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Recordista em Olimpíadas, Formiga quer mais no Rio 2016

Olimpíadas

Miraildes Maciel Mota quer repetir o gosto de conquistar o ouro pelo futebol feminino em casa, como no Pan Americano de 2007
por Portal Brasil publicado: 29/11/2014 15h18 última modificação: 29/11/2014 15h18

Se tem futebol feminino nas Olimpíadas, lá está ela. Recordista na modalidade com cinco participações -- Atlanta (1996); Sydney (2000); Atenas (2004); Pequim (2008) e Londres (2012) --, Miraildes Maciel Mota, mais conhecida por Formiga, quer ampliar a marca em 2016.

Disposição não faltará à jogadora de 36 anos, ainda mais com o torneio sendo disputado no Brasil.

Ela quer repetir o gosto de conquistar o ouro em casa, como no Pan Americano de 2007 no Rio de Janeiro, mas, sabe que a pressão para as atletas mais jovens pode ser grande.

Com a experiência de 20 anos de Seleção Brasileira, a meio-campista tem consciência de sua importância, que vai além das quatro linhas.

“O que eu posso fazer para ajudar o grupo, porque a gente tem uma responsabilidade a mais pela experiência, é levar um pouco do fardo para as meninas mais novas. Temos que nos preparar em tudo. Mentalmente, então, é o principal”, explica Formiga, para pedir o apoio da torcida, como foi no Pan do Rio.

Vocação

Parece algo natural, uma brincadeira, para quem diz que já nasceu com intimidade com a bola. “Eu já nasci com o dom, eu necessitava de um ‘empurrãozinho’ para evoluir e consegui com pessoas do bem, que acreditaram em mim”.

O agradecimento não fica restrito a antigos treinadores e à família, se estende a atletas como Sissi, Pretinha, Meg, Marisa, Suzy e outras pioneiras do futebol feminino, com quem Formiga mantém contato até hoje.

“Elas foram as pioneiras. Quando eu cheguei, elas já estavam e abriram caminho para mim. Foram elas que seguraram a bucha lá atrás, para que hoje o futebol feminino esteja como está. O papel delas foi fundamental. Não desistiram em momento algum. Eu converso com algumas daquela época. Elas ficaram muito felizes em saber que o grupo de 2004 conseguiu um feito muito grande e elas fizeram parte disso.”

Quase lá...

O feito citado por Formiga foi a medalha de prata nas Olimpíadas de Atenas.

“Sentimos que estava chegando o momento de conquistar algo, para mudar de vez a cara do futebol feminino no nosso País. Ali era a nossa chance. A gente percebeu que algumas das principais jogadoras das outras seleções haviam saído. Nossa equipe também estava renovada, mas, ainda tínhamos meninas mais experientes. O Renê Simões (técnico) chegou e fez com que a gente acreditasse que podia conseguir um pódio”, relata.

A campanha brasileira foi construída com duas goleadas, duas vitórias pelo placar mínimo e uma derrota para os EUA na primeira fase. Na disputa pelo ouro, novo confronto contra as norte-americanas.

O Brasil dominou a partida, mandou duas bolas na trave e teve inúmeras chances de gol.

Mas quem marcou primeiro foram as adversárias. A equipe verde e amarelo buscou o empate e manteve a pressão no tempo extra, quando novamente levou um gol e não conseguiu reagir. Final 2 x 1.

Na edição seguinte, em Pequim, a façanha foi repetida e com roteiro parecido.

O Brasil teve um empate e duas vitórias na primeira fase, passou por 2 x 1 da Noruega nas quartas de final e atropelou a Alemanha por 4 x 1 na semifinal.

Na briga pelo lugar mais alto do pódio, novamente as norte-americanas pela frente. O domínio foi brasileiro durante a maior parte do tempo normal e da prorrogação.

Mas novamente no tempo extra os EUA conseguiram marcar e venceram por 1 x 0.

“Chegou certo momento do jogo, depois de uma bola na trave nossa, que eu olhei para cima e disse: ‘meu Deus, não é nosso né?’ Quando acabou vi as meninas jogadas no chão chorando. Falei: ‘como é que pode?’ Não caiu uma lágrima dos meus olhos. Agradeci, porque sabia que se não aconteceu naquele momento é porque vai acontecer lá na frente, mas isso é para acordar alguém no nosso país. Depois fui abraçar cada uma delas.”

Concentração

Para a jogadora, a Seleção Brasileira deve ser trabalhada psicologicamente para ter uma postura parecida com as rivais. “É mal de brasileiro. Acho que em quase todas as modalidades, quando chega à final dá aquela relaxada. São segundos que se perde o foco e a partida."

"Temos que estar concentradas até o último minuto. As americanas e as alemãs são muito frias. Elas podem estar perdendo por 2 x 0 faltando três minutos, vamos supor, que conseguem ir lá e virar a situação. Elas vão até o último acreditando. É o que a gente tem que fazer, puxar essa parte da frieza delas e trabalhar o nosso psicológico”.

"Ela sabe que terá um papel fundamental para passar essa tranquilidade às companheiras mais jovens e já se prepara para ampliar o recorde em Olimpíadas. “Você não sabe o que é chegar a uma final. Passa tanta coisa na sua cabeça. Um filme da primeira até a última Olimpíada. Tudo que eu fiz, tantas meninas com quem já joguei... Muda o ciclo e penso: ‘como vai ser daqui a quatro anos? Será que vou estar?”, questiona. 

Fonte:

Ministério do Esporte

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