogos do Rio, justamente na mesma cidade em que competiu pela primeira vez, em 1998.

“O ano que vem e, principalmente, 2015 e 2016 prometem. Já sou um cara realizado graças ao esporte, mas competir em casa é especial. Minha filha, toda a minha família e torcida estarão na arquibancada vibrando pelos atletas brasileiros. Minha primeira competição foi no Rio de Janeiro, em 1998, e é aqui que eu quero pendurar a minha sunga”, afirmou o nadador, de 34 anos.

Em 2013, Clodoaldo completa 15 anos de carreira como atleta de ponta – com uma coleção de medalhas de dar inveja. São seis ouros, cinco pratas e dois bronzes em quatro participações em Jogos Paralímpicos, além de 17 medalhas de ouro e cinco de prata em Jogos Parapan-Americanos. Devorador de títulos, Tubarão acompanhou de perto a evolução do esporte paralímpico no Brasil. E, na opinião dele, os Jogos de Atenas (2004) – quando subiu seis vezes no topo do pódio – representam um marco para o esporte.

“Atenas foi um divisor de águas para o desenvolvimento, respeito e reconhecimento do esporte paralímpico brasileiro. Costumo dizer que existe o antes e o depois dos Jogos de Atenas. Não só pelos meus resultados ou da Ádria (Santos, uma das maiores velocistas cegas do mundo) ou de diversos outros atletas, mas o esporte em si era pouco conhecido, pouco divulgado pela mídia. Naquele ano a televisão brasileira cobriu o evento com grande destaque”, lembra Clodoaldo.

A performance nos Jogos de Atenas rendeu a Clodoaldo, em 2005, o Paralympic Awards, premiação organizada pelo Comitê Paralímpico Internacional (IPC), na categoria melhor atleta masculino. Clodoaldo foi o primeiro ganhador do prêmio, que teve sua estreia naquele ano. Os vencedores da edição de 2013 serão conhecidos neste sábado (23/11), em Atenas. O Brasil está concorrendo em três categorias com: Terezinha Guilhermina, Daniel Dias (melhor atleta feminino e masculino, respectivamente) e o time de futebol de 5 (melhor equipe).

“Recebi o Paralympic Awards na primeira edição dessa importante premiação. Qualquer prêmio é importante na vida de um atleta, mas essa foi realmente especial”, recorda.

As lembranças de 15 anos de muito treino, dedicação, glórias e algumas frustrações são tantas que o atleta sequer consegue respirar entre uma história e outra. No Pan de 2007, carregou a bandeira do Brasil na Cerimônia de Abertura. Em Londres 2012, participou do revezamento da Tocha Paralímpica. São muitos os momentos inesquecíveis. Sempre com um sorriso no rosto, ele comemora no próximo dia 25 o primeiro ano de vida da sua primeira filha, a pequena Anita, motivo principal da insistência do atleta – que chegou a cogitar se aposentar em Londres 2012 - em continuar no esporte de alto rendimento.

Além de ser um devorador de títulos, Tubarão é um exemplo de vida. O atleta teve paralisia cerebral por falta de oxigênio durante o parto, o que afetou os movimentos das pernas e lhe trouxe uma pequena falta de coordenação motora. Fã de Ayrton Senna e da mãe, Dona Maria das Neves, Clodoaldo sofre com uma grave lesão na coluna e segue um rígido tratamento de fisioterapia para realizar o sonho de subir no pódio nos Jogos Rio 2016 e dedicar a medalha para sua mãe e sua filha.

“Meu pai abandonou a família quando eu tinha dois anos, e minha mãe criou sozinha cinco filhos, sempre de uma forma natural e sem preconceitos. Ela me falava uma frase que guardo até hoje: ‘Não importa onde você nasceu, não importa onde você está, importa onde você quer chegar’. Então se hoje eu sou essa pessoa, exemplo para muitas outras, é tudo culpa de Dona Maria das Neves. Agora é continuar o tratamento de fisioterapia, porque o ano que vem e, principalmente, 2015 e 2016 prometem”, destacou.

Fonte:
Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016

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