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Atleta ferido na Guerra da Síria realiza sonho olímpico na marcha da tocha

Rio 2016

Ibrahim Al-Hussein perdeu parte da perna direita após explosão e batalha para disputar a Paralimpíada do Rio
publicado: 27/04/2016 18h00 última modificação: 27/04/2016 20h29
Roberto Castro/Brasil2016 Ibrahim se emocionou: "Após 22 anos como atleta, finalmente alcancei as Olimpíadas"

Ibrahim se emocionou: "Após 22 anos como atleta, finalmente alcancei as Olimpíadas"

Quando foi gravemente ferido por uma bomba em sua cidade-natal Deir Ezzor, na Síria, em 2012, Ibrahim Al-Hussein, 27 anos, jamais poderia supor que anos depois participaria do revezamento da tocha olímpica dos Jogos Rio 2016. A explosão decepou a parte inferior de sua perna direita e acabou com o sonho de ser um atleta olímpico em modalidades como natação, judô e basquete. A realização, porém, veio de outra forma. "Após 22 anos como atleta, finalmente alcancei a Olimpíada", celebrou, portando a tocha em frente ao campo de refugiados de Eleonas.

Na Grécia desde 2014, onde chegou em um barco pela Ilha Samos, o sírio deu início à volta por cima em sua vida, arrumou emprego e passou a se dedicar ao esporte, prática que tinha abandonado desde o acidente. Apesar de também jogar basquete em cadeira de rodas, é na natação que o sírio se destaca. Ele treina em uma ONG para atletas com deficiência em Atenas. E espera competir na Paralimpíada do Rio. "Eu realmente espero estar nos Jogos do Brasil. E quero ir pela Grécia. Amo a Grécia", disse.

A cidade de Ibrahim, Deir Ezzor, no leste da Síria, ainda convive com conflitos entre milícias sírias e integrantes do Estado Islâmico. A situação é tão grave que no início deste mês a ONU teve de lançar comida para a população do local, sitiado, por meio de aviões. "Eu carreguei a tocha não apenas por mim ou pelos sírios, mas por todos os que passam dificuldades. É uma honra portar a tocha que vai para os Jogos Olímpicos", disse.

A busca por dias melhores, e principalmente por escapar de regiões em guerra, levou um milhão de refugiados para a Europa em 2015, vindos da África, Ásia e Oriente Médio. O campo de refugiados de Eleonas, a poucos minutos de centro de Atenas, abriga 1,6 mil pessoas vindas de Síria, Afeganistão, Mali e outros países. "É muito bonito ver a tocha passando pelo acampamento. Agradeço à Grécia por tudo o que tem sido feito pelos refugiados", afirmou o atleta, que não mora mais no local.

Para Ibrahim, é preciso que os refugiados continuem acreditando em um futuro feliz. "Não fiquem nos acampamentos fazendo nada. Saiam e façam seus sonhos acontecerem."

O carregador que passou a chama para Ibrahim foi o presidente do Comitê Olímpico Helênico, Spyros Capralos. Em suas palavras, um dos maiores momentos de sua vida no esporte. "Estamos empolgados com o grande símbolo dos Jogos vir aqui para o campo de refugiados de Eleonas", disse. Capralos também elogiou o atleta sírio e a importância do esporte para o mundo. "A tocha nas mãos do Ibrahim nos mostra que o esporte pode fazer um mundo melhor para todos", disse.

Em busca do futuro

O profissional de marketing Sayed Akbar Hashimi, 29, estava empolgado por receber a tocha olímpica no campo. "É um momento único. Nunca vi a tocha e estou feliz por toda essa multidão reunida aqui. Nos traz sentimentos, inspirações."

A história de Sayed, há três meses morando no campo, representa um pouco da maioria dos refugiados que ali estão. Fogem da guerra, deixam tudo para trás e enfrentam dificuldades em outras terras, como falta de emprego, idioma diferente, estrutura precária e preconceito. "Não posso falar que isso aqui é vida. Não é. Nós apenas sobrevivemos, tentamos nos manter vivos. Aqui moram milhares de refugiados que estão longe de casa", comentou. Morador de Cabul, o refugiado não esconde, porém, o alívio de morar em um lugar seguro.

Em sua cidade-natal, escapou de dois atentados à bomba e resolveu ir embora para a Europa. "A primeira vez foi em uma escola construída pelos franceses. Eu estava dentro do teatro, e a bomba explodiu", lembrou. Poucos dias depois, aconteceu de novo. "É assim todos os dias lá. Saímos para trabalhar e não sabemos se vamos voltar vivos. Não há futuro para nós e para nossas crianças", afirmou.

Chelsea não!

A presença da tocha olímpica mudou a rotina do campo de refugiados de Eleonas. Mesmo assim, ainda teve gente que nem sequer ligou para a "visita ilustre". Sete refugiados de Mali e da República Democrática do Congo fundaram o SOS Childrens Village  time de futebol do local  e, durante a passagem do revezamento, seguiram rigorosamente a rotina de "treinos" no campinho improvisado de terra batida.

Inspirados pelo exigente treinador Eboe Ebifae, que gritava o tempo com seus comandados, eles nem deram bola para Ibrahim Al-Hussein. Os "atletas" corriam, trocavam passes e davam chutes a gol. O único que fala inglês no time, Ebifae explicou que usa o esporte dentro do campo de refugiados como uma tentativa de trazer alegria àquele povo. "Sofremos muito para estar aqui e buscamos um pouco de dignidade. O futebol é a alegria deles. Assim, mesmo sem disputar campeonato algum, treinamos três vezes por semana", destacou o técnico.

Perguntado se as cores do time lembravam o inglês e multicampeão Chelsea, foi enfático. "Esse uniforme não é do Chelsea. É do SOS Childrens Village", disse, orgulhoso.

Fonte: Portal Brasil, com informações do Brasil 2016

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