Governo
Brasil participa de última reunião técnica antes da troca de ofertas entre Mercosul e UE
Relações internacionais
A troca de ofertas comerciais entre Mercosul e União Europeia ocorrerá, no máximo, até o final de novembro, afirmou nesta terça-feira (20), o ministro Armando Monteiro, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic).
“Fizemos a última reunião técnica que precede o início da troca de oferta. Já nos dirigimos à Comissária Europeia, Cecília Malmström, chamando à reunião em nível ministerial”.
“Para ser mais conservador, vamos considerar novembro”, disse o ministro, em entrevista concedida na Finlândia, onde acompanha a viagem da presidenta Dilma Rousseff.
A troca de ofertas é o passo inicial para um acordo de livre comércio entre os dois blocos, quando cada lado apresenta a lista de produtos que podem ter tarifas e impostos zerados em uma relação comercial entre os países. Essa etapa é fundamental para que o acordo possa ser fechado.
Segundo Monteiro, esse processo não está vinculado a viagens da presidenta Dilma e nem precisa de formalização. “Inicia-se a nível ministerial. Você abre a oferta, o grau de cobertura dela, quais são os bens que estão incluídos. Como é que se dá, por exemplo, a cesta de produtos que têm um cronograma de desgravação”, explicou. A desgravação é o processo de retirada de impostos sobre um produto, a desoneração fiscal.
Setores
Os produtos menos sensíveis à competição internacional geralmente entram logo no início do processo de desgravação e os mais sensíveis, ao final.
“Portanto, é um processo que se reveste de um caráter técnico também. Mas, pelo alcance da cobertura, você já pode antecipar o êxito do processo de negociação”.
Tradicionalmente, explicou Monteiro, o Brasil e os países menos desenvolvidos têm uma posição mais defensiva na indústria. “Conseguimos o mais difícil, que foi harmonizar a oferta intrabloco”. Ou seja, no Mercosul, harmonizar a posição entre as indústrias mais competitivas e as menos competitivas da região.
Ele avalia que o processo completo deve ser finalizado em um prazo de oito a dez meses, em torno de agosto, setembro de 2016. Ele destaca que quando os países aceitam o início da troca, sinalizam claramente a possibilidade de êxito do acordo.
“Normalmente, esses acordos podem se frustrar no momento inicial, se o grau de cobertura da oferta não corresponder à expectativa de cada bloco”, lembrou.
A negociação de livre comércio entre Mercosul e UE vem travada há cerca de 15 anos e, agora, a data limite foi estipulada para o fim deste ano. A luta do Brasil para fechar esse primeiro grande passo se intensificou ultimamente. “Desde de que iniciamos esse novo mandato da presidente, fizemos uma ação muito firme, dentro do Mercosul, para que a gente pudesse fechar a oferta”.
Finlândia
A presidenta Dilma Rousseff e o ministro Armando Monteiro participaram nesta terça-feira, em Helsinque, de encontro com empresários e investidores finlandeses na sede da entidade dedicada ao estímulo à exportação do país, a Finpro. Durante o encontro, Dilma destacou as parcerias no setor naval e de exploração offshore, além do potencial de cooperação na exploração de etanol celulósico.
Os investimentos da Finlândia no Brasil ocupam papel central nas relações econômicas bilaterais. Há mais de 50 empresas finlandesas operando no Brasil, gerando, aproximadamente, 20 mil empregos. “As empresas finlandesas têm grande interesse em manter a presença no mercado brasileiro e todas manifestam o desejo de ampliar os investimentos no Brasil", disse o ministro.
O comércio entre os dois países em 2014 foi de US$ 1,029 bilhão, um aumento de 50% em relação a 2005. Os produtos mais importados pelo Brasil são maquinários, papel e produtos farmacêuticos. Já as principais exportações são café, chá, minérios, ferro e aço.
Algumas empresas estão no Brasil há mais de 50 anos, como a Valmet, que iniciou fabricação de tratores em São Paulo nos anos 1960. A presença finlandesa se destaca nos setores de papel e celulose (Stora Enso, Pöyry, Ahlström), processamento químico (Kemira), tecnologia marítima e de offshore (Wärtsila), entre outros.
Fonte: Blog do Planalto e MDIC
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