Governo
Consternada com execução de brasileiro, Dilma chama embaixador na Indonésia para consultas
Relações internacionais
A presidenta Dilma Rousseff lamentou neste sábado (17) a execução do brasileiro Marco Archer ocorrida às 15h31, horário de Brasília, na Indonésia. A presidenta recebeu a notícia com indignação e consternação, segundo nota divulgada pela Secretaria de Imprensa da Presidência da República.
Mesmo consciente da gravidade do crime que levaram à condenação do brasileiro, a presidenta ainda dirigiu, pessoalmente, um apelo humanitário ao presidente indonésio, Joko Widodo, nesta sexta-feira (16) pela clemência do réu. No entanto, o pedido não foi acolhido.
Lamentoprofundamente que esse derradeiro pedido não tenha encontrado acolhida por parte do Chefe de Estado da Indonésia
— Dilma Rousseff (@dilmabr) 17 janeiro 2015
Dilma lamentou o episódio e destacou que a pena de morte, condenada crescentemente pela população mundial, afeta as relações entre Brasil e Indonésia. Ela ainda dirigiu uma mensagem de conforto à família de Marco Archer e convocou o embaixador do Brasil em Jacarta para consultas.
“Chamar o embaixador para consulta expressa gravidade, um momento do tensão”, explicou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em entrevista coletiva neste sábado (17).
Prisão em 2003
O carioca Marco Archer Cardoso Moreira, 53 anos, foi fuzilado por tráfico de drogas. Ele foi o primeiro brasileiro executado por crime no exterior. A informação foi confirmada pela Embaixada do Brasil em Jacarta.
Archer trabalhava como instrutor de voo livre e foi preso em agosto de 2003, quando tentou entrar na Indonésia, pelo aeroporto de Jacarta, com 13,4 quilos de cocaína escondidos em uma asa-delta desmontada em sete bagagens.
O brasileiro havia conseguido fugir do aeroporto, mas foi localizado após duas semanas, na Ilha de Sumbawa. Archer confessou o crime e disse que recebeu US$ 10 mil para transportar a cocaína de Lima, no Peru, até Jacarta. No ano seguinte, foi condenado à morte.
O secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Sérgio Danese, entregou pessoalmente ao embaixador indonésio nota expressando inconformidade do Brasil com a execução logo após a execução de Archer.
Segundo o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, a execução do brasileiro Marco Archer na Indonésia gera uma sombra na relação bilateral. Ainda de acordo com o ministro, foram esgotados todos os recursos para evitar a executação da pena. O argumento usado pelo governo é de que não há pena de morte no Brasil.
Vieira ressaltou que, em nenhum momento, foi contestada a gravidade do ato cometido pelo brasileiro. Mauro Vieira afirmou também que toda a assistência foi dada a Marco Archer e que o mesmo está sendo feito com o outro brasileiro que está no corredor da morte na Indonésia, Rodrigo Gularte.
Confira a íntegra da nota oficial da Presidência da República:
A presidenta Dilma Rousseff tomou conhecimento – consternada e indignada – da execução do brasileiro Marco Archer, ocorrida hoje às 15h31 - horário de Brasília - na Indonésia.
Sem desconhecer a gravidade dos crimes que levaram à condenação de Archer e respeitando a soberania e o sistema jurídico indonésio, a presidenta dirigiu pessoalmente, na sexta-feira última (16), apelo humanitário ao seu homólogo Joko Widodo para que fosse concedida clemência ao réu, como prevê a legislação daquele país.
A presidenta Dilma lamenta profundamente que esse derradeiro pedido, que se seguiu a tantos outros feitos nos últimos anos, não tenha encontrado acolhida por parte do chefe de Estado da Indonésia, tanto no contato telefônico como na carta enviada, posteriormente, por Widodo.
O recurso à pena de morte, que a sociedade mundial crescentemente condena, afeta gravemente as relações entre nossos países.
Nesta hora, a presidenta Dilma dirige uma palavra de pesar e conforto à família enlutada.
O embaixador do Brasil em Jacarta está sendo chamado a Brasília para consultas.
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