Você está aqui: Página Inicial > Governo > 2015 > 10 > "Houve várias tentativas de viabilizar acesso à moradia, nenhuma com a dimensão do Minha Casa"

Governo

"Houve várias tentativas de viabilizar acesso à moradia, nenhuma com a dimensão do Minha Casa"

Habitação

Vice-presidente de Habitação da Caixa, Teotônio Rezende, afirmou que o programa, além de atender um déficit habitacional, gera renda e emprego
publicado: 30/10/2015 11h28 última modificação: 30/10/2015 11h28

O Programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) foi criado pelo governo em 2009 com dois grandes objetivos. O mais evidente foi o social, o combate ao déficit habitacional no País, tendo como foco principal a população de mais baixa renda. O segundo foi econômico. Desde 2008 o mundo enfrentava os efeitos da crise econômica e o MCMV movimentou o setor de construção civil no Brasil. O efeito foi a geração de emprego e renda e auxiliou na mitigação dos efeitos da crise.

Para resgatar a história do maior programa habitacional da história do Brasil, o Blog do Planalto entrevistou Teotônio Rezende, atualmente vice-presidente de Habitação da Caixa – o banco público é o principal operador do MCMV. Há 36 anos no banco, Rezende vivenciou vários programas habitacionais sendo executados, vários com importantes êxitos.

Porém, ele afirma que nenhum teve tanto sucesso quanto o Minha Casa Minha Vida. Já são mais de 4 milhões de moradias contratadas, sendo que mais de 2,4 milhões entregues. Rezende anota que a carga de subsídios permitiu atender maciçamente ao verdadeiro público alvo das políticas habitacionais, a população que não tem renda suficiente para conseguir financiamento.

Confira a entrevista:

Por que o governo resolveu criar em 2009 um novo programa habitacional?
Quando o MCMV foi lançado, a gente tinha dois grandes objetivos. Estávamos ali no início de uma crise mundial. O MCMV foi lançado justamente para atender a base da pirâmide do déficit [habitacional], um grupo familiar que responde por 90% do déficit. Tinha um foco social muito forte. Ao mesmo tempo, também, um viés econômico, que era de gerar renda e emprego, e mitigar os riscos do impacto da crise mundial no Brasil. Diferentemente do resto do mundo, enquanto nesse período tivemos a construção civil desempregando em massa e com falência generalizada de construtoras, no Brasil tivemos justamente o contrário. Aumentamos a geração de emprego e renda e fortalecemos o segmento da construção civil, porque, a faixa 1, principalmente, teve um impacto interessante.

Se você olhar, 90% do déficit de habitação, que está em torno de 6 milhões de unidades, é composto por famílias que não tem capacidade para tomar um financiamento pelas regras convencionais. O MCMV faixa 1 transformou aquilo que era carência por habitação em demanda por habitação. Com isso, além de trazer essas famílias para dentro do mercado, criou um nicho para que a construtora pudesse atuar em um produto que até então não fazia sentido produzir porque não tinha compradores.

Acaba funcionando, então, como uma tecnologia social. Além do acesso à moradia, a relação econômica dessas famílias com a sociedade muda também?
Em qualquer lugar do mundo a habitação tem um custo relevante. Mesmo em países desenvolvidos, são poucas as famílias que têm condição de comprar um imóvel sem nenhum aporte de financiamento. Então, o MCMV fez as duas coisas: para quem tem capacidade de pagamento ele viabilizou recurso a uma taxa de juros bastante interessante; e, para aquele segmento que não tinha capacidade de pagamento praticamente nenhuma, ele aportou até 90% em termos de subsídio. Além disso, para aquele que tem uma capacidade parcial de pagamento, viabilizou o recurso oneroso até a capacidade de pagamento dele mais um complemento de subsídio para que ele pudesse comprar um imóvel em condições dignas de habitação.

O Brasil teve vários programas habitacionais antes. Qual a diferença deles para o MCMV?
Ao longo desses anos todos, inclusive o BNH, tivemos “n” outras tentativas de fazer habitação social no Brasil. Não podemos dizer que elas foram um fracasso. Algumas delas tiveram um interessante êxito, mas nenhuma delas teve a dimensão do MCMV, quer em termos de quantidade, quer principalmente no foco de subsidiar as famílias.

Muitos programas anteriores tinham uma ideia boa, mas acabaram não atendendo o público que era foco mesmo, porque não conseguiram equalizar a quantidade de recursos que a família dava conta de pagar com aporte de subsídio.

O diferencial é que além de fazer imóveis em locais acessíveis, e sempre dotados de infraestrutura, teve uma carga fundamental de subsídio que viabilizou, mesmo à família que não ganha nem um salário mínimo, conseguisse ter acesso a esse imóvel. A grande diferença do MCMV é na quantidade, mas principalmente na carga adequada de subsídios.

Outros países vieram fazer benchmarking.
Países que vieram conhecer o programa para verificar o que poderiam ajustar em seus programas, tanto aqui na América Latina e também África, Ásia e até alguns países da Europa. Mas o curioso também é que nós tivemos também visitas do ponto de vista econômico. Associações de empresas, ou mesmo representantes de governos verificando como poderiam viabilizar o acesso das empresas para atuar no Brasil.

Fonte: Blog do Planalto

Todo o conteúdo deste site está publicado sob a licença Creative Commons CC BY ND 3.0 Brasil CC BY ND 3.0 Brasil

banner_servico.jpg

Últimos vídeos

Michel Temez faz a primeira reunião ministerial
Michel Temer se reuniu com novos ministros no Palácio do Planalto. Eles discutiram medidas que serão anunciadas nos próximos dias
Dilma destaca importância da agricultura para ‪‎o País
No lançamento do Plano Safra 2016/2017, a presidenta fez um balanço do apoio do governo federal ao setor
No Dia do Trabalho, Dilma anuncia reajuste noBolsa Família
Haverá reajuste médio de 9% no valor do programa e reajuste de 5% na tabela do Imposto de Renda
Michel Temer se reuniu com novos ministros no Palácio do Planalto. Eles discutiram medidas que serão anunciadas nos próximos dias
Michel Temez faz a primeira reunião ministerial
No lançamento do Plano Safra 2016/2017, a presidenta fez um balanço do apoio do governo federal ao setor
Dilma destaca importância da agricultura para ‪‎o País
Haverá reajuste médio de 9% no valor do programa e reajuste de 5% na tabela do Imposto de Renda
No Dia do Trabalho, Dilma anuncia reajuste noBolsa Família

Últimas imagens

Somente em Salvador serão entregues 2.800 unidades
Somente em Salvador serão entregues 2.800 unidades
Foto: Isac Nóbrega/PR
Em vários momentos, integrantes dos movimentos sociais que assistiam à cerimônia gritaram “Não vai ter golpe”
Em vários momentos, integrantes dos movimentos sociais que assistiam à cerimônia gritaram “Não vai ter golpe”
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Ministro da Educação disse que reconhecer o resultado da eleição é fundamental para a democracia
Ministro da Educação disse que reconhecer o resultado da eleição é fundamental para a democracia
Divulgação/EBC
Presidenta Dilma cumprimenta Mauro Lopes em cerimônia de transmissão de cargo na manhã desta quinta-feira (17)
Presidenta Dilma cumprimenta Mauro Lopes em cerimônia de transmissão de cargo na manhã desta quinta-feira (17)
Foto: Elio Sales/SAC

Governo digital