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Assentados do Tocantins investem na apicultura e criam marca própria
Moradores do assentamento Entre Rios, em Palmas (TO), estão investindo na apicultura como fonte de renda. Das 105 famílias assentadas, 28 já se dedicam à atividade, que no ano passado resultou na produção de oito toneladas de mel, vendido, em média, a R$ 14 o litro. Para este ano, a estimativa é a de processamento de cerca de 12 toneladas do produto, comercializado ao valor médio de R$ 18 o litro, sob a marca própria “Mel Entre Rios”.
O assentamento produz 50% do mel coletado na capital e os apiários contam com mais de 500 caixas para criação de abelhas tradicionais (Apis mellifera). A maior parte da produção é adquirida pela prefeitura de Palmas para distribuição em escolas da rede pública da capital. O restante é vendido para a Cooperativa dos Apicultores de Palmas.
A partir de novembro, o mel do assentamento será comercializado no mercado em geral, a partir da inauguração do entreposto de mel de Palmas e da obtenção do selo de inspeção federal, cujos processos deverão ser concluídos em outubro. Toda a produção será beneficiada e embalada no entreposto, permitindo que o “Mel Entre Rios” seja distribuído a estabelecimentos comerciais.
As famílias investem, ainda, em outro segmento de mercado: a produção experimental de cosméticos a partir de mel e própolis. Na lista de itens estão xampu, condicionador, sabão, sabonete líquido, creme hidrante e protetor labial. As mulheres foram capacitadas pela Secretaria do Trabalho e Ação Social, que desde o ano passado vem promovendo cursos no próprio assentamento e sugeriu a elaboração de um projeto para a produção comercial dos cosméticos.
Renda segura
O agricultor familiar Antônio José é o maior produtor de mel do assentamento Entre Rios. O apiário localizado no lote onde vive com a mulher tem 110 caixas para a criação de abelhas tradicionais. No primeiro semestre, ele conseguiu processar uma tonelada do produto, a mesma quantidade que projeta coletar até o final do ano. A renda média mensal obtida chegou a superar R$ 3 mil.
A produção é vendida para a prefeitura local, além da Cooperativa dos Apicultores de Palmas, ao preço médio de R$ 20 o litro de mel. Ele também processou 300 quilos de cera, vendidos a R$ 40 o quilo.
Antônio José diz que a apicultura é a principal fonte de renda da família. Os lucros já foram investidos na ampliação do apiário e na aquisição de bens como moto, eletrodomésticos e móveis para a casa, além de outros equipamentos para a propriedade. "A maior dificuldade até o momento é a falta de registro sanitário para a comercialização da produção no mercado, problema que deve ser resolvido com o início das atividades do entreposto de mel de Palmas", afirma.
O apicultor diz que a atividade não demanda muito investimento e exige pouca mão de obra do agricultor familiar. Conforme Antônio José, o capital necessário para iniciar a produção é de cerca de R$ 2 mil, a serem utilizados na aquisição de dez caixas, um fumegador, macacão, dez quilos de cera e outros equipamentos de processamento. Apenas ele e a esposa são responsáveis por cuidar do apiário e do beneficiamento do mel coletado na parcela.
Antônio José garante que na primeira safra o apicultor tem o retorno do investimento e indica que em um apiário com um ano de criação podem ser coletados de 200 a 300 quilos de mel. "A atividade não exige investimento alto e o dia a dia é simples. A maior vantagem é o retorno certo e seguro", ressalta.
Capacitação
Moradores do assentamento Entre Rios e agricultores familiares da capital tocantinense participaram, na sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no estado, de um curso básico de apicultura, promovido pela Cooperativa dos Apicultores de Palmas. O treinamento começou em 19 de setembro e foi encerrado na última sexta-feira (23).
No último dia 22, foram realizados, também, o V Encontro de Apicultores e o III Encontro de Meliponicultores (criadores de abelhas sem ferrão) de Palmas. Organizados pela Cooperativa no auditório do Incra, os eventos contaram com a presença de produtores da capital e de municípios vizinhos.
Para o presidente da Cooperativa, Antonildo Alexandre Medeiros, os encontros foram importantes para capacitar os apicultores, debater os desafios da atividade e falar sobre os programas de incentivo existentes, já que a expectativa da entidade é ampliar a produção na capital. "Discutimos temas relevantes, como potencialidade e rentabilidade, segurança no trabalho, financiamento e comercialização da produção", comenta.
Ele reitera que a inauguração do entreposto da capital, em outubro, é fundamental para resolver as questões de certificação sanitária e de comercialização da produção dos assentamentos e pequenos produtores. "Há um esforço para assegurar o desenvolvimento do setor e vamos incentivar mais agricultores familiares a diversificarem sua renda com a apicultura", afirma Medeiros.
O próximo evento sobre o tema que será realizado na região é o I Congresso de Apicultura e Meliponicultura da Amazônia, no período de 20 a 22 de outubro, no Espaço Cultural, em Palmas. Na internet podem ser obtidas informações e realizadas as inscrições no congresso.
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