Governo
Encontro do Brics discute mortalidade materna
Assuntos Populacionais
A preocupação com a saúde da gestante e a garantia de nascimento à criança foi ressaltada por todos os representantes do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) durante o Segundo Seminário de Oficiais e Peritos em Assuntos Populacionais, nessa terça-feira (10), em Brasília.
No Brasil, 98% dos partos são realizados em hospitais e mais de 88% são feitos por médicos. No entanto, problemas como hipertensão, infecção puerperal e hemorragia ainda são as maiores causas da mortalidade materna.
Segundo Esther Vilela, coordenadora geral da saúde da mulher do Ministério da Saúde, a banalização da cesariana é um impasse no País, mas o governo federal trabalha para esclarecer a população sobre os benefícios do parto normal e busca oferecer mais condições para o parto humanizado.
“Temos programas como a Rede Cegonha, uma estratégia para implementar e assegurar às mulheres o direito ao planejamento reprodutivo e a atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério. É um primeiro passo para que possamos mudar o modelo de atenção ao parto no Brasil”.
Esther também acrescentou que o Brasil está trabalhando para melhorar a demora no atendimento, principalmente das gestantes em risco, com o acolhimento imediato nos hospitais. “Hoje, um dos maiores problemas é a peregrinação das mulheres na hora do parto. Por isso, estamos trabalhando para garantir atendimento de emergência nos hospitais a todas as mulheres em risco”, afirmou.
Sobre a China, o diretor-geral do Departamento de Serviços e Gerenciamento da População Migrante, Saúde Nacional e Comissão de Planejamento Familiar Wang Qian explicou que a maior preocupação é sobre as gestantes rurais, já que as mulheres em áreas urbanas possuem programas de incentivo e assistência à saúde da mulher. “O governo paga o parto das gestantes. No entanto, muitas não conseguem chegar às cidades. É preciso oferecer serviços para a população rural”, disse Qian.
Na África do Sul, 40,5% dos casos de mortalidade materna se devem a complicações decorrentes da Aids, como pneumonia e tuberculose. O país comemorou o alcance de 100% da cobertura territorial para exames pré-natais, porém a frequência das gestantes nos postos de atendimento ainda é pequena, principalmente antes da 20ª semana de gestação.
“A visita ao pré-natal, em alguns casos, chega a apenas uma consulta. Agora, a meta é fazer com que as mulheres procurem os postos de atendimento”, afirmou Pearl Holele.
Assim como a África do Sul, a Índia sofre com o aumento da mortalidade materna em decorrência da Aids. O representante indiano também destacou o grande número de abortos ilegais relacionados à preferência cultural por meninos, muitas vezes causando a morte do bebê e da mãe por complicações hemorrágicas.
Na Rússia, a taxa de mortalidade materna é a menor do bloco, com 34 óbitos a cada 100 mil nascimentos. De acordo com Oleg Semenovich Filippov, diretor do Departamento de Atenção à Saúde da Criança e Obstetrícia do Ministério da Saúde russo, os programas estatais para reconstruir 23 centros perinatais e melhorar o fornecimento de equipamentos e remédio para as maternidades são motivos para a queda da mortalidade materna no país.
As discussões entre os especialistas seguem até esta sexta-feira (13), abrangendo assuntos relacionados à população e desenvolvimento dos Brics, como migração rural-urbana, diferenças de gênero no mercado de trabalho, entre outros.
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