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Esporte

Justiça Desportiva exclui Grêmio da Copa do Brasil

Racismo

Equipe gaúcha, que também foi multada em R$ 54 mil, foi denunciada com base no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva
por Portal Brasil publicado: 03/09/2014 18h40 última modificação: 03/09/2014 18h41

O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) julgou, na tarde desta quarta-feira (3), o caso de racismo de torcedores do Grêmio na Copa do Brasil. A equipe gaúcha, que também foi multada em R$ 54 mil, foi denunciada com base no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante), em razão das ofensas racistas pela torcida gremista ao goleiro Aranha, do Santos, na partida de ida das oitavas de final da Copa do Brasil, disputada no dia 27 de agosto, na Arena do Grêmio.

O jogo acabou 2 a 0 para a equipe de São Paulo. Logo depois da denúncia, a partida de volta foi suspensa. O Grêmio pode recorrer da decisão ao Pleno do STJD

O julgamento

Antes do início do julgamento, o presidente do Grêmio, Fábio Koff, reuniu-se com o presidente da comissão, Fabrício Dazzi, para pedir que a sessão ocorresse a portas fechadas, mas o pedido foi indeferido. O julgamento começou, então, com o relator-auditor, Francisco de Assis Pessanha Filho, lendo a denúncia. Em seguida, a procuradoria apresentou provas em vídeo contra o clube gaúcho.

Em defesa, o Grêmio mostrou a nota de repúdio publicada após o caso, além de notícias que destacavam o empenho do clube em identificar os torcedores responsáveis pela agressão. A defesa do clube também apresentou vídeos de campanhas contra o racismo, com depoimentos de atletas e imagens de ídolos negros. Algumas dessas campanhas, inclusive, foram feitas antes do episódio envolvendo o goleiro Aranha.

Após a exibição das provas em vídeo, o presidente do Grêmio, Fábio Koff, foi ouvido. Em depoimento, ele afirmou que a decisão do Tribunal atingiria um clube com 111 anos de existência e que sempre contou com jogadores “de cor” no elenco. “A decisão dessa tarde tem uma importância histórica. Não se limita ao fato ocorrido", disse Koff. “O prejuízo causado à imagem do clube é irreparável. Se a pena ocorrer, deve ter sentido pedagógico e não ultrapassar limites”, defendeu.

Nervoso, o quarteto de arbitragem, que estava sendo julgado por só ter relatado o ocorrido após o jogo, também foi ouvido. Pressionado pelos auditores, Wilton Pereira Sampaio, árbitro da partida, disse que não relatou as agressões ao atleta na súmula da partida por “não ter certeza do ato”. “Tive conhecimento pela imprensa no hotel. Ninguém da minha equipe viu algo irregular”, alegou. “Se algum integrante tivesse visto, a partida seria suspensa”, argumentou. A posição foi reiterada pelo auxiliar Carlos Berkenbrock.

Reincidência

O procurador Rafael Vanzin pediu a exclusão do Grêmio da Copa do Brasil. Ele lembrou que o clube era reincidente em casos de ofensas. No início do ano, o tricolor foi multado em R$ 80 mil por ofensas ao zagueiro Paulão, do arquirrival Internacional, também na Arena. Em outro Gre-Nal, desta vez no Beira-Rio, o alvo das agressões foi o atacante colorado Fernandão, que havia morrido dias antes, em um acidente de helicóptero. Vanzin também citou o vice-presidente da equipe gaúcha, Adalberto Preis, que, em sua conta no Twitter, classificou a atitude de Aranha como “uma grande encenação”. “É inaceitável uma conduta nesse sentido”, enfatizou o procurador.

A defesa do tricolor alegou que a equipe tem feito campanhas para combater o racismo e colaborou para a identificação dos torcedores que proferiram as ofensas contra o jogador Aranha. “[O racismo] é um problema social, não é um problema do Grêmio. Não façamos do Grêmio um bode expiatório”, pediu o advogado Gabriel Vieira. Além disso, os defensores disseram que apenas quatro pessoas, entre 30 mil torcedores, foram flagradas agredindo o goleiro e que o clube não pode responder pelo ato isolado delas. Por fim, os advogados avaliaram que a repercussão tem sido maior que o caso em si e que a equipe não deveria ser julgada com base no que aconteceu na Arena e não no que saiu na mídia.

Árbitros

O advogado ressaltou que apenas cinco torcedores foram identificados agredindo Aranha. Desse modo, seria impossível o árbitro ouvir as injúrias. Ele também lembrou que Wilton Pereira Sampaio é negro (apesar de nunca ter sido injuriado, conforme ele mesmo relatou ao ser questionado por um auditor) e que, caso tivesse ouvido as ofensas, paralisaria a partida imediatamente.

Na sequência, os auditores começaram a exprimir seus votos. O primeiro foi o relator Francisco de Assis Pessanha Filho defendeu a aplicação de uma multa de R$ 50 mil, a proibição da entrada em estádios dos torcedores identificados por 720 dias e a exclusão do Grêmio da Copa do Brasil, já que a equipe não teria como perder pontos na competição, que é, em sua totalidade, eliminatória. “A prática do ato é repugnante. É uma erva daninha que está começando a se espalhar no Brasil. Precisa ser cortada no início”, afirmou. Os auditores Ricardo Graiche e Ivaney Cayres Souza acompanharam o relator na decisão.

Juiz

Além do caso de racismo, o Grêmio também foi punido em R$ 2 mil pelo lançamento de um rolo de papel higiênico no gramado e mais R$ 2 mil por ter atrasado o reinício da partida. O Santos, também pelo atraso, foi multado em R$ 4 mil. Em relação ao quarteto de arbitragem, o Tribunal entendeu que ele deveria ter relatado o incidente, mesmo sem certeza, uma vez que o jogo foi paralisado em razão do problema.

Assim, o árbitro Wilton Pereira Sampaio foi punido com a suspensão de 90 dias, mais pagamento de multa de R$ 1600. Os auxiliares Kleber Lúcio Gil e Carlos Berkenbrock e o quarto árbitro Roger Goulart foram multados em R$ 1.000 e ficarão suspensos por 30 dias. O assessor Luiz Cunha Martins foi absolvido de todas as acusações.

 

Fonte:

EBC

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