Governo
Brasil apoiará ações de emergência sanitária contra aftosa no Paraguai
Especialistas brasileiros foram convocados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para auxiliar as autoridades paraguaias na investigação e erradicação do foco de febre aftosa. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (5), em conjunto com os demais países integrantes do Comitê Veterinário Permanente do Conesul (CVP), após o encerramento da reunião ordinária realizada em paralelo ao Encontro Nacional de Defesa Sanitária Animal (Endesa). O apoio surgiu a pedido do presidente do Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Animal (Senacsa, sigla em espanhol), Carlos Simon.
A ideia é integrar os serviços veterinários e definir uma estratégia conjunta para controlar o foco da doença no país vizinho. Segundo Simon, o país vem adotando todos os procedimentos recomendados pela OIE e já sacrificou 819 bovinos, mas precisará de apoio técnico e científico para avançar no processo.
O reforço já foi solicitado também ao Centro Panamericano de Febre Aftosa (Panaftosa, sigla em espanhol), que deverá formular um plano de cooperação e enviar uma missão ao país nos próximos dias.
A estimativa é de que os prejuízos provocados pela doença alcancem os US$ 300 milhões até o final do ano no Paraguai. “Risco zero não existe em nenhum país do mundo. Até mesmo o Japão, que é uma ilha, teve um caso recentemente. É um inimigo invisível e permanente, que exige um trabalho que não cessa jamais”, reforça o diretor do DSA e representante do Brasil no CVP, Guilherme Marques.
O Ministério da Agricultura deverá contribuir com apoio operacional e de especialistas das áreas de epidemiologia, vigilância e diagnóstico laboratorial, além das medidas de prevenção que já vêm sendo intensificadas pelo Brasil na fronteira com o Paraguai desde a notificação do foco, em 19 de setembro.
Medidas brasileiras
No Brasil, uma série de medidas já foram adotadas para evitar que a doença acometa os animais brasileiros. O alerta sanitário foi acionado nos quatro estados mais próximos ao país afetado – Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul —, que também receberam um contigente militar para apoiar a fiscalização até o final de outubro . Também foi proibida a importação de animais suscetíveis e produtos que representem risco aos animais do País.
De acordo com Marques, o Brasil desenvolve um trabalho de prevenção diferenciado na divisa com o Paraguai desde 2007 – quando foi definida a Zona de Alta Vigilância (ZAV) - e, hoje, o País é uma referência profissional, técnica e econômica para a América do Sul, com o maior rebanho comercial do mundo.
“Nunca estivemos tão preparados para enfrentar um desafio externo como agora. As estruturas veterinárias brasileiras, tanto no âmbito federal quanto estadual, estão aptas a reduzir de forma bastante expressiva o risco de reintrodução da febre aftosa no Brasil”, avalia.
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