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Em SP, estudantes do Mackenzie fazem ato contra impeachment

Defesa da democracia

Intitulado “Mackenzistas contra o Golpe: A História Não se Repetirá!”, o ato ocorreu do lado de fora do campus da universidade paulistana
por Portal Brasil publicado: 24/03/2016 11h54 última modificação: 24/03/2016 11h54

Estudantes da Universidade Presbiteriana Mackenzie realizaram ato contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, na noite desta quarta-feira (23), no centro da capital paulista. Eles bloquearam o tráfego de carros na rua histórica rua Maria Antonia e, sob chuva, discursaram sobre um caminhão de som.

Intitulado “Mackenzistas contra o Golpe: A História Não se Repetirá!”, o ato ocorreu do lado de fora do campus da universidade, em frente ao prédio da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP), local onde em 1968 ocorreu o episódio que ficou conhecido como a Batalha da Maria Antonia.

“Quisemos fazer o ato na Maria Antonia já que a universidade não ofereceu espaço para a gente. Vai ficar simbólico, relembrando o que aconteceu em 1968 e mostrando que a Mackenzie pode ter uma cara nova e que não existe só um pessoal reacionário dentro da universidade, mas tem gente também querendo mudar isso, e querendo resistir”, disse a aluna Jamyle Hassan Rkain, estudante de jornalismo.

Manifesto lido pelo estudante de direito Calebe Paranhos expôs a preocupação dos alunos diante da crise política do país. “É com grande preocupação que vemos a repetição de fatos que resultaram no golpe de 1º de abril de 1964”, disse.

Segundo o documento, mesmo diante da devassa feita no governo federal, nenhum crime pode ser imputado à presidenta Dilma Rousseff e à administração dela.

“A oposição golpista, talvez em razão das seguidas derrotas nas eleições presidenciais, joga no lixo todo processo democrático, ignorando 54,5 milhões de votos, e tenta, de qualquer modo, e à custa de paralisar o país, derrubar um governo democraticamente eleito e assumir a Presidência da República à revelia do estado democrático de direito”, afirma o texto.

Palavras de ordem como “não vai ter golpe” foram gritadas pelos alunos, que levantaram cartazes criticando a cobertura da crise política pela mídia e decisões do juiz federal Sergio Moro.

“Entendemos que em todo o tempo, mas principalmente em momentos de perigosos movimentos golpistas, como os presenciados, a universidade é local para resistência aos anseios antidemocráticos, para a defesa da Constituição Federal, o devido processo legal, e do estado democrático de direito”, diz o manifesto.

De acordo com Melissa Cambuhy, estudante de direito, o processo de impeachment pretende, na verdade, atacar os direitos sociais e acabar com o processo desenvolvimentista do país.

“Estamos aqui para denunciar e barrar o golpe que está em curso em nosso país. Esse golpe que vem sendo orquestrado, como em 1964, pela mídia e pelo setor empresarial”, defendeu. “O golpe busca o desmonte dos nossos direitos sociais, que foram conquistados com tantas mortes, tanto sangue e tanta tortura sofrida”, completou.

Batalha da Maria Antonia

Em 3 de outubro de 1968, estudantes da Universidade Mackenzie e da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP) entraram em confronto na Rua Maria Antonia, onde ficavam as duas instituições.

A “batalha da Maria Antonia” teve início devido a um pedágio cobrado pelos alunos da USP para levantar fundos para o 30° Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE). Parte dos alunos da Mackenzie era simpatizante do regime militar, sendo que alguns deles eram integrantes do Comando de Caça aos Comunistas (CCC).

A rua Maria Antonia transformou-se em uma verdadeira zona de guerra: a fachada do prédio da USP foi destruída, houve focos de incêndio e dezenas de feridos. Um estudante secundarista, José Guimarães, morreu atingido por um tiro na cabeça.

Fonte: Agência Brasil  

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