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Laudo é inconclusivo sobre a morte de João Goulart

Ditadura militar

Segundo o médico perito Jorge Perez, do ponto de vista científico não se pode excluir a hipótese de envenenamento, nem confirmá-la
por Portal Brasil publicado: 01/12/2014 12h42 última modificação: 09/12/2014 18h01
Divulgação/EBC Família do ex-presidente Jango solicitou a reabertura das investigações sobre a morte do político em 2007

Família do ex-presidente Jango solicitou a reabertura das investigações sobre a morte do político em 2007

O resultado do laudo da perícia sobre a morte do ex-presidente do Brasil, João Belchior Marques Goulart, o Jango, foi inconclusivo, segundo a Polícia Federal. Das substâncias analisadas pela perícia, não foram identificados elementos para determinar se a causa da morte foi natural ou violenta.

O anúncio foi feito nesta segunda (1º) pela ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), Ideli Salvatti, e pelos peritos criminais federais Amaury Alan Junior e Jefferson Evangelista Correa.

De acordo com Jefferson Evangelista Correa, nenhum medicamento tóxico ou de envenenamento foi encontrado. Além disso, não havia sinal de violação da sepultura ou da esquife e também não havia sinal de morte violenta.

"Do ponto de vista científico, as duas possibilidades não podem ser  excluída [envenenamento ou morte natural]. É importante que as perícias continuem", afirmou o um dos integrantes da equipe internacional de trabalho, o médico perito Jorge Perez.

A ministra da SDH afirmou que o anúncio de hoje é parte de um processo de investigação. A família do ex-presidente Jango solicitou a reabertura das investigações sobre a morte do político em 2007.

Segundo Amaury Alan Junior, o documento, que ficará em poder da Polícia Federal (PF), foi produzido de forma totalmente consensual entre os profissionais envolvidos nas análises.

Segundo Ideli, o sigilo do documento busca manter a privacidade dos dados obtidos. De acordo com a Ministra, qualquer órgão que desejar acessar essas informações deverá solicitar à PF.

O filho mais velho de Jango, João Vicente Goulart, agradeceu ao governo brasileiro e à PF pelos esforços na investigação e ressaltou que esse é um dos passos importantes para que todos os casos ainda não resolvidos da época da ditadura sejam esclarecidos. Disse também que a família continuará na luta por uma conclusão sobre a causa da morte de Jango.

No encerramento do anúncio, Ideli ressaltou que esse processo faz parte do resgate da história do Brasil e rechaçou as declarações que alguns cidadãos brasileiros têm feito solicitando a volta do Regime Militar.

Perícia

O trabalho de perícia foi executado por profissionais do Brasil, da Argentina, do Uruguai, de Cuba, representantes da Cruz Vermelha e do Ministério Público Federal, além da família de Jango. 

Os restos mortais do ex-presidente foram exumados há um ano, em São Borja (RS), sua cidade natal. Ao todo, três laboratórios foram responsáveis pelos laudos finais:

  1. O brasileiro TASQA Serviços Analíticos, que analisou os gases liberados no momento da exumação;
  2. O português Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, queexaminou os restos mortais; e
  3. O espanhol Serviço Externo de Ciências y Técnicas Forenses, que também examinou os restos mortais.

João Goulart (Jango)

João Belchior Marques Goulart (Jango) foi vice-presidente da República pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) nos mandatos dos ex-presidentes Juscelino Kubitschek e Jânio Quadros. Jango também foi deputado federal e ministro do Trabalho, Indústria e Comércio no segundo governo de Getúlio Vargas.

Após a renuncia de Jânio Quadros, em agosto de 1961, João Goulart assumiu a presidência, no dia 7 de setembro do mesmo ano, porém em regime Parlamentarista.

O golpe militar ocorreu no dia 31 de março de 1964. Entre as razões para a atitude, estão perfil mais ligado à classe trabalhadora e as reformas (agrária, tributária, administrativa, bancária e educacional) promovidas por Jango. Um dos ícones do golpe foi a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, com o objetivo de dar apoio aos militares. 

Após deixar o governo, Jango se refugiou no Rio Grande do Sul. De lá, foi para o exílio no Uruguai e na Argentina, onde morreu, em 1976. O laudo oficial, feito à época, afirma que ele sofreu um ataque cardíaco.

Entretanto, havia suspeitas de que ele tenha sido envenenado por uma cápsula colocada no frasco de medicamentos que tomava para combater problemas no coração.

A família de Jango acredita que ele teria sido assassinato em uma ação da Operação Condor, aliança entre as ditaduras militares da América do Sul nos anos 1970 para perseguir opositores dos regimes.

Fonte:
Portal Brasil

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