Esporte
Argentina quebra jejum de 24 anos e chega à final
Copa 2014
Em 1990, a Argentina disputou sua última final de Copa do Mundo, quando perdeu para a Alemanha por 1 x 0. Foram longos 24 anos de jejum, quebrado por uma geração que já está orgulhosa muito antes do apito inicial da partida contra a mesma Alemanha no dia 13 de julho no Maracanã.
“Foram muitos anos, mas chegou. Estamos diante dos olhos do mundo, nossa bandeira vai voltar a brilhar numa final de Mundial e isso não é pouco. Que possamos coroar essa trajetória no domingo, mas ninguém vai nos tirar isso: levamos a Argentina para uma final de Copa outra vez”, disse o volante Javier Mascherano.
Elogiado pela imprensa mundial pelas ótimas atuações na Copa, especialmente nesta quarta contra a Holanda, ele disse que a final será o jogo mais importante da carreira dele e de seus companheiros de seleção. “Estou feliz e orgulhoso de fazer parte deste grupo. Lutamos, vivemos este mundial intensamente e acho que merecemos. Jogamos uma partida taticamente perfeita e minimizamos as virtudes da Holanda”, disse.
Desgaste
A vitória sobre a Holanda veio na disputa de pênaltis, o que levou a um intenso desgaste físico dos jogadores. E a equipe terá menos tempo para a recuperação, já que a semifinal que classificou a Alemanha foi realizada na terça-feira.
“Chegaremos com um dia a menos de descanso, mas com trabalho, humildade e seriedade faremos o possível para atingir o nível máximo”, disse o técnico argentino Alejandro Sabella. “Jogar contra a Alemanha é sempre dificílimo, e o jogo deles contra o Brasil já estava definido nos primeiros 45 minutos, eles puderam guardar energias no segundo tempo. Nós não guardamos nada”, acrescentou.
Sabella disse que está muito satisfeito com a classificação, especialmente por estar à frente de “um grupo de jogadores extraordinários”. Ele também agradeceu o apoio dos torcedores que estão seguindo a equipe por todo o Brasil.
Para o atacante Rodrigo Palacio, a satisfação de estar em uma final de Copa é mais importante que qualquer desgaste. “Não estamos cansados. Estamos felizes, não pensamos nisso.Teremos um rival muito forte, que está muito motivado, mas temos uma vontade em dobro e queremos fazer o jogo de nossas vidas”, disse.
Van Gaal
A decepção por ficar de fora da final da Copa de 2014 teve um elemento extra de crueldade para o técnico holandês Louis Van Gaal.
Na disputa de pênaltis que definiu a semifinal entre Holanda e Argentina, brilhou a estrela de Sergio Romero, com duas defesas. O goleiro argentino de 27 anos hoje atua pelo Mônaco, da França, mas as portas da Europa foram abertas a ele pelo clube holandês AZ Alkmaar, em 2007. O técnico daquela equipe era o próprio Van Gaal.
“Ensinei Romero a pegar pênaltis e é claro que isso dói”, disse o treinador após a partida. Ao voltar a falar do assunto pouco depois na mesma entrevista, ele disse que a frase teve um tom de brincadeira, referindo-se exatamente a esse trabalho conjunto no Alkmaar, e elogiou o jogador. “Nós o trouxemos para a Europa porque ele é um grande talento”, reforçou.
Eleito o melhor em campo, Romero agradeceu o apoio dos companheiros, da comissão técnica e, sobretudo, a confiança do técnico Alejandro Sabella. Mas ele também recordou os tempos de Alkmaar e falou da importância de Van Gaal naquele momento de sua carreira.
“Louis me ajudou muito quando cheguei à Holanda, um país tão diferente, com cultura diferente, uma língua tão difícil. Ele ajuda muito os jogadores a crescer, a estarem mais atentos. Ele dizia: goleiro não é goleiro, é um jogador a mais, são 11 jogadores. Eu tinha 20 anos, tinha acabado de chegar, vou agradecê-lo por toda a vida pela mão que me deu em um país tão diferente”, disse Romero.
Cillessen x Krul
Na partida contra a Costa Rica, Van Gaal trocou o goleiro Cillessen pelo reserva Krul somente para a disputa de pênaltis. A mudança funcionou: Krul, com maior envergadura e muitas informações sobre os jogadores costarriquenhos, pegou duas cobranças e se consagrou. Contra a Argentina, o técnico holandês não repetiu a substituição: não por que não queria, mas somente porque não podia.
"Se eu tivesse tido a oportunidade de substituir, sim eu teria feito, mas eu já tinha substituído três vezes, não dava", disse. Van Gaal trocou o zagueiro Bruno Indi – que havia levado cartão amarelo – por Janmaat, colocou Clasie no lugar de De Jong, que voltava de contusão, e Huntelaar entrou na vaga de Van Persie, que estava “exausto”, segundo o técnico.
Para Van Gaal, a partida contra a Argentina foi bastante equilibrada, mas a equipe europeia criou menos oportunidades de gol que nos outros jogos. A Holanda, para ele, fez uma competição excelente, independentemente do que aconteça na disputa pelo terceiro lugar, considerada pelo técnico um jogo que “nunca deveria existir em nenhuma competição de futebol”.
Brasil e Holanda jogam pela medalha de bronze no sábado (12), às 17h, no Estádio Nacional de Brasília. A final entre Argentina e Alemanha será no domingo (13), às 16h, no Maracanã, no Rio de Janeiro.
Argentinos no Rio
A estreia da Argentina na Copa do Mundo de 2014, contra a Bósnia-Herzegovina, no Maracanã, já deu mostras da invasão que os hermanos podem fazer no Rio de Janeiro. Para a decisão contra a Alemanha no dia 13 de julho, a Prefeitura do Rio de Janeiro espera 70 mil turistas do país.
Pensando nisso, o município abriu mais um espaço para o estacionamento de vans e motorhomes na cidade. Além do Terreirão do Samba, que já está com sua capacidade máxima de 140 veículos esgotada - a maioria de argentinos -, a Praça da Apoteose será liberada para os visitantes. Os ônibus de fretamento serão encaminhados para o Fundão pela CET Rio.
Fontes:
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