Você está aqui: Página Inicial > Governo > 2010 > 10 > País inicia 2a década do século XXI com queda inédita do desmatamento na Amazônia

Governo

País inicia 2a década do século XXI com queda inédita do desmatamento na Amazônia

por Portal Brasil publicado: 15/10/2010 20h25 última modificação: 28/07/2014 12h27
Exibir carrossel de imagens Divulgação/ Ministério do Meio Ambiente Mauro Pires, diretor de Combate ao Desmatamento do Ministério do Meio Ambiente

Mauro Pires, diretor de Combate ao Desmatamento do Ministério do Meio Ambiente

O Brasil inaugura a segunda década do século XXI com reduções históricas do desmatamento na Amazônia. É o que afirma o diretor de Combate ao Desmatamento do Ministério do Meio Ambiente, Mauro Pires, em entrevista à Editoria Internacional do Portal Brasil Segundo Pires, por trás dos bons resultados, há uma forte política pública, que passou a tratar o desmatamento como fenômeno que inclui vários segmentos da sociedade.

Olhando para o todo, a administração pública federal conseguiu criar uma estratégia que beneficia a biodiversidade brasileira e ajuda todo o planeta a enfrentar o aquecimento global, afirma o diretor.

Os detalhes sobre essa abordagem bem-sucedida adotada pelo Brasil estão na entrevista a seguir.


Portal Brasil: Em que situação se encontra hoje o desmatamento na Amazônia?

Mauro Pires: Em 2009, os satélites do Inpe registraram a menor taxa do desmatamento na Amazônia, desde 1988. Alcançamos a marca de 7,4 mil km², o que equivale a uma queda de 75%, se compararmos com taxa de 2004 (27mil km²). Sem dúvida é um bom resultado, mas vale ressaltar que essa área em termos absolutos ainda é muito grande. Por isso, não estamos satisfeitos e vamos continuar a combater o desmatamento ilegal.

PB: Qual é a lógica da política de combate ao desmatamento do governo federal? 

MP: Atuamos com base no Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento da Amazônia Legal (PPCDAm), lançado em 2004. Na perspectiva do plano, o desmatamento não é visto como um problema tipicamente ambiental, mas enfrentado como um desafio de todo o governo e associado às demais políticas públicas. Por isso, o plano intervém no ordenamento territorial e fundiário, no monitoramento e controle ambientais e no fomento a atividades produtivas sustentáveis. Nós sabemos que não iremos superar o desmatamento sem enfrentar questões estruturais da ocupação da terra na Amazônia. Por isso, no primeiro momento, investimos muito no ordenamento territorial e fundiário. Criamos mais de 58 milhões de hectares de áreas protegidas e introduzimos o macrozoneamento econômico e ecológico de toda a região. Mais de 60 mil títulos agrários foram inibidos [impedindo a venda das terras e financiamentos em bancos públicos]. Investimos em aprimoramento dos sistemas de detecção do desmatamento com a criação do Deter, um sistema que emite alertas de desmatamentos e auxilia a fiscalização. Reforçamos a inteligência investigativa, o que gerou operações mais focadas e no desbaratamento de quadrilhas associadas ao mercado ilegal de madeiras.

PB: E como essa ação do governo se desenvolve na prática?

MP: Em 2008, fizemos uma oficina com todos os órgãos operadores do governo envolvidos com o desmatamento e construímos o que chamamos de “arvore de problemas”. Aí, separamos causas e efeitos do desmate e qualificamos nossa concepção sobre as conexões entre as causas que incidem em mais desmatamento. Isso permitiu maior clareza sobre a nossa capacidade de intervenção. Vimos que, se os órgãos estaduais de meio ambiente não estiverem capacitados para exercer suas funções, nada adianta realizar a descentralização da gestão florestal. Se não investirmos em novas práticas produtivas que evitem a abertura de novas áreas de desmate, certamente teremos poucos resultados no combate. Por isso, aprimoramos o enfoque em alternativas econômicas ao desmatamento.

PB: Essa estratégia se aplica só à Amazônia? Quando os demais biomas receberão o mesmo tratamento?

MP: No mês de setembro, o presidente da República assinou o Decreto instituindo o Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas no bioma Cerrado – PPCerrado. O plano era uma expectativa da sociedade. Trata-se de uma intervenção do governo para lidar com uma região totalmente distinta da Amazônia, portanto a estratégia deve ser diferente, apesar de que os resultados alcançados nela nos inspiram em relação ao Cerrado. Uma das diferenças se refere ao papel do setor empresarial. No Cerrado, a maior parte das terras é de origem privada, enquanto na Amazônia, não. No Cerrado, o Código Florestal estabelece um percentual de reserva legal menor, entre 20% e 35% da propriedade. Na Amazônia esse percentual chega a 80%. O papel do setor privado no Cerrado é bem maior e o plano compreende isso. Daí que uma das estratégias é desenvolver mecanismos que estimulem a iniciativa privada a conservar suas áreas para além daquilo que a legislação determina. Não é fácil, mas é o caminho. Também queremos expandir a ação para o bioma Caatinga. Na verdade, optamos por atuar nas regiões mais críticas. Por isso, se iniciou pela Amazônia. Agora o Cerrado, depois Caatinga e, posteriormente, o Pantanal.

PB: É possível ao governo combater sozinho o desmatamento? Qual deve ser o papel do setor econômico?

MP: O setor econômico é essencial. Nenhuma iniciativa do governo irá adiante no combate ao desmatamento se não houver o engajamento do setor empresarial. Veja por exemplo o que está ocorrendo na pecuária no estado do Pará. A partir de um termo de ajustamento de conduta entre o Ministério Público Federal e os frigoríficos, passou-se a exigir critérios de regularidade ambiental dos fornecedores de carne. A consequência imediata foi um crescente número de proprietários em busca da regularização ambiental.

PB: Combater o desmatamento ajuda a conservar a biodiversidade?

MP: Sem dúvida, o Brasil é uma megapotência em biodiversidade e o desmatamento é a principal causa da perda da diversidade biológica. Reduzir o desmatamento significa muito para o País e o mundo. Iniciamos o século 21 com elevadas taxas de desmate e, ao iniciar a segunda década do novo milênio, estamos reduzindo cada vez mais. E temos compromissos nacionais voluntários de redução que vão nortear todas as políticas até 2020. Além disso, investimos muito na criação de áreas protegidas. O Brasil foi responsável por cerca de 70% do aumento de áreas protegidas em todo o mundo nos últimos anos. Não é pouca coisa. Vamos levar essa boa notícia à COP10.

 

Fonte:
Portal Brasil

Todo o conteúdo deste site está publicado sob a licença Creative Commons CC BY ND 3.0 Brasil CC BY ND 3.0 Brasil

registrado em:

banner_servico.jpg

Últimos vídeos

Michel Temez faz a primeira reunião ministerial
Michel Temer se reuniu com novos ministros no Palácio do Planalto. Eles discutiram medidas que serão anunciadas nos próximos dias
Dilma destaca importância da agricultura para ‪‎o País
No lançamento do Plano Safra 2016/2017, a presidenta fez um balanço do apoio do governo federal ao setor
No Dia do Trabalho, Dilma anuncia reajuste noBolsa Família
Haverá reajuste médio de 9% no valor do programa e reajuste de 5% na tabela do Imposto de Renda
Michel Temer se reuniu com novos ministros no Palácio do Planalto. Eles discutiram medidas que serão anunciadas nos próximos dias
Michel Temez faz a primeira reunião ministerial
No lançamento do Plano Safra 2016/2017, a presidenta fez um balanço do apoio do governo federal ao setor
Dilma destaca importância da agricultura para ‪‎o País
Haverá reajuste médio de 9% no valor do programa e reajuste de 5% na tabela do Imposto de Renda
No Dia do Trabalho, Dilma anuncia reajuste noBolsa Família

Últimas imagens

Somente em Salvador serão entregues 2.800 unidades
Somente em Salvador serão entregues 2.800 unidades
Foto: Isac Nóbrega/PR
Em vários momentos, integrantes dos movimentos sociais que assistiam à cerimônia gritaram “Não vai ter golpe”
Em vários momentos, integrantes dos movimentos sociais que assistiam à cerimônia gritaram “Não vai ter golpe”
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Ministro da Educação disse que reconhecer o resultado da eleição é fundamental para a democracia
Ministro da Educação disse que reconhecer o resultado da eleição é fundamental para a democracia
Divulgação/EBC
Presidenta Dilma cumprimenta Mauro Lopes em cerimônia de transmissão de cargo na manhã desta quinta-feira (17)
Presidenta Dilma cumprimenta Mauro Lopes em cerimônia de transmissão de cargo na manhã desta quinta-feira (17)
Foto: Elio Sales/SAC

Governo digital