Você está aqui: Página Inicial > Esporte > 2014 > 03 > Ministro Aldo Rebelo dá cartão vermelho para o racismo

Esporte

Ministro Aldo Rebelo dá cartão vermelho para o racismo

Artigo

Ministério do Esporte vai relançar o livro O Negro no Futebol Brasileiro, publicado originalmente em 1947
por Portal Brasil publicado: 12/03/2014 17h10 última modificação: 30/07/2014 02h42

O Ministério do Esporte vai relançar o livro O Negro no Futebol Brasileiro, publicado originalmente em 1947 pelo jornalista Mário Filho e entronizado como um estudo clássico do esporte no País. Em edição bilíngue, a obra insere-se no propósito de realizarmos uma Copa do Mundo sem racismo. E mais que isso: um reconhecimento da contribuição do negro à formação social brasileira e exaltação à mestiçagem que nos distingue como nação.

O racismo é uma das infâmias mais antigas e resistentes desde que o mundo é mundo. As abolições da escravatura, o avanço geral do processo civilizatório, o progresso dos direitos humanos atenuaram sua prática institucionalizada, mas a discriminação e o preconceito sobrevivem não mais como políticas de Estado e sim nas relações sociais e de trabalho. No esporte aparece, intermitente mas sempre abjeto, em manifestações de torcedores contra jogadores negros – ainda que a torcida não seja um enclave ariano.

Ao contrário, o último episódio de repercussão internacional, quando o brasileiro Tinga, do Cruzeiro, em jogo com o Real Garcilaso pela Libertadores, foi apupado por guinchos que o relacionavam ao macaco, ocorreu no Peru. O país é fortemente miscigenado. A uma pesquisa de 2006 do Instituto Nacional de Estatística e Informação a população declarou-se mestiça (59,5%), quíchua (22,7%), aimará (2,7%), amazônicos (1,8%), negra/parda (1,6%), branca (4,9%) e outros (6,7%).

Como podem membros de uma nação com tal composição étnica, construída com o esforço comum do colonizador espanhol branco, índio nativo e escravo africano grunhir num estádio de futebol que negro é macaco?

O conceito de raça já foi demolido pela Ciência. Sobrevive como estigma cultural, embora ninguém no mundo esteja imune à mestiçagem, como demonstram as pesquisas genéticas. Um branco que hostiliza um negro ou um negro que discrimina um branco deveriam saber que carregam em seu ADN genes que determinaram a cor da pele do outro.

Se é episodicamente contaminado por tais vilanias, o esporte mais popular do mundo, elevado à categoria de arte justamente pelo bailado dos jogadores negros, propicia em seu campeonato mundial a oportunidade de darmos o cartão vermelho a essa atitude infame.

Aldo Rebelo
Ministro do Esporte

Fonte:
Ministério do Esporte


Todo o conteúdo deste site está publicado sob a licença Creative Commons CC BY ND 3.0 Brasil CC BY ND 3.0 Brasil

banner_servico.jpg

Últimos vídeos

Caio Sena conta como se prepara para Olimpíadas no Brasil
Conheça a história de Caio Sena. Aos 24 anos, o atleta de marcha atlética qualificado para as Olimpíadas Rio 2016, vive o sonho de disputar os jogos no Brasil.
Jogos Paralímpicos | Shirlene Coelho
A jogadora paralímpica de lançamento de dardos, discos e arremesso de peso, Shirlene Coelho, comenta a importância do esporte em sua vida
Olimpíadas 2016 podem impulsionar viagens para todo o País
Além da capital fluminense, várias cidades brasileiras também recebam turistas
Conheça a história de Caio Sena. Aos 24 anos, o atleta de marcha atlética qualificado para as Olimpíadas Rio 2016, vive o sonho de disputar os jogos no Brasil.
Caio Sena conta como se prepara para Olimpíadas no Brasil
A jogadora paralímpica de lançamento de dardos, discos e arremesso de peso, Shirlene Coelho, comenta a importância do esporte em sua vida
Jogos Paralímpicos | Shirlene Coelho
Além da capital fluminense, várias cidades brasileiras também recebam turistas
Olimpíadas 2016 podem impulsionar viagens para todo o País

Últimas imagens

Popole Misenga e Yolande Mabika fugiram de conflitos na República Democrática do Congo em 2013 e tentam reconstruir a vida no Brasil
Popole Misenga e Yolande Mabika fugiram de conflitos na República Democrática do Congo em 2013 e tentam reconstruir a vida no Brasil
Divulgação/Brasil 2016
Centro Aquático de Deodoro é sede de treinos e competições nacionais e internacionais
Centro Aquático de Deodoro é sede de treinos e competições nacionais e internacionais
Divulgação/Ministério da Educação
Nadador Gustavo Borges tem quatro conquistas em olimpíadas: duas pratas em Barcelona, e nos 200 metros livres em 1996) e dois bronzes em 1996 e no revezamento em 2000
Nadador Gustavo Borges tem quatro conquistas em olimpíadas: duas pratas em Barcelona, e nos 200 metros livres em 1996) e dois bronzes em 1996 e no revezamento em 2000
Divulgação/Brasil 2016

Governo digital