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Esporte

“O time nacional tem que se achar o melhor do mundo”

Crônica

Futebol foi a metáfora utilizada por Nelson Rodrigues para a apresentação e a divulgação de um Brasil eficiente e vitorioso
por Portal Brasil publicado: 26/05/2014 12h46 última modificação: 30/07/2014 02h35

O Ministério do Esporte publica, semanalmente, crônicas do escritor Nelson Rodrigues, escritas entre as décadas de 1950 e 1970. Os textos foram publicados no livro “A Pátria de Chuteiras”, lançado em dezembro pelo ministro do Esporte, Aldo Rebelo. O futebol foi a metáfora utilizada por Nelson Rodrigues para a apresentação e a divulgação de um Brasil eficiente e vitorioso.

Confira abaixo a 37ª crônica da série: “O time nacional tem que se achar o melhor do mundo”.

“Para a seleção render cem por cento, ou mil por cento, precisa acreditar no Brasil. Essa é a primeira providência. Segunda: — acreditar em si mesmo. E mais: — o time nacional tem que se achar o melhor do mundo.”

O time nacional tem que se achar o melhor do mundo (1)

Amigos, tenho conhecido o que os amigos chamam, com a maior naturalidade, de “a besta”. E ele tem um tal hábito de ser chamado assim que, certa vez, disca para a namorada e começa: — “Norminha? Aqui é ‘a besta’.” A própria namorada o apresentou: — “Papai, aqui é ‘a besta’.” O velho não estranhou. Achou normal ter, como genro, “uma besta”.

Dirão vocês: — “Isso é literatura!” E se o fosse, não seria demérito. Mas eu digo que esse rapaz não podia ser apontado, não como “um brasileiro”, mas como “o brasileiro”. Pois bem. Um dia, vou ver um colega em outra redação. E, lá, quem vejo eu, datilografando uma crônica sobre o escrete. Também os companheiros o chamavam de “a besta”.

“A besta” podia se considerar um brasileiro autêntico. No fundo, no fundo, somos assim. O brasileiro não acredita em si mesmo. Se o chamam de “a besta”, como tal se considera. Na minha crônica de ontem, escrevi: — “O brasileiro ou acredita em si mesmo ou cai de quatro.” Por isso, repito que o problema de Coutinho não é tático, nem técnico. É, se assim posso dizer, psicológico.

Para a seleção render cem por cento, ou mil por cento, precisa acreditar no Brasil. Essa é a primeira providência. Segunda: — acreditar em si mesmo. E mais: — o time nacional tem que se achar o melhor do mundo.

Bem sei que, em nossa época, o cronista-patriota causa um divertido horror. Quantas vezes nós, cronistas, falamos, com o maior desprezo, em patriotada. Sou um dos poucos que aceitam a patriotada com a maior satisfação.

Outro dia, um cretino fundamental me chamou de patriota. E, realmente, quando se trata do time nacional, me sinto de esporas e penacho.

E, no entanto, os jogadores brasileiros já acreditaram no Brasil. Foi na minha pré-adolescência. Era o tempo de Luiz Vinhais, patriota de alto a baixo. Lembro-me de uma partida internacional que houve aqui.

Era o Brasil com não sei quem, provavelmente a Argentina. Ou seria Uruguai? Começa a batalha, e o Brasil estava jogando sem alma, sem paixão. O adversário fez um gol. Nem assim reagimos. Pouco depois, novo gol. Acabou o primeiro tempo, com o Brasil perdendo por 2 a 0. Eu, no meu canto, via aquilo como a progressão fulminante da catástrofe.

Mas, no vestiário, estava Luiz Vinhais, ventando fogo. Ergueu o gesto inspirado e apelou para o patriotismo. Era como se o escrete fosse o próprio Brasil. Abriu uma bandeira da pátria. Fez cada jogador beijar a bandeira. Um dos craques debulhou-se em lágrimas, como se dizia antigamente. E diz Luiz Vinhais, com o olhar vazando luz: — “Podem ir, porque vamos vencer.” Não deu outra coisa. Esmagamos o adversário. Cinco a dois foi o escore da nossa vitória. Os cretinos fundamentais poderão dizer: — “Ridículo.” E daí? Com um mínimo de ridículo não há herói, não há santo, não há profeta.

Fonte:
Ministério do Esporte

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