Esporte
Atletas apostam no crescimento da paracanoagem
Jogos Rio 2016
Em pouco mais de dois anos, a paracanoagem será disputada pela primeira vez em uma edição dos Jogos Paralímpicos. Cercada pelo Corcovado, a Pedra da Gávea e o Morro Dois Irmãos, a Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, promete ser o palco perfeito para a celebração deste marco histórico. E, mais do que isso, uma oportunidade para o esporte aumentar sua visibilidade e ajudar a mudar a percepção em relação às pessoas com deficiência no País.
“Queremos passar a visão de que praticamos um esporte sério, com treinamento rigoroso. Espero, principalmente, que mais gente se interesse pelo esporte e que o Brasil ganhe novos atletas. E também que possamos atrair o interesse de mais patrocinadores, porque nossos equipamentos, como os remos e os barcos, são caros”, conta a brasileira Marta Ferreira, bicampeã mundial na prova K-1 200m TA, na qual tronco e braços podem ser utilizados para impulsionar o caiaque.
Fernando Fernandes, dono de quatro títulos mundiais na prova K-1 200m A, disputada por atletas que utilizam apenas os braços na remada dos caiaques, compartilha a mesma opinião. Para ele, além de colocar o esporte em evidência, os atletas vão passar o recado de que todos são capazes de fazer o espetáculo acontecer.
“As pessoas pararam de enxergar deficientes e passaram a ver pessoas que têm alguma deficiência realizando esporte de uma forma intensa, em alto rendimento e de forma magnífica. Os Jogos colocam o atleta Paralímpico na condição de super-humano, e isso nos traz muita confiança e também atrai visibilidade”, afirma Fernando.
O Brasil é um dos países mais bem sucedidos na história da paracanoagem. Nas quatro edições do Campeonato Mundial, o País já conquistou sete medalhas de ouro, ficando atrás apenas da Grã-Bretanha, que tem onze. Além de Fernando e Marta, Caio de Carvalho é o terceiro campeão mundial brasileiro, na prova V-1 200m LTA.
“A nossa meta é ajudar a colocar o Brasil no topo do quadro de medalhas. Remar na Lagoa com o Cristo de braços abertos para a gente vai ser muito inspirador, ainda mais com toda aquela galera na arquibancada nos empurrando. É como a gente costuma dizer: a torcida atua como se fosse mais um braço pra ajudar a gente nas remadas”, conta Marta.
Tetracampeão mundial, Fernando garante que a conquista da medalha de ouro dos Jogos Rio 2016 é uma obsessão que faz parte do seu dia a dia.
“Isso passa pela minha cabeça sempre, e eu estou focado em treinar todos os dias até chegar lá, em busca de medalha”, diz, com confiança, o canoísta.
Na última competição disputada, a paracanoagem brasileira deu mais uma prova de força no cenário internacional. No Campeonato Sul-Americano, disputado no começo de abril, em Montevidéu, no Uruguai, todos os seis representantes brasileiros - Andréa Pontes, Marta Ferreira, Luis Carlos Cardoso, Caio de Carvalho, Fernando Fernandes e Ronald Patrick – voltaram ao País com a medalha de ouro.
Centro de treinamento
No mês de abril, a paracanoagem brasileira ganhou um importante reforço para a preparação de seus atletas. A novidade é o Centro de Treinamento da Equipe Permanente de Paracanoagem , no Centro de Práticas Esportivas da USP (Cepeusp). A estrutura já está em funcionamento e foi financiada com a ajuda da Lei de Incentivo ao Esporte, do Ministério do Esporte.
No CT da USP, os atletas da seleção brasileira terão à disposição uma garagem com uma área de aproximadamente 200m, com vestiários adaptados e ainda poderão aproveitar outras instalações, como as piscinas e a sala de musculação (Cepeusp).
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