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Tocha olímpica chega a Governador Valadares

Rio 2016

Capital mundial do voo livre, a cidade recebeu revezamento com atletas ilustres e medalhistas olímpicos
publicado: 12/05/2016 14h00 última modificação: 12/05/2016 16h44
Ivo Lima/ Ministério do Esporte Cuattrin (E) recebeu a chama de Douglas Krenak e a conduziu em um trecho sobre o rio

Cuattrin (E) recebeu a chama de Douglas Krenak e a conduziu em um trecho sobre o rio

Do alto dos seus 1.123 metros de altitude, o Pico do Ibituruna emoldura o cenário de onde, nesta quarta-feira (11), a tocha olímpica saltou de parapente e sobrevoou o rio Doce até pousar no centro de Governador Valadares. Moisés Sodré, o Moka, de 48 anos, fez as vezes do condutor responsável pelo início de um espetáculo que mobilizou moradores daquela que é considerada a capital mundial do voo livre.

Adenízia da Silva, campeã com a seleção brasileira de vôlei nos Jogos de Londres, em 2012, e o canoísta Sebastián Cuattrin foram dois dos 65 homens e mulheres que empunharam a tocha por 13 quilômetros do município de 264 mil habitantes (dados do IBGE de 2010). A abertura do trajeto teve o céu colorido por parapentes pilotados por atletas amadores do esporte radical que fizeram a escolta da tocha. "Como piloto e atleta, esse foi um momento único que tivemos por aqui e que, na minha geração, certamente, não se repetirá", disse Moka.

Uma bandeira se destacava entre os que aguardavam pela passagem da tocha. Era da cidade de Sobrália, a 45 quilômetros de Governador Valadares. Um grupo de meninos fãs de esporte pegou a estrada especialmente para prestigiar o professor da escolinha de futebol na qual estudam, escalado para transportar a chama dos jogos Rio 2016. Fábio de Oliveira, o mestre, criou o projeto Gol de Placa, que ministra aulas grátis a todos os interessados. "Estamos nos preparando há mais de duas semanas", contou Thiago Pereira da Silva, 10 anos, aluno do projeto.

Com o corpo pintado com jenipapo, Douglas Krenak (foto), de 33 anos, preparava-se para a cerimônia de revezamento já no início da tarde. Morador de uma aldeia a 130 km de Governador Valadares, o filho de índios aprendeu no rio Doce a remar, praticou futebol de campo e vê na chama olímpica o símbolo de continuidade do esporte entre seu povo e as próximas gerações. "Na minha tribo, o fogo representa o nascimento, o que é muito significativo. É a vida", disse ele, que já participou de jogos indígenas em Guaíra, no Paraná.

Sheila Krenak, irmã de Douglas, resgatou a tradição de pintura da etnia para acompanhá-lo em seu momento de prestígio. "Muitas pessoas acham que fomos extintos, mas estamos aqui, fazendo parte da cidadania brasileira." Emocionada, refletiu sobre a crescente desvalorização da cultura indígena e a natureza atlética dos povos das florestas e matas brasileiras. "Somos esportistas. Vivemos às margens de um rio, caçamos, pescamos, coletamos, nossa religião é voltada para a questão ambiental", relembrou.

Ela estava acompanhando por um grupo de cerca de 50 índios em trajes de festa. Enquanto Douglas aguardava sua vez de conduzir o símbolo olímpico, eles estavam na calçada balançando chocalhos e ensaiando passos ritualísticos. Quando o fogo foi aceso, todos cercaram o condutor em um abraço coletivo. Assim, unidos, cantando e dançando seus passos sagrados, eles percorreram os 200 metros do trajeto.

Ao se aproximarem do ponto de transição, Douglas parou de frente para os outros índios, todos intensificaram o ritual e aumentaram o volume dos cânticos, assistidos com admiração pelo condutor seguinte, o canoísta Cuattrin.

De tão ansioso, Sebastián Cuattrin havia chegado ao local de encontro de condutores duas horas antes do previsto. Cuattrin foi campeão brasileiro – já participou de 132 campeonatos nacionais – sul-americano, pan-americano e ficou na oitava colocação em um campeonato mundial de canoagem. Seu maior feito, no entanto, foi disputar quatro olimpíadas, conquistando oitavo lugar em uma final. "Conduzir essa chama te remete a tudo que você fez na carreira, e o legado que ela deixa é esportivo: as pessoas se voltam para os ideais da disciplina, de fazer melhor, de excelência e vontade de vencer", salientou. Ele já é experimentado na condução de símbolos olímpicos. Em 2004, quando foi realizado o primeiro revezamento internacional, a tocha passou pelo Rio de Janeiro e Cuattrin teve o privilégio de carregá-la.

Cuatrin recebeu a tocha de Douglas Krenak e a levou para um recanto da cidade que faz parte de sua própria história. Ele passou pela Ponte da Ilha, reformada por seu pai, um engenheiro já falecido. Abaixo dela corre o rio onde ele deu suas primeiras remadas. Pouco antes de deixar o fogo olímpico seguir seu caminho, exclamou: "isso aqui é bom demais!"

Sabor especial

Campeã olímpica em Londres há quatro anos, Adenízia teve seu primeiro contato com o vôlei aos 9 anos, a convite de um professor, em Governador Valadares. Tantos títulos conquistados ao longo de duas décadas custaram muito esforço e dedicação da jogadora, mas representar sua modalidade esportiva na condução do símbolo dos Jogos Rio 2016 teve sabor especial. "Correr esses 200 metros na minha cidade foi mais difícil que ganhar uma medalha olímpica", brincou Adenízia, responsável por acender a pira olímpica durante a cerimônia que se repete em todas as noites nas cidades-dormitório da tocha.

Revezamento da Tocha

Antes de chegar a Valadares, o revezamento da tocha cruzou as ruas de Datas, Serro e Guanhães. Nesta quinta-feira, a chama olímpica segue viagem e passa pela pequena Naque, Coronel Fabriciano e encerra a jornada em Itabira, no Vale do Aço mineiro.

Fonte: Portal Brasil, com informações do Brasil 2016

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