Esporte
Ginástica de trampolim revela novos talentos
Nova modalidade
Inspirada na cama elástica circense, a ginástica de trampolim foi criada em 1936, passando a integrar o programa olímpico em 2000, nos Jogos de Sydney, na Austrália. No Brasil, o aparelho está presente em muitas escolinhas de ginástica, mas só aparece como modalidade competitiva em 20 instituições, entre projetos sociais, clubes e escolas particulares. Hoje, são 300 praticantes do esporte no País, concentrados em estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
No trampolim, em saltos que levam nomes como Barani, Fliffis, Miller e Rudy, os ginastas dão mortais, saltam para trás, arriscam duplas e triplas piruetas, alcançam até oito metros de altura. “Precisa de muita coragem”, avisa Gustavo Melo Peixoto, de 11 anos. “Eu já caí várias vezes de cabeça, quase quebrei o pescoço.” O braço do atleta do Colégio Santo Agostinho, de Contagem (MG), já foi fraturado em um treino em casa. “Mas bola pra frente, né?”
“Eu faço ginástica artística também, mas, se tiver que escolher, fico com o trampolim”, conta Gustavo. “Prefiro pular e fazer piruetas e mortais do que aberturas e série de solo. Minha paixão mesmo é a ginástica de trampolim.” Em setembro deste ano, o ginasta participou do Torneio Nacional de Ginástica de Trampolim, em Goiânia (GO), que reúne crianças e jovens ginastas amadores. Competindo na categoria infantil (11 e 12 anos), Gustavo conquistou três medalhas de ouro, nas provas de trampolim, duplo minitrampolim e tumbling.
Início na ginástica artística
A maior parte dos ginastas de trampolim começa na ginástica artística. Este é o caminho indicado pela carioca Tatiana Figueiredo, diretora do núcleo de ginástica que leva seu nome. “A técnica é aprendida na ginástica artística, depois eles aprendem os elementos específicos do trampolim”, explica a técnica, que também é coordenadora da seleção brasileira de ginástica de trampolim.
Há três meses no trampolim, Lara Blanco Cavallieri, de 11 anos, já treinava ginástica artística desde os seis anos. “Os elementos têm outros nomes e [a modalidade] exige uma postura diferente da ginástica artística. É uma modalidade em que você tem que pensar mais, se concentrar mais”, avalia a atleta de São Paulo (SP). A experiência de Lara no solo da ginástica artística pode ser bem aproveitada no tablado da ginástica de trampolim, o tumbling, pista de 26 metros de comprimento que impulsiona os ginastas para séries com várias acrobacias seguidas.
“O tablado do tumbling é feito com fibras de vidro. Ele dá bem mais impulsão que o tablado da artística, que é mais firme”, explica a treinadora do Club Athletico Paulistano, Junia Cerqueira Haliski, professora da Lara. “Agora ela faz o mesmo exercício, mas o movimento sai diferente, porque o tablado é diferente, então ela está se adaptando. Ela pegou muito rápido, nossa ideia é que no ano que vem ela já participe do Campeonato Brasileiro. A Lara é nossa grande aposta”, diz Junia.
Exceção
Revelação no trampolim, o ginasta Pedro Afonso Félix de Moura, de 13 anos, é exceção à regra. Sem nunca ter praticado ginástica artística, o atleta da Prefeitura de Contagem participou do Mundial por Idades (11 a 18 anos) do ano passado, na Bulgária, apenas um ano e três meses depois de começar na modalidade. “Lá eu vi os chineses, os americanos. Olhando para eles, a gente vê que tem que melhorar muito a nossa técnica”, avalia o campeão de trampolim na categoria júnior (13 a 17 anos) no Campeonato Brasileiro 2014.
A equipe de Pedro é exemplo de bons resultados nas categorias de base. A equipe da Prefeitura de Contagem (MG) classificou seis atletas para o Mundial por Idades de 2013 e oito para a edição deste ano, que será disputada, em novembro, nos Estados Unidos. O técnico André Henrique Silva conta que os jovens atletas da equipe mineira treinam quatro horas por dia, cinco vezes por semana.
Inspiração canadense
Treinando ginástica artística desde os cinco anos – e trampolim desde os sete – Camilla Gomes, de 20 anos, foi 13 vezes campeã brasileira de trampolim e 26ª colocada no Mundial Elite do ano passado. A carioca já tem vaga garantida nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá, em 2015, conquistada no Pan-Americano da modalidade. Na competição disputada em agosto deste ano, em Mississauga, no Canadá, Camilla foi bronze no individual e prata no trampolim sincronizado, com a ginasta Joana Perez.
Por ser país-sede, o Brasil tem direito a um representante do trampolim nos Jogos do Rio, em 2016, mas pode classificar mais um, de acordo com os resultados do Mundial da modalidade, em novembro. “Eu não quero entrar por essa vaga garantida, quero conseguir a minha vaga para a Olimpíada dentro do Mundial”, revela Camilla. “O topo do trampolim é a China, mas as canadenses estão se desenvolvendo e começando a ganhar. A atual campeã mundial é canadense. Então é nisso que eu me inspiro. Podemos conseguir mais, alcançando o que a gente quiser.”
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