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"Brasil tem dois esportes: o futebol e a mania de destratar o País"

Publicação

Em artigo, Rebelo diz que Cândido Portinari é exemplo de quem apontou deformidades nacionais sem instilar-se um ódio destrutivo
por Portal Brasil publicado: 12/06/2014 10h14 última modificação: 30/07/2014 02h29

Em artigo publicado no jornal Diário de S. Paulo, no último sábado (7), o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, disse que o Brasil tem dois esportes, o futebol, e a mania de destratar o País, praticada por uma minoria com complexo de vira-lata.

O ministro citou o maior pintor brasileiro como exemplo de que se deve e pode apontar os problemas do País, sem se lançar em um ódio destrutivo.

Confira o artigo na íntegra:

O Brasil tem dois esportes nacionais: o futebol, paixão da maioria, e a mania de destratar o País, marca de uma minoria com complexo de vira-lata. Ambos estão confrontados nesses dias pela abertura da Copa do Mundo em São Paulo e uma exposição em Brasília de obras de Cândido Portinari (1903-1962). Maior pintor brasileiro, é o exemplo acabado de que se pode e se deve apontar os problemas e as deformidades nacionais sem instilar-se um ódio destrutivo.

Ninguém fixou nas telas como ele a tragicidade do homem comum, em mosaico social que compôs com tipos como o bandeirante, o vaqueiro, o gaúcho, o garimpeiro, o retirante e, naturalmente, crianças jogando futebol. Sua perspectiva era o povo, sofrido, retratado em linhas deformadas e traços exagerados em simetria com a iniquidade que identificava na sociedade nacional.

Mas a visão crítica era transformadora, integrada a um projeto nacionalista de construir uma identidade cultural brasileira. Seu diferencial foi não fazer a pintura-exaltação, mesmo em obras como Descobrimento do Brasil, Primeira Missa e os numerosos murais que considerava a pintura mais popular por ficar visível ao povo. Artista engajado, proclamava: “Estou entre os que acham que não há arte neutra. Mesmo sem nenhuma intenção do pintor, o quadro indica sempre um sentido social”.

Incompreendido, até foi acusado de depreciar a pátria que amava, contraditoriamente na fase em que, ao lado de Villa-Lobos na Música e Oscar Niemeyer na Arquitetura, navegava nas águas renovadoras da Revolução de 30 em direção ao Brasil moderno.

A sagacidade de dois estadistas do período, Getúlio Vargas e Juscelino Kubitscheck, incorporou sua obra ao acervo cultural da Nação. Vargas encomendou o painel Guerra e Paz para ornamentar a sede da ONU, e JK, que, como prefeito de Belo Horizonte, já patrocinara sua pintura na Pampulha, fez questão de expor o painel no Rio antes de embarcá-lo para Nova York.

A obra de Portinari cintila atualmente como um contraponto eloquente à postura autofágica da minoria que, a pretexto de denunciar antigas chagas nacionais, renega a grandeza da formação social brasileira, rasga uma história de lutas, queima a Bandeira e nesta época de Copa do Mundo dá a impressão de querer incinerar todo o País. 

Fonte:
Ministério do Esporte

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