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Dilma: "os que querem interromper o meu mandato não resistem à pesquisa no Google"

Discurso

Durante a 3ª Conferência Nacional de Juventude, a presidenta Dilma Rousseff disse que "jamais houve desvio" e criticou medidas atribuídas a setores conservadores
por Portal Brasil publicado: 17/12/2015 10h00 última modificação: 17/12/2015 16h49

A presidenta Dilma Rousseff fez, nesta quarta-feira (16), um dos mais inflamados discursos em defesa do seu mandato e contra o pedido de impeachment. Ao participar da 3ª Conferência Nacional de Juventude, em Brasília, evento que reúne lideranças jovens de todo o País, Dilma disse que "jamais houve desvio" durante o exercício da Presidência, atacou enfaticamente adversários, disse que há uma "invenção de motivos" por parte dos que "tentam chegar ao poder de forma a assaltar a eleição direta" e afirmou que tem o "compromisso de continuar mudando o Brasil".

Antes do seu discurso, vários participantes do evento puxavam coros de apoio a Dilma e contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Durante o discurso, ela foi interrompida algumas vezes por gritos de "Não vai ter golpe" e "Ai, a Dilma fica o Cunha sai". Cunha aceitou, no último dia 2 de dezembro, a abertura do processo de impeachment, cujo pedido foi feito pelos juristas Hélio Bicudo, Mighel Reale Jr. e Janaína Conceição Paschoal.

"Neste momento, usando todos os instrumentos que o Estado Democrático de Direito me faculta, lutarei contra a interrupção ilegítima do meu mandato", declarou a presidenta, enumerando argumentos que, segundo ela, comprovam que os que tentam interromper o "mandato popular conquistado legitimamente" não encontram razões consistentes para o impeachment.

"É a falta de razão, que nós chamamos de golpe. A Constituição brasileira prevê sim esse processo [de impeachment]. O que ela não prevê é a invenção de motivos. Isso nao está previsto em nenhuma Constituição." De acordo com Dilma, os argumentos sobre as mudanças no Orçamento não são consistentes, pois "jamais houve desvio nenhum". Segundo ela, seus opositores oscilam entre "invenções e falácias porque não há como justificar o atentado que querem cometer contra a democracia".

"Não sustenta qualquer argumento porque não houve irregularidade. Nós pagamos o Bolsa Família sim. Pagamos o Minha Casa Minha Vida sim. E, ao fazê-lo, sempre respeitando as leis e os contratos que existiam. Eu assinei decretos e mudanças na locação de recursos quando esses recursos sobravam e, portanto, podiam ser deslocados para outras atividades pela lei orçamentária aprovada neste País", afirmou.

Biografia

Sem citar diretamente ninguém, a presidenta elencou políticas implementadas pelos governos do PT, desde 2003, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o governo. De acordo com a presidenta, "os que buscam atalho para o poder não querem derrubar apenas uma mulher, e sim um projeto".

Dilma comparou a sua biografia com a de adversários políticos. "Sabem que têm de usar de artifícios porque não conseguirão nada atacando minha biografia, que é conhecida. Sou uma mulher que lutou. Amo meu País e sou honesta. Além disso, não compartilho com algumas práticas da velha política que alguns deles professam. O mais irônico é que muitos que querem interromper meu mandato têm uma biografia que não resiste a uma rápida pesquisa no Google", criticou.

Diante de uma plateia de cerca de 3 mil pessoas, de acordo com a Secretaria Nacional da Juventude, a presidenta fez referências à política de oposicionistas como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). "Vamos mudar o Brasil fortalecendo a sua democracia e impedindo retrocessos. Não mudaríamos o Brasil fechando escolas. Nós também não vamos mudar o Brasil reprimindo movimentos pacíficos com forças policiais. Sabemos que fechar escolas é extinguir sonhos", disse.

A presidenta criticou ainda medidas atribuídas a setores conservadores como a redução da maioridade penal, a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição que transfere para o Legislativo o poder de demarcar terras indígenas e a adoção de medidas contrárias à diversidade das famílias.

"Certamente não mudaremos para melhor o Brasil se permitirmos que a nossa democracia, jovem ainda, seja golpeada, agredida ou desrespeitada. Para mudar o Brasil, temos de garantir respeito ao voto da população e respeitar o resultado das eleições. Hoje, sabemos que defender a democracia é mudar o Brasil para melhor. Está em curso uma batalha que ditará os rumos do nosso país por muito tempo", disse a presidenta.

Demandas

Além dos refrões em coro proferidos pela plateia, os discursos da cerimônia de abertura da conferência também foram de apoio a Dilma. Ela recebeu, porém, uma reivindicação do presidente do Conselho Nacional de Juventude, Daniel Souza. "Que esse governo se coloque cada vez mais à esquerda e com o povo", disse Daniel. Delegados da conferência também pediram a demissão do ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

Mujica

Antes da chegada de Dilma à Conferência Nacional de Juventude, o ex-presidente do Uruguai, José Pepe Mujica, discursou e foi ovacionado pelos participantes do evento. A presidenta foi acompanhada pelos ministros Jaques Wagner, da Casa Civil; Edinho Silva, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência; Miguel Rossetto, do Trabalho; e pela ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello.

Fonte: Portal Brasil, com informações da Agência Brasil

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