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Pesquisa mostra aumento no registro de tremores de terra no Nordeste
Os moradores de Alagoinha, no agreste de Pernambuco, a 227 quilômetros de Recife, sentiram no início de março o chão tremer 47 vezes em menos de 10 dias. Tremores de terra no Nordeste, que antes eram mais observados em determinados locais da região, passaram a ser identificados nos últimos anos em diversas outras cidades nordestinas, afirma o Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
“Estamos detectando atividade sísmica em várias localidades no Nordeste onde não sabíamos que havia”, conta o coordenador do laboratório, Joaquim Mendes Ferreira. “Só neste ano ocorreram abalos sísmicos na Bahia, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte”, enumera. Ferreira abordará esse assunto em uma conferência na 62ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que se realiza entre os próximos dias 25 e 30, em Natal (RN).
O abalo mais recente foi registrado na semana passada em Tacaimbó, também no agreste de Pernambuco. Já o de maior magnitude, que atingiu 4,3 graus na escala Richter, ocorreu no início do ano em Taipu (RN), e foi sentido em um raio de 350 quilômetros, atingindo a capital Natal (RN), Recife (PE) e João Pessoa (PB). Mas não há motivos para pânico, alertam os especialistas. A série histórica dos dados mostra que os abalos no Nordeste são de intensidade ligeira, ou seja, não costumam causar grandes danos. Dificilmente atingem magnitude acima de cinco graus na escala Richter.
De acordo com Ferreira, a constatação de um maior número de tremores no Nordeste se deve à melhoria na comunicação e ao aprimoramento dos instrumentos de monitoramento de atividade sísmica disponíveis na região. Isso possibilita detectar com maior precisão e rapidez abalos sísmicos que antes poderiam passar despercebidos.
O que os especialistas ainda não conseguiram explicar é porque há maior atividade sísmica na região do que em outras no Brasil. Uma das hipóteses é que a crosta continental de algumas áreas do Nordeste é menos espessa do que a de outras do País e, portanto, menos estável e mais propensa a abalos sísmicos.
Realizando pesquisas na região desde 1975, uma das descobertas do grupo de pesquisadores do Laboratório Sismológico da UFRN é que os tremores que estão ocorrendo, principalmente, em Pernambuco, estão relacionados à proximidade com uma ramificação do “lineamento de Pernambuco”, como é denominada uma falha geológica de cerca de 700 quilômetros, com cerca de 30 quilômetros de profundidade, que corta o estado. Isso já foi comprovado por eles.
Entretanto, os estudos ainda não conseguiram demonstrar que a atividade sísmica observada em outras cidades do Nordeste, como em Sobral (CE), tem relação direta com outro lineamento, o “Sobral-Pedro 2”, situado próximo à região.
A palestra de Ferreira será dia 28. Veja a programação completa do evento no site da SBPC.
Fonte:
Ministério da Ciência e Tecnologia
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