Governo
Crimes levantados pela CNV ocorriam principalmente em instalações do Estado
Comissão da Verdade
Os crimes levantados pela Comissão Nacional da Verdade ocorriam em lugares públicos, como manifestações de rua e estradas, mas principalmente em instalações do próprio Estado.
Entre elas, destaca-se o Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), órgão subordinado ao Exército, de inteligência e repressão do governo brasileiro durante o regime inaugurado com o golpe militar de 31 de março de 1964. Havia unidades desse órgão em praticamente todos os estados da federação.
Acesse aqui o relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV)
Os DOI eram comandados por majores de Infantaria do Exército e militares das três forças armas, além de integrantes das polícias militares estaduais e das polícias civis.
O Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), criado desde o Estado Novo, na época de Getúlio Vargas, seria mais tarde usado na ditadura militar de 1964 para controlar e reprimir movimentos políticos e sociais contrários ao regime.
Durante a segunda metade da década de 1940 a 1969, o DEOPS abrigava as Delegacias de Ordem Política, de Ordem Social, de Estrangeiros, de Ordem Econômica, de Armas e Explosivos e,também, o Serviço Secreto.
A Delegacia de Ordem Social era responsável por investigar todos os tipos de movimentos sociais, como greves, campanhas contra a carestia, associações de amigos de bairros, bem como fiscalizar a ação dos sindicatos e dos trabalhadores organizados, produzindo inquéritos, relatórios e prontuários de presos e investigar os movimentos nas cidades do interior do estado de São Paulo.
Cada uma das forças armadas dispunha de seu próprio centro de inteligência, investigação e tortura. O Centro de Informações da Marinha (Cenimar), por exemplo, foi criado em 1957, com a finalidade de obter informações de interesse da Marinha do Brasil, conforme as diretrizes do Estado-Maior da Armada.
O Exército tinha o seu centro de informações, o CIEx. O Centro de Informações da Aeronáutica (Cisa), da Força Aérea Brasileira, foi precedido pelo Serviço de Informações da Aeronáutica (1968), pelo Serviço de Informações de Segurança da Aeronáutica (1969) e pelo Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica (1970), sendo afinal extinto em 1988 e substituído pela Secretaria de Inteligência da Aeronáutica (Secint). Em agosto de 2004, o órgão passou a compor a estrutura do Comando da Aeronáutica, sob a sigla de Centro de Inteligência da Aeronáutica (Ciaer).
Todos esses órgãos integravam uma rede de serviços de informações criada pelas Forças Armadas com o objetivo de colher informações que consideravam relevantes para o a segurança nacional do regime.
O Sistema Nacional de Informações era encabeçado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI), criado em 1964, com o objetivo de supervisionar e coordenar as atividades de informações e contra-informações no Brasil e exterior. O SNI foi sucedido pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), criada em 1999, pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.
Outro centro de tortura e assassinatos de fama funesta é a Casa da Morte, nome pelo qual ficou uma casa emprestada por um simpatizante da ditadura aos órgãos da ditadura militar, na cidade de Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro.
Nesse local, diversos presos políticos capturados foram torturados e assassinados por militares durante a década de 70, segundo denúncias da sobrevivente, militante da VAR-Palmares, Inês Etienne Romeu, que foi estuprada e torturada por mais de três meses no local, antes de ser jogada quase morta em uma rua do subúrbio do Rio.
Além de bases aéreas e outras instituições militares, destacam-se instalações do Exercito em vários estados, Departamentos de Policia Federal (DPF), da Policia Militar (PM) e mesmo o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER).
Para a Comissão Nacional da Verdade, não foi tarefa fácil fazer o levantamento desses locais e órgãos de tortura e assassinato. “Questão de segurança” ainda é uma expressão constante na fala de muitos sobreviventes da violência do período.
Para reduzir os riscos que a militância impunha, foram treinados a guardar segredo sobre o tema, principalmente em casa. Para inúmeras famílias de perseguidos políticos, o assunto segue sendo tabu.
Condicionados a esquecer, têm muita dificuldade de lembrar, por exemplo, nomes e endereços de conhecidos daquela época. Com o passar dos anos, o imperativo de “não recordar” acabou por se transformar em uma espécie de seqüela daquele tempo – a memória “que falha” ou “nunca mais foi igual”.
Em muitos casos, como o de Priscila Arantes, foram necessários anos, ou mesmo décadas, para que determinada lembrança fosse compartilhada.
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