Esporte
Portugual ainda sonha com a classificação para as oitavas
Copa 2014
Ao longo da história, Portugal lidou muitas vezes com a matemática e a falta de tempo em eliminatórias e, agora, passa pelo mesmo na Copa do Mundo 2014.
A competição da Fifa esteve a 27 segundos de se tornar passado para a seleção portuguesa. Aos 49 minutos e 30 segundos do segundo tempo do jogo de Manaus, os Estados Unidos estavam prestes a celebrar a presença nas oitavas de final e Portugal a caminho de casa.
Três segundos depois - mais ou menos o tempo entre o cruzamento de Cristiano Ronaldo e o gol do empate -, Varela mergulhou para, mais uma vez, encher os portugueses de esperança.
“Não sei se dou sorte, parece que sim. Mas hoje não fiquei contente com o resultado”, disse Varela. A frustração do atacante é evidente e percebe-se com facilidade. O empate (2 a 2) deixa Portugal à mercê das contas e do tempo para a última jornada do Grupo G, em que precisa golear Gana e esperar que haja um vencedor entre Alemanha x Estados Unidos para seguir em frente.
“As coisas continuam muito difíceis. Queríamos mesmo era a vitória. Então estamos todos tristes por isso, mas temos que acreditar”, admite Varela.
“A nossa força vem de representar Portugal. Lutar até o último minuto. A equipe fez isso, lutou muito, mas não conseguiu vencer. Agora, temos que ganhar este último jogo e tudo pode acontecer”, disse o jogador em entrevista ao site da Fifa.
Esperança
Ricardo Costa também não é um novato nesta situação.. Ao lado de Cristiano Ronaldo, é um dos únicos dois portugueses que sabe o que é estar em três Copas do Mundo e, por isso, analisa as contas da última jornada de uma forma bem pragmática.
Também, só há um caminho: “Para nós é igual, temos que jogar o nosso jogo e ganhar. O empate pode dar a classificação à Alemanha e aos Estados Unidos, mas o futebol é assim: é muita paixão e tudo pode acontecer”, diz o central do Valência.
Já as primeiras palavras do capitão Cristiano Ronaldo após o empate foram para o esforço de quem deu tudo o que tinha, mesmo perante tantas dificuldades com lesões e ausências. “São os jogadores que jogam, que estão dentro de campo, são os jogadores que sofrem. Uma palavra de apreço para eles, todos demos o nosso melhor. Obviamente que queríamos ganhar, mas não foi possível”, resumiu o atacante, que termina lembrando aquilo que, tantas vezes, parece ser a sina dos portugueses. “É quase impossível, mas no futebol...”
Estados Unidos
O processo de renovação imposto por Jürgen Klinsmann fez com que a seleção americana chegasse à Copa do Mundo 2014 com uma cara totalmente nova em relação a 2010. A mudança não se deve apenas à ausência de nomes como Landon Donovan ou Carlos Bocanegra, mas sim à uma nova postura que afetou positivamente dois dos jogadores que estiveram na África do Sul.
Nos Estados Unidos de Klinsmann, Michael Bradley e Clint Dempsey receberam missões diferentes das que tinham na última Copa: a de se concentrarem no ataque – e o resultado não poderia ser melhor. Assim como na vitória contra Gana, ambos foram novamente decisivos no empate em 2 a 2 com Portugal, que deixou os americanos muito próximos das oitavas de final.
Assumindo parte do papel que cabia a Donovan, Bradley deixou de lado o trabalho de marcação que exerceu durante anos e resolveu partir para cima. Contra Portugal, ele foi mais uma vez o cérebro da equipe, apareceu diversas vezes na área e só não marcou um gol porque Ricardo Costa tirou a bola em cima da linha. Já Dempsey, uma espécie de meia ofensivo em 2010, cumpriu à risca a função do lesionado Jozy Altidore e marcou um gol que daria inveja a qualquer centroavante: concluindo de peito dentro da pequena área.
“Eles são incríveis. O Clint (Dempsey) assumiu bem a responsabilidade de ser o nosso atacante, enquanto o Michael (Bradley) pode jogar em várias posições. Mas ele sabe atacar e criar as chances na frente”, analisa o experiente goleiro Tim Howard, que acompanhou a evolução de ambos antes, durante e após o mundial sul-africano. “Eles são nossos melhores jogadores. É por causa deles que estamos nesta situação.”
Com ambos liberados para atacar, os Estados Unidos deram um largo passo rumo à classificação e agora têm um último desafio na primeira fase, justamente o mais perigoso de todos: contra a Alemanha. E, por precisarem de apenas um empate, não seria surpreendente que tanto Bradley como Dempsey se revezassem entre as novas e velhas funções.
“Michael e Clint serão mais uma vez importantes no nosso esquema, qualquer que seja a função deles. Vai ser um jogo duríssimo, então todo mundo terá que se doar ao máximo”, aponta Kyle Beckerman. "Teremos que marcar com 11 jogadores, mas atacar com 11 jogadores também, sempre com muita garra. Assim será possível passar.”
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