Esporte
Após 97 dias, ingleses completam caminhada para a Copa
Mundial 2014
Terminou na tarde deste domingo (8), em Porto Alegre, a jornada de noventa e sete dias de quatro ingleses e um cão uruguaio que cruzaram o sul do continente em uma caminhada de 1.966 quilômetros, desde Mendoza, na Argentina.
Mais do que aventura de torcedores do English Team, a travessia pretende atrair doações para a construção de uma roda d’água e um centro comunitário em Campo Formoso, a cerca de 400 quilômetros de Salvador (BA), que sofre com a seca. A ação é coordenada pela ONG Josefina de Vasconcellos Arts Care Trust e busca angariar 20 mil libras. Eles já alcançaram 10.431,72 libras.
Mesmo tendo completado a Caminhada para a Copa do Mundo, em uma distância alusiva ao ano em que a Inglaterra conquistou o torneio, o objetivo agora é alcançar a meta da campanha. “Quando pensamos em fazer essa viagem maluca, resolvemos que ela deveria, também, auxiliar em alguma ação humanitária. Descobrimos essa comunidade na Bahia e o projeto. Então foi nossa forma de fazer algo por quem precisa", afirmou o jornalista Ben Olsen, pouco antes de iniciar a última etapa, entre Guaíba e o Estádio Beira Rio.
Ao lado dos amigos Pet Johnston, David Bewick e Adam Burns, além do mestiço de labrador Jefferson, que passou a seguir o grupo em Solís, no Uruguai, eles caminharam do hotel em que passaram a noite até a balsa que faz o transporte de passageiros entre a cidade e a capital gaúcha. Como Jefferson não podia embarcar e a estrada era perigosa naquele trecho, o quinteto se dividiu. O cão, Pete e Ben seguiram de carro, na carona da amiga oceanóloga Suélen da Silva, que mora em Porto Alegre. David e Adam pegaram a balsa. O grupo voltou a se reunir no terminal, do outro lado do Guaíba, e dali partiu para os últimos cinco quilômetros da missão.
Foram cerca de 70 minutos entre caminhadas a passos rápidos e corridas nem tão curtas para chegar ao acesso ao Beira-Rio, onde um novo e emocionante momento os aguardava. Nos últimos dias da caminhada, eles foram contatados pelo uruguaio Ignacio Etchichury, 24 anos, dono do cão. O jovem contou que Jefferson, cujo nome original é Negro, costumava ficar fora por um ou dois dias, mas desapareceu. Ao descobrir que ele estava seguindo com os estrangeiros, Ignacio, ou Nacho, pegou uma mochila, embarcou num ônibus em Montevidéu e foi até Jaguarão, na fronteira. Lá, conseguiu carona com um caminhoneiro e chegou a Porto Alegre.
O reencontro entre os dois, após um mês e meio, não poderia ser mais emocionante. Negro correu para Nacho, que o abraçou. Negro pulava e latia. Nacho chorava. David, Ben, Pete e Adam, que se apegaram ao cão, vivenciavam um misto de alegria e tristeza pela iminente separação.
O prêmio para o sexteto foi visitar o estádio, com a devida autorização da Fifa, obtida através da intervenção do Consulado da Inglaterra. “Estádio maravilhoso. Visitamos as dependências, os vestiários, o campo. Será uma grande Copa aqui”, disse Adam.
O sexteto foi acolhido pela porto-alegrense Ana Lúcia Pires. Ficarão todos juntos até terça-feira, quando os ingleses embarcam para o Rio e depois seguem atrás da Inglaterra no torneio. Nacho e Negro devem retornar ao Uruguai. “Quero voltar de bicicleta com ele. Quase o perdi. Devo a ele essa aventura na volta. Mas vou tomar cuidado. Já éramos unidos, mas agora a relação é ainda mais forte”, explicou Nacho.
Para os quatro amigos ingleses, o desafio é continuar despertando o interesse da mídia por sua ação humanitária. “A roda d’água já está sendo construída, mas queremos alcançar a meta de 20 mil libras para completar o projeto”, reforça David. Para isso, familiares dos ingleses se lançaram em ações no Reino Unido. As mães de Ben e David iniciaram uma caminhada de 135 quilômetros entre Newmarket, no noroeste britânico da Escócia, costeando o Hadrian Wall, muro que separa os dois países. A irmã de Pete lançou um torneio de futebol, que já conta com 26 equipes inscritas. O dinheiro das inscrições também irá para o projeto de auxílio à comunidade baiana.
Fonte:
Portal da Copa
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