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Em 62, Amarildo provou que craque não é insubstituível

Copa 2014

Na Copa daquele ano, a Seleção Brasileira perdeu Pelé a partir do terceiro jogo, e mesmo assim foi bicampeã mundial
por Portal Brasil publicado: 07/07/2014 18h30 última modificação: 07/07/2014 18h30

Perder seu maior craque por lesão no meio de uma Copa do Mundo não é novidade para a Seleção Brasileira. Por mais difícil que seja ver um ídolo sem condições de atuar, a própria história brasileira mostra que esta perda não necessariamente traz um impacto negativo na campanha da equipe.

Mesmo com a ausência de Pelé a partir do terceiro jogo da Copa de 1962, o Brasil conquistou o bicampeonato do Mundial naquele ano. Há 52 anos, um problema muscular sentido pelo camisa 10 brasileiro deixou o País atônito, mas a entrada de Amarildo contra a Espanha encerraria as dúvidas sobre o fato de o Rei ser insubstituível.

Então com 22 anos, o jovem atacante do Botafogo não sentiu o peso que muitos considerariam grande demais, marcou gols decisivos na caminhada ao título e se tornou o melhor exemplo para o jogador que, agora em 2014, terá a missão de entrar no lugar de Neymar na semifinal contra a Alemanha.

“Não fiquei nervoso. Pelo contrário: encarei como algo normal e até estimulante, porque, ali, eu precisava mostrar meu valor”, explica Amarildo, hoje com 75 anos, ao site da Fifa. “Claro que não queria que o Pelé se machucasse, mas precisava provar algo e fiz isso logo num jogo decisivo, contra a Espanha: ou a gente passava, ou eles. Estava colocando minha carreira em jogo, tentando resgatar a estima dos brasileiros, porque tinha que estar à altura da situação. Não senti nervosismo, mas uma responsabilidade de ir com coragem para cima dos adversários.”

A decisão que ele lembra não era exatamente como a semifinal que o Brasil encarará nesta terça-feira, embora uma derrota contra aquela Espanha de Ferenc Puskás, Francisco Gento e Alfredo di Stéfano significaria o fim precoce do sonho de seguir na competição. A missão se complicou com a confirmação de que Pelé não atuaria mais na Copa, mas a entrada de mais um jogador do Botafogo naquele time que já contava craques como Didi, Zagallo, Garrincha e Nilton Santos – todos do alvinegro carioca – fez com que o equilíbrio não fosse alterado.

“Claro que faz falta perder um atleta que é considerado o melhor do mundo. Mas graças a Deus o Amarildo, que fazia a ala comigo no Botafogo, não sentiu esse impacto de vestir a Amarelinha. Ele já estava acostumado com os companheiros, então se soltou e fez uma grande Copa”, lembra Zagallo. “O Amarildo aparentemente não estava pronto. Mas ele tinha feito um campeonato maravilhoso no Botafogo e por isso foi convocado. Era questão de segurança jogar numa Copa do Mundo, e ele foi perfeito”, completa Pelé.

Conselhos
Cinquenta e dois anos depois de ter saído do banco e entrado diretamente para a história das Copas, Amarildo ainda lembra de cada detalhe da campanha. E, exatamente por sua experiência ter sido tão positiva, ele se vê no direito de acreditar que a saída de Neymar não será prejudicial à Seleção. Basta, para isso, que tanto o substituto do camisa 10 como toda a equipe sigam à risca os conselhos de alguém que deu um nó na desconfiança de toda uma nação.

“Quem entrar não pode se sentir um substituto do Neymar, mas como alguém que está pronto para ajudar e que não vai diminuir o rendimento da Seleção. E, pensando bem, essa substituição pode até ser benéfica, por trazer algo novo e mudar a forma de jogar da equipe”, aposta. “Não só ele, mas todos os jogadores vão ter que mudar a forma de jogar, criar novas saídas, e isso pode abrir mais opções no time. A equipe vai precisar se unir e jogar junta em todos os momentos. E, claro, eles precisarão ter muito coração para poder ganhar essa Copa.”

Jogos de 62
A tal grande Copa de Amarildo começou exatamente naquele jogo contra a Espanha, no qual o Brasil saiu atrás no placar e virou com dois gols do Possesso – apelido que ele havia recebido do cronista Nelson Rodrigues graças ao talento e à forte personalidade. Estas características, aliás, fariam com que ele não saísse mais do time Aymoré Moreira – e que o próprio time passasse a encarar a ausência de seu maior craque como algo natural.

Com Garrincha endiabrado, o Brasil passou por Inglaterra e Chile até chegar à final contra a mesma Tchecoslováquia – que havia empatado em 0 a 0 o jogo em que Pelé se machucara. Mesmo prestigiado, Amarildo ainda precisou conviver com a expectativa do retorno do Rei, o que acabou não se confirmando. “Dois dias antes da final, o Pelé, que estava louco para jogar, foi fazer teste para ver se podia ir para o campo. Então qual é a cara que o Amarildo ia ficar? E se o crioulo passa no teste?”, lembra Djalma Santos à Fifa. “Mas acabou que ele voltou a sentir; então o Amarildo jogou, e jogou bem.”

Assim como naquela “primeira final” contra a Espanha, Amarildo e o Brasil viram os tchecos saírem na frente com Masopust aos 15 minutos, mas a resposta – e o início da virada por 3 a 1 – viria em seguida, exatamente com um gol do Possesso, aquele jovem atacante de personalidade inabalável... ou não. “O Nelson Rodrigues me deu aquele apelido e acertou, porque no campo eu não tinha medo de nada e de ninguém: noventa minutos para mim eram como uma guerra”, conta Amarildo. “Mas naquele momento, quando o Mauro estava para receber a taça, admito que tremi. É uma coisa impressionante ouvir o Hino Nacional, ver aquela taça que você nunca imaginava chegar perto quando era garoto... Mas foi uma tremedeira de felicidade.”

Fonte:
Federação Internacional de Futebol

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