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Militares brasileiros que atuaram em missões de paz na ONU recebem homenagem

por Portal Brasil publicado: 27/05/2011 11h03 última modificação: 28/07/2014 13h40

Usando a tradicional boina azul, símbolo da atuação pacífica das forças da Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 400 militares brasileiros que já participaram como mantenedores da paz em missões das Nações Unidas em áreas de conflito em todo o mundo serão homenageados, na manhã desta sexta-feira (27), no QG do Exército, durante solenidade que comemora o Dia Internacional dos Peacekeepers.

Ordem do Dia do ministro da Defesa, Nelson Jobim, será lida durante a cerimônia, destacando a atuação do Brasil em missões de paz no exterior. Haverá, em seguida, deposição de flores em homenagem aos mantenedores de paz brasileiros que morreram em missão das Nações Unidas destinadas a monitorar ou supervisionar cessar-fogos, tréguas ou acordos armistícios e combater a violência em áreas conflituosas.

Durante a solenidade, os peacekeepers desfilarão juntamente com tropas da Marinha, Exército e Aeronáutica. Representantes diplomáticos de nações que contribuem com as ações de paz da ONU foram convidados para assistir ao desfile e participar das homenagens. A solenidade será coordenada pelo Ministério da Defesa.

No momento, existem 2.249 peacekeepers brasileiros em missões da ONU em todo o mundo. A última missão em que peacekeepers brasileiros foram chamados a atuar foi a Força-Tarefa Marítima, aprovada pelo Ministério da Defesa, em janeiro deste ano, composta por dez oficiais e praças da Marinha brasileira, unidade que integra a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil). A maior missão de paz de que o Brasil participa é a Missão para a Estabilização do Haiti (Minustah), iniciada em 2004. Atuam no Haiti, hoje, 2.166 militares brasileiros.

Além de tropas militares no Haiti e da Força-Tarefa Marítima no Líbano, o Brasil possui no momento funcionários ou observadores militares em missões da ONU nas seguintes regiões do mundo: África Ocidental, 1 assessor militar; Sudão, 20 observadores militares e 2 funcionários; Libéria,1 oficial de ligação, 1 funcionário e 2 observadores militares; Costa do Marfim, 1 observador militar e 1 funcionário; Haiti, 23 funcionários; Timor-Leste, 3 observadores militares; Chipre, 1 funcionário; e Saara Ocidental, 11 observadores militares.


Histórico

O Brasil tem um histórico relevante de participação em missões de paz da ONU. A primeira experiência foi o envio do Batalhão Suez, uma unidade de infantaria de cerca de 600 homens ao Egito, de janeiro de 1957 a julho de 1967. A finalidade da missão, denominada 1ª. Força de Emergência das Nações Unidas (Unef 1) era evitar conflitos entre forças egípcias e israelenses. Durante os dez anos em que participou da tarefa, em Suez, o Brasil enviou cerca de 6.300 homens ao local, tendo inclusive exercido o comando operacional da missão, de janeiro de 1965 a janeiro de 1966.

O Brasil também deu apoio à Força de Segurança das Nações Unidas na Nova Guiné Ocidental, que operou entre agosto de setembro de 1962, por meio do envio de dois observadores militares que atuavam no Batalhão Suez.

Seguem outros fatos que dão destaque à atuação do Brasil em apoio às missões da ONU: envio de um observador militar para a Missão do Representante Permanente da ONU na República Dominicana, de 1965 a 1966; envio de dez observadores militares para a Missão de Observação da ONU na Índia e no Paquistão, de 1965 a 1966; envio de oito observadores militares para Angola de 1989 a 1991.

Durante a missão das Nações Unidas para a América Central, entre 1990 e 1992, o Brasil participou, com 21 observadores militares, da tarefa de estabelecer a paz em El Salvador e da Missão Desminado, esta com o encargo de limpar os campos de minas na Nicarágua. De 1991 a 1995, o Brasil contribuiu com oito observadores militares, além de médicos e policiais, para a 2ª. Missão de Verificação das Nações Unidas em Angola.

Em El Salvador, entre 1991 e 1995, o Brasil deu outra contribuição de paz: enviou 67 observadores militares, além de policiais, médicos e observadores eleitorais. Contribuição ainda mais forte foi dada a Moçambique, entre 1993 e 1994. Para lá foram enviados 26 observadores militares, policiais, observadores eleitorais e, entre junho e dezembro de 1994, uma companhia de infantaria de 170 militares.

Outras contribuições brasileiras foram destinadas a Uganda-Ruanda (1993 a 1994), antiga Iugoslávia (1992 a 1995), Angola (1995 a 1998), Croácia (de 1996 até hoje). O Brasil também participou de inúmeras missões de paz sob a égide da Organização dos Estados Americanos.

 

Missões de Paz da ONU

A ONU realiza dois tipos de operações destinadas a alcançar a paz em áreas conflituosas internacionais. A primeira delas é denominada Força dos Peacemakers, que se diferencia dos Peacekeepers por ser uma imposição da paz por meio de intervenção militar. Deste tipo de operações o Brasil não participa em decorrência de dois princípios constitucionais que vedam esta intervenção: a autodeterminação dos povos e a não intervenção em assuntos que dizem respeito à soberania de outras nações.

O Brasil integra a Força dos Peacekeepers da ONU por se tratar de operação que, a exemplo do que é realizado atualmente no Haiti, busca a manutenção da paz e a reconstrução da infraestrutura de países que passaram por conflitos internos.

 

Fonte:
Ministério da Defesa

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